Jundiaí

Esquizofrenia não é loucura, mas sim doença mental tratável


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Adriana Pinto diz que é preciso superar preconceitos sobre a doença
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Em Jundiaí, cerca de 500 pessoas são atendidas pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps) com diagnóstico de esquizofrenia. A doença mental, que atinge cerca de 1,6 milhão de brasileiros, ainda é rodeada de estigmas e preconceitos por parte daqueles que não possuem informação sobre o assunto.

A esquizofrenia é um distúrbio mental marcado por distorções dos pensamentos e também das emoções, podendo estar relacionados a diferentes fatores da vivência de cada indivíduo.

De acordo com a psicóloga e assessora da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Adriana Carvalho Pinto, atualmente em Jundiaí, o atendimento de pessoas com esquizofrenia acontece pela Rede de Atenção Psicossocial em casos menos complexos e no Centro de Atenção Psicossocial(CAPS) nas situações mais complexas da doença.

"No CAPS, os cuidados são destinados a casos mais graves, que visam a reabilitação psicossocial, cujo processo envolve pensar no desenvolvimento do indivíduo em diversos aspectos de sua vida: familiar, relacionamentos interpessoais, interação com a comunidade, trabalho, cuidados com a saúde e acesso a direitos sociais", afirma Adriana.

O diagnóstico pode ser concedido previamente por um médico psiquiatra, atingindo principalmente homens de 15 a 23 anos e mulheres de 25 a 35 anos. Porém, em homens a incidência de casos pode ser até duas vezes maior que em mulheres.

TRATAMENTO

Diferente do que muitos acreditam, o tratamento para a doença não é apenas com remédios, mas sim com atenção de diversas especialidades que ajudam na estabilização dos sintomas e também na socialização do paciente.

"Nos CAPSs as pessoas possuem atendimentos individuais e grupais, com intervenções em oficinas, para o desenvolvimento de habilidades sociais. Também, pontos importantes no tratamento da esquizofrenia são as propostas de cuidado aos familiares do paciente", completa a psicóloga.

Assim como outras doenças, com a estabilização dos sintomas da esquizofrenia, é possível para o paciente ter uma vida comum. Adriana relata que, com o tratamento correto, pode-se ter qualidade de vida.

"Um fator de sucesso para o tratamento da esquizofrenia é o início precoce deste, com intervenções comunitárias, que possibilitem ao indivíduo a manutenção de seus laços familiares e sociais, evitando a cronificação que os processos de internação provocam", diz Adriana.

PRECONCEITOS

Muitas pessoas ainda não veem com bons olhos a doença, julgando como loucas as pessoas com transtornos mentais.

"Uma das questões que ainda precisamos superar enquanto sociedade se refere ao estigma da loucura, no qual o sujeito com um transtorno mental é visto como perigoso e incapaz de realizar atividades da vida, como estudar, trabalhar e ter relacionamentos. Este pensamento prejudica a evolução do indivíduo, uma vez que retira suas capacidades de ser e estar no mundo, com relacionamentos genuínos com os demais", complementa Adriana.

O jovem Thiago Bogajo de Melo, de 30 anos, foi diagnosticado com a doença em 2012 e afirma que atualmente está conseguindo lidar melhor com os sintomas e até praticar esportes.

"O tratamento está sendo bom para mim, eu estou conseguindo praticar esportes e ter mais controle. Faço acompanhamento regularmente pelo CAPS III e estou bem melhor agora", diz Melo.

Thiago não trabalha, entretanto prática futsal no Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptdas (Peama) e, enfrentando os preconceitos, leva uma vida comum.

"Eu jogo futsal na Peama de Jundiaí e também futebol, antes era nervoso, via vultos e ouvia vozes constantemente, mas com a medicação e acompanhamento estou bem", conta o jovem.

Kelly Cristina Bogajo, mãe de Thiago, relata que os olhares de medo e o preconceito com o filho são constantes. "Ele sofre bastante preconceito em todos lugares, quando ando com ele nos ônibus, as pessoas nos olham e ficam com medo. Também os jovens da idade dele não querem fazer amizade, pois falta conhecimento. Assim, ele acaba ficando isolado", relata Kelly.

PROCURE AJUDA

Em caso de crises e sintomas que coloquem em risco a integridade do paciente e de outras pessoas, recomenda-se o atendimento por meio do pronto-socorro do Hospital de Caridade São Vicente ou buscar atendimento no local no qual realiza cuidados rotineiros.

(Geovana Arruda)

 


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