Jundiaí

Artesãos da 'Tibúrcio Estevão' sofrem os impactos da pandemia

PRAÇA DO MOSTEIRO Comerciantes e artesãos sofrem com o 'abre e fecha' constante por conta das mudanças de fases, mas esperam pelos clientes


                                  ALEXANDRE MARTINS
A vendedora de livros espíritas Maria Isaura Batista lamenta os constantes fechamentos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Comerciantes e artesãos que vendem seus produtos em barracas montadas em praças de Jundiaí têm sentido o impacto do 'abre e fecha' por conta da restrição do Plano SP. A queda da clientela tem feito alguns profissionais desistirem de seus trabalhos ou buscarem alternativas para não fecharem as portas.

Na praça Tibúrcio Estevão de Siqueira, ao lado do Mosteiro de São Bento, no Centro, os profissionais mostram seus trabalhos manuais ao público que passa diariamente pelo local. É com este fluxo que eles contam, mas lamentam que o espaço não tem muitos atrativos e por isso a demanda tem diminuído gradativamente.

A vendedora de livros espíritas Maria Isaura Batista lamenta os fechamentos constantes do comércio. Isto faz com que os comerciantes da praça também tenham que fechar. "Tivemos o abre e fecha e o movimento está fraco. É difícil passar um dia sem vender nenhum livro, mas já cheguei a ficar dois dias sem vender. Tem época que vende bem, mas agora na pandemia está ruim."

Maria diz que o espaço também não ajuda a atrair o público. "Já fiz vários pedidos para cortar os galhos das árvores. Eles caem sempre e é perigoso. Toda vez que chove, por exemplo, a gente já pensa que vai cair mais um galho aqui em cima", diz ela sobre a paineira que fica ao lado de sua barraca.

FEIRA

O feirante Adalberto Bezerra da Silva tem uma barraca com acessórios e bijuterias passando a semana inteira à frente do seu negócios por isso tem a dimensão da falta de movimento atual.

"Com essa pandemia está ruim para todo mundo. Aqui só passa gente com receita de remédio na mão. Na Fase Vermelha fechou tudo e a fiscalização também não deixou a gente trabalhar. Estou na feira de artesanato há 39 anos e vi muitos colegas saindo para participar de um outro projeto", relembra.

O comerciante conta que o espaço já teve dias melhores. "Essa praça foi reformada há alguns anos. Colocaram aparelhos de academia ao ar livre e até montaram um parquinho, mas depois tiraram os equipamentos da academia para fazer manutenção e nunca devolveram. O parquinho era lindo, mas foi quebrando e ninguém faz manutenção. Disseram que iam reformar várias praças de Jundiaí, espero que reformem essa também."

Com sua barraca de pedras ornamentais e outros acessórios, José Orlando Ramos também tem sentido o baixo movimento e por isso não consegue investir no negócio.

"Está devagar e muito complicado pela pandemia. Também precisamos fechar por um tempo por causa dos protocolos da Fase Vermelha. Não investimos mais porque não estamos vendendo. No meu caso, a clientela hoje é de quem já me conhece porque trabalho com isso há pelo menos 17 anos", relata.

Ele participava do Programa 'Jundiaí Feito à Mão', projeto municipal criado com o objetivo de fomentar a atividade artesanal de Jundiaí, mas precisou se desligar. "Falaram que os meus produtos eram semi-manufaturados, que não era artesanato. Então fiquei vendendo de forma independente."

 


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