Jundiaí

Aulas presenciais dividem opiniões entre estudantes do ensino superior

De acordo com anúncio feito por Doria, as aulas presenciais do ensino superior podem voltar em 2 de agosto


           ALEXANDRE MARTINS
Aluno de Logística, José Carlos Braga Júnior, de 28 anos, diz que não vai retornar: "Ainda existe o risco de infecção"
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

De acordo com anúncio feito no último dia 7 pelo governador João Doria, as aulas presenciais do ensino superior podem voltar em 2 de agosto, mas o retorno já divide opiniões de estudantes, principalmente por conta do aprendizado e das normas sanitárias.

O estudante de Logística José Carlos Braga Júnior, de 28 anos, é enfático ao dizer que não irá retornar. "Não vou participar do retorno. Os índices da pandemia estão melhorando, mas ainda existe o risco de uma infecção. Falam do retorno, mas não vejo um plano concreto. As pessoas infectadas transmitem três dias antes de começar a apresentar sintomas, o que farão caso um colega de turma contraia o vírus?", comenta.

Em conjunto com outros alunos, ele produziu um manifesto contra o retorno. A alegação é que a presencialidade só pode ser segura com 70% da população imunizada. "Eu já fui vacinado porque trabalho em serviço de saúde, os professores também estão sendo, mas há o risco de transmissão, de perder um ente querido", diz ele.

Aos 24 anos, o estudante de Direito Guilherme Louro, aguarda o retorno presencial, mesmo que de forma parcial. "A absorção da matéria é mais difícil no on-line para mim. Eu não costumo tomar nota, gosto de assistir às aulas para absorver o conteúdo, mas é mais difícil em casa. Ter um local específico para estudar é melhor."

Guilherme chegou a trancar o último semestre da faculdade e um dos motivos foi o ensino remoto. "Eu sai de Engenharia para cursar Direito, mas sentia que estava passando em branco, que eu não estava entendendo alguns conteúdos e isso poderia me atrapalhar quando eu fosse prestar a prova da OAB. Também tranquei o semestre pela questão financeira, que piorou na pandemia."

Segundo o anúncio do governador, o retorno deve seguir protocolos sanitários e com ocupação de 60% nas faculdades de tecnologia e universidades públicas e privadas, com exceção dos cursos da área da saúde, que já estavam autorizados a ter aulas presencialmente.

PREPARO

Para o retorno em agosto, as instituições de ensino superior de Jundiaí já se preparam para atender aos requisitos necessários. O Centro Paula Souza, responsável pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jundiaí, informa que será elaborado um plano de retorno.

A Faculdade Anhanguera ressalta que caso algum aluno não se sinta confortável com a retomada presencial, ele poderá acessar o conteúdo disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), para que não haja qualquer impacto na continuidade dos estudos. A instituição reforça que não medirá esforços para adotar as melhores práticas de biossegurança.

A Universidade Paulista (Unip) e o Centro Universitário Padre Anchieta (Unianchieta) foram procurados pelo JJ, mas não retornaram até o fechamento desta edição.

Escolas estaduais também voltam a ter atividades presenciais no segundo semestre, após o recesso de meio de ano. Na rede municipal, segundo a Unidade de Gestão de Educação (UGE), há em prática atualmente o ensino híbrido, com escalonamento devido à capacidade máxima de 35% por escola.


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