Jundiaí

Alta de combustíveis altera rotina de profissionais

ECONOMIA O aumento dos preços de combustíveis dificulta o serviço de motoristas e caminhoneiros


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Rosilene Oliveira Moreira precisou realizar algumas estratégias para consumir menos
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Os aumentos no preço dos combustíveis têm dificultado o cotidiano de caminhoneiros e motoristas de aplicativos. O valor do óleo diesel, por exemplo, registrou o terceiro aumento consecutivo no final de maio e os índices já preocupam os profissionais que precisam abastecer todos os dias.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na segunda quinzena de maio o valor médio do diesel atingiu R$ 4,482 por litro. No o caso da gasolina, o preço médio nos postos avançou para R$ 5,641 por litro, enquanto o preço médio do etanol chegou a R$ 4,362 o litro.

Rosilene Oliveira Moreira é motorista de aplicativo há mais de três anos e sente o prejuízo diariamente. Ela realiza em torno de 30 viagens por dia, gastando cerca de 41 litros. "Precisei incluir o gás natural veicular (GNV) no meu carro para reduzir a despesa com combustível. Chegava a gastar R$ 2,4 mil em etanol por mês, mas com o GNV meus gastos chegam a R$ 1 mil", relata.

O aplicativo faz parte da renda fixa de Rosilene e neste caso sentiu a necessidade de pensar estratégias para gastar menos combustível. "Para reduzir o horário de trabalho e diminuir a despesa com veículo, divido o carro com meu marido, trabalhando em horários alternados" conta.

Para Jorge Adriano de Oliveira, também motorista de aplicativo há mais de quatro anos, o aumento dos valores pesou no bolso. "Rodo em torno de 200km a 250km por dia, fazendo entre 20 a 30 viagens e gastando entre 15 a 20 litros. A média de combustíveis chega a R$ 2,3 mil por mês. Para tentar diminuir esse custo, em função dos altos preços dos combustíveis, o desconto abusivo das operadoras e as tarifas baixas, tenho que filtrar as chamadas, avaliar se o deslocamento e o percurso com o passageiro irá compensar ou não e assim, faz com que eu aceite menos solicitações", explica.

Ele lamenta que a falta de redução de preço pode afastar os profissionais. "A atividade ficará cada vez mais desinteressante e teremos que buscar outras formas de renda ou buscar incrementar com outras atividades. Os usuários, na maioria, não percebe, mas muitas vezes quase pagamos para levar o passageiro", completa.

NOS POSTOS

O aumento nos preços dos combustíveis ocorre após a Petrobras realizar um reajuste, para baixo, nos valores de comercialização de diesel e gasolina em suas refinarias.

Antes do reajuste chegar aos postos há uma série de itens a serem analisados, entre eles, impostos, mistura de biocombustíveis e margens de distribuição. "Tivemos reajustes constantes neste ano. O etanol possui uma cotação na bolsa de valores e na última sexta (4) ela registrou uma alta de R$ 0,12, enquanto a gasolina registrou alta de R$ 0,04. As distribuidoras repassam esses valores para os postos, mas cada proprietário realiza sua estratégia para vender, podendo aumentar o preço ou não", comenta Eduardo Valdívia, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Jundiaí e Região (Recap).

O caminhoneiro autônomo Marcelo Biazim dirige há cinco anos e conta que os postos nunca repassam os valores ideais. "Com o preço do óleo diesel a R$ 4,30, por exemplo, meu caminhão chega a consumir R$ 4,50 por litro. Com isso, gasto em torno de R$ 500 por dia com as minhas viagens, mas eu não posso parar porque é meu é o meu ganha-pão, o sustento da minha casa, se tá ruim com ele (óleo diesel), imagina sem", brinca.

Segundo Djan Schettino, presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de Jundiaí e Região (Amajur), muitas pessoas deixaram de trabalhar pois não conseguiram manter os altos custos, devido, principalmente, ao preço dos combustíveis. "Quando eu comecei a trabalhar no ramo, há cinco anos, o etanol custava R$ 1,89 nas bombas e hoje passa dos R$ 4 em média, mais de 100% de aumento", ressalta.

 


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