Jundiaí

Evitando reajustes nos valores, produtores mantêm produção

ORGÂNICOS Apesar das dificuldades que o período de isolamento trouxe, agricultores de Jundiaí mantêm a clientela com a comercialização de seus produtos


                                    ALEXANDRE MARTINS
O produtor José Roberto de Paula não reajustou os seus preços e tem mantido a freguesia que faz questão de produtos frescos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Apesar das dificuldades encontradas durante o período de isolamento social, em especial a queda na procura de seus produtos, agricultores com hortas orgânicas têm conseguido manter suas produções sem reajustar o preço para o consumidor final.

Em Jundiaí, segundo a Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo, há cinco produtores orgânicos cadastrados e certificados na cidade pela Organização de Controle Social (OCS) e esta certificação tem ajudado a manter a produção. Segundo o produtor José Roberto de Paula, de 53 anos, mesmo com a baixa procura não houve reajuste nos seus produtos.

"Cultivo um pouco de tudo e não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade. Tenho alface, chicória, acelga, couve-flor, brócolis, tomatinho-cereja, rúcula, abobrinha, berinjela, alho-poró, coentro, salsa, cenoura e as frutas de época, no momento tenho a banana, limão-taiti, limão siciliano e goiaba vermelha", conta ele que tem sua produção na Roseira.

As hortaliças são o destaque em seu espaço cultivado há oito anos. "A rúcula sai por R$ 7 o maço com 300g e o alface por R$ 4 a unidade. Outro bem vendido são os tomatinhos-cereja, no qual vendo a cumbuca com 300g por R$ 7", afirma.

As vendas do agricultor chegaram a cair quase 50%, em comparação com o período antes da pandemia.

"Comercializo na feira de produtos orgânicos e com o constante abre e fecha, houve uma boa diminuída de clientes, mas quando a feira precisou fechar pude contar com uma freguesia fixa. O pessoal fazia uma lista de alimentos disponíveis e depois fazia a retirada", explica.

O agricultor Paulo Fernando Alves, de 63 anos, planta alimentos orgânicos há sete anos utilizando as técnicas da agroecologia. "Cultivo hortaliças no geral, além de cenoura, brócolis e acelga. Os campeões de vendas são as folhas verdes, o pé de alface sai por R$ 4 a unidade e a rúcula por R$ 6", afirma.

Como Alves faz parte do grupo de risco, precisou parar de ir à feira e começou a vender por encomenda. "Todas as quintas-feiras eu mando uma lista com o que tenho para meus clientes. Eles fazem os pedidos e no sábado marcam para retirar aqui na chácara. Apesar dessa saída que encontrei, meus lucros caíram muito, cerca de 60%, comparado ao período antes da pandemia e, mesmo assim, não fiz qualquer reajuste nos meus valores", pontua.

Alves conta com sua produção agroecológica e sustentável para conseguir baratear os custos. "Basicamente não compro nada de fora para meu cultivo. Eu faço minha própria composta e meu fertilizante, além de poder aproveitar as mudas que também faço aqui. Assim, o mais pesado no meu custo é a mão de obra", conta.

Já a produtora Juliana Nunes Carnio, acabou precisando fazer pequenos reajustes em seus preços, devido o aumento de valor das mudas e de alguns insumos. "Atualmente plantamos hortaliças, legumes e alguns frutíferos. Os preços variam muito, mas chegam a no máximo R$ 6, como o caso da couve-flor. O alface sai por R$ 5, o cheiro-verde por R$ 4, a cebolinha por R$ 3 e assim vai descendo", afirma.

Juliana cultiva junto com seu marido, Pedro Peixoto Carnio, há mais de 13 anos e afirma que a pandemia afastou muitos clientes. "Nosso lucros caíram cerca de 40% durante a pandemia e então começamos a utilizar bastante as redes sociais e assim, voltamos a vender bem por meio de entregas. Agora contamos com o retorno da feira do Jardim Samambaia e estamos retomando em um bom ritmo", comenta.

SERVIÇOS

A Feira de Orgânicos ocorre aos sábados, das 7h às 12h, no bolsão de estacionamento, em frente ao portão de entrada do Jardim Botânico. Alguns produtores de orgânicos também comercializam na feira do produtor rural, realizada às segundas-feiras, das 16h às 22h, na esquina da avenida Dr. Adilson Rodrigues com a Rua Giuseppe Franco, no Jardim Samambaia.

 


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