Jundiaí

Sintoma pós-vacina é sinal que organismo está reagindo

As reações adversas, incomodam, mas não se comparam ao alívio de estar imunizado


                   ALEXANDRE MARTINS
A atriz e contadora de histórias está satisfeita com a imunização mesmo com as reações
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Desde janeiro, Jundiaí já soma mais de 180 mil pessoas vacinadas, entre primeiras e segundas doses. As reações adversas, provocadas especialmente pela AstraZeneca, da Oxford, incomodam, mas não se comparam ao alívio de estar imunizado.

A imunologista Adriana Márcia da Silva Cunha Barbosa afirma que os sintomas pós-vacina são normais. "As reações sempre ocorreram com todas as vacinas, mas hoje o debate é maior por se tratar da vacina contra a covid, por conta da expectativa que estávamos alimentando", explica.

As reações mais comuns são dor no local da aplicação, vermelhidão, dor no corpo, indisposição e febre. "Os sintomas pós-vacina são, inclusive, sinais que o sistema imunológico está agindo, sendo estimulado pela vacina", diz a médica.

Segundo ela, não existe um perfil padrão para identificar quem vai apresentar os sintomas. "Sabemos que a covid pode ser mais grave em idosos e pessoas com comorbidades, mas isso não tem relação com os efeitos adversos da vacina. Mas não existe um padrão", explica Adriana.

É importante saber que cada vacina possui uma tecnologia diferente. "A CoronaVac, por exemplo, desencadeia menos sintomas por se tratar do vírus inativado. Vacinas com o adenovírus, como a AstraZeneca, tendem a estimular mais reações adversas, porém com eficácia de 76% desde a primeira dose", aponta a imunologista.

Os sintomas pós-vacinação podem ser tratados até que desapareçam. "O paciente deve tomar o analgésico de costume, fazer repouso, se alimentar e dormir bem. Geralmente a recuperação não leva mais que 72 horas", diz.

Os vacinados que apresentam sintomas após a primeira dose não precisam ter medo e devem comparecer para a segunda aplicação. "Estudos de eficácia demonstram superioridade apenas após as duas etapas da vacinação. Após a primeira dose, o sistema imune reconhece a proteína e inicia a fabricação de anticorpos, mas é apenas depois da segunda dose que ele recebe um impulso maior na produção desses anticorpos", orienta Adriana.

ALÍVIO

A atriz e contadora de histórias infantis Eunice de Lima Cayres tem 58 anos e recebeu a primeira dose da AstraZeneca no dia 16 de maio, por ser hipertensa e portadora de diabetes tipo 2. "Estou muito feliz de estar vacinada, apesar das reações. Tive muita tontura, enjoo, dores no corpo e dor de cabeça forte, mas sigo animada", diz.

Os sintomas duraram três dias. "Apesar das reações, me senti aliviada. Elas não atrapalharam a rotina porque sou artista e estou em casa no momento, então esperei passar e valeu a pena", afirma.

Eunice não vê a hora de estar totalmente imunizada. "Estou ansiosa para receber a segunda dose, para poder visitar minha família. Vou continuar fazendo uso de máscaras, luvas e álcool em gel. Só porque você se vacinou, não quer dizer que não pode pegar o vírus", afirma.

Luana, filha de Eunice, mora na Espanha e as duas não se veem há mais de um ano. "Estou louca para encontrar com a minha filha, mas só quando estiver mais seguro. Ela teve covid e nós percebemos como é importante tomar cuidado enquanto todos não são vacinados", diz.

Eunice ressalta a importância de se vacinar. "Receber a vacina fez eu me sentir mais confiante e segura. A gente não pode ter medo mesmo que dê alguma reação, porque se imunizar vale a pena. Vacinado, você pode até pegar covid e se recuperar depois, mas sem a vacina, o vírus pode ser fatal", aponta.

DEVER

Aos 22 anos, o montador industrial Katriel Oliveira de Camargo recebeu a primeira dose da AstraZeneca em abril. "Trabalho com equipamentos hospitalares, por isso já fui vacinado. Estou mais tranquilo e aguardando a próxima dose, marcada para julho", afirma.

O jovem teve reações por dois dias. "Tive febre e muita dor no corpo, especialmente nos braços. Eu me sentia muito cansado, até mesmo quando não fazia esforço. Esse incômodo atrapalhou um pouco na hora de dirigir", explica.

No começo, o montador industrial não estava preocupado em se vacinar. "Antes eu não ligava, mas depois percebi como era importante proteger não só a mim, como a minha família e as outras pessoas. Me sinto aliviado, feliz e privilegiado, já que infelizmente não deu pra vacinar todo mundo ainda", diz.

Ele conta que vai retornar para a segunda dose, mesmo correndo o risco de ter reações adversas novamente. "Mesmo com efeitos colaterais, vale a pena se proteger. Nem todos experimentaram essa sensação, mas imagine estar vacinado e ter menos chances de contrair o vírus e passar para outras pessoas? É um alívio."

 


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