Jundiaí

Custo alto de matéria-prima faz vendas de peças de frio despencarem

FEITA A MÃO Bordadeiras e artesãs autônomas de acessórios para o frio, como luvas e gorros, esperam mais um ano fraco em seus negócios


ARQUIVO PESSOAL
Apesar das dificuldades, Fabiana Luchete está com boas expectativas
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Apesar das baixas temperaturas típicas do outono e a proximidade do inverno, bordadeiras e artesãs que confeccionam peças e vestimentas para o frio não estão empolgadas com as vendas deste ano e um dos motivos é o aumento no custo da matéria-prima.

A artesã Fabiana Luchete confecciona peças de inverno há mais de 15 anos e, atualmente, trabalha com pronta entrega e por encomenda. "Eu faço cachecóis, blusas, mantas, coletes, luvas, gorros e o que o cliente pedir. Tenho para todos os gostos e para todas as pessoas. Os preços variam muito, conforme a quantidade e a qualidade da lã, os cachecóis custam entre R$ 20 e R$ 150, já os gorros e as luvas vão de R$ 30 a R$ 50", afirma.

Ela precisou reajustar seus valores por conta do aumento do preço das matérias-primas. "A lã tinha um preço bem acessível, mas como ela é importada está bem cara, mas sempre conseguimos dar um jeito para agradar o cliente", comenta.

Segundo a artesã, o período de isolamento social fez as vendas caírem. "Por mais que tivesse oferecido e feito muitos anúncios, o ano passado senti bastante essa diminuição nas vendas e infelizmente este ano também. Agora com a proximidade de dias mais frios espero conseguir dar uma boa aquecida nas vendas, principalmente fazendo propaganda nas redes sociais", pontua.

A dona de casa Elza Dubiniak confecciona peças de inverno há mais de dez anos como forma de renda-extra. "Eu confecciono qualquer item relacionado a crochê e tricô, inclusive cachecóis, boinas e toucas. Os valores variam conforme a peça e o modelo escolhido. Um cachecol simples está na faixa dos R$ 35, uma boina sai por R$ 40 e a touca masculina por volta de R$ 25", afirma.

Elza trabalha somente por encomendas e pede um adiantamento de 30% para conseguir cobrir a matéria-prima. "Eu preciso de alguma garantia porque já tive problemas com clientes que desistiram da encomenda e como já havia comprado a lã, acabei ficando no prejuízo", conta.

Para Elza, a pandemia atrapalhou muito seus negócios. "Eu fiz uma compra de lã em março e estão todas aqui ainda. Eu percebi que a maioria quer para pronta-entrega e como cuido de duas netas, não tenho muito tempo disponível para trabalhar desse jeito", ressalta.

A dona de casa também precisou reajustar seus valores por causa do aumento das matérias-primas, mas ponderou para não perder clientes.

"Acredito que a situação não vai dar uma melhorada, mesmo com a chegada do frio. Devido à pandemia, as pessoas ainda estão evitando gastar um dinheiro extra e muitas vezes, elas acabam tendo um cachecol ou um gorro velho e reaproveitam, além das pessoas também não estarem saindo de casa, então não há muitos motivos para comprar essas peças, mas caso o inverno dê uma apertada, talvez consiga vender bem", diz.

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Fabiana: @fabiana.luchete

Elza: @elzadubiniak

 


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