Jundiaí

Guarda compartilhada de pets é ótima opção para os tutores

DOIS LARES


ALEXANDRE MARTINS
Gustavo Bulhões e Pipoca se divertem algumas vezes por semana
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Engana-se quem pensa que a guarda compartilhada é mecanismo de solução para conflitos apenas entre ex-casais e filhos. Tem se tornado cada vez mais comum a guarda compartilhada para pets, quando os parceiros dividem a tutela do animal de estimação da família.

O mentor em Marketing Digital Gustavo Bulhões, de 37 anos, terminou um casamento de cinco anos em setembro do ano passado. Entre as pendências para resolver durante o divórcio, a guarda da shitzu Pipoca, de três anos, precisou ser repartida.

De acordo Bulhões, o processo foi simples e bastou uma cláusula no acordo de separação, nomeando os ex-parceiros como tutores de Pipoca. "Foi tranquilo, não exigiu muita documentação. Na hora de redigir o acordo, o advogado incluiu uma cláusula que estabelecia a quantidade de dias na semana que poderíamos ficar com a pet e nós a seguimos", explica.

A pet Pipoca fica com o mentor em Marketing Digital de três a quatro vezes por semana. "Nós fazemos revezamentos para que a Pipoca não fique sozinha. Quando um de nós sai, ela fica com o outro. É um acordo bem flexível e confortável", aponta.

Para Bulhões, a divisão da guarda já foi bem aceita e é tratada com naturalidade. "Foi uma separação tranquila, sem conflitos. Eu busco a pet na portaria e depois levo de volta no outro dia, como diz no acordo. No começo foi um pouco difícil de se adaptar, mas agora é natural", diz.

De início, é normal que o pet estranhe a nova rotina, como foi o caso de Pipoca. "Bem no começo, ela estranhou a casa nova. Mas foi questão de tempo até a pet se acostumar, hoje ela é bem feliz nas duas casas e vive tranquilamente", afirma o mentor em Marketing Digital.

Segundo Bulhões, o pior ponto da divisão da guarda de animais de estimação é o julgamento da família, amigos e colegas de trabalho. "Ninguém entende a situação, tem gente que acha exagero e tira sarro. Já ouvi muitas pessoas me falando pra comprar outro cachorro, para liberar a guarda da Pipoca. A parte mais difícil do processo é a incompreensão", lamenta.

Para o dono da Pipoca, só existe amor e gratidão pela pet, que é insubstituível. "As pessoas pensam que o vínculo é com o antigo relacionamento, mas não é. A ligação com a Pipoca é o que me fez querer dividir a guarda, por todos os momentos bons e ruins que passamos juntos. Um animalzinho como ela, nunca mais vou ter", explica.

A dica para ter uma boa guarda compartilhada após a separação é respeitar o ex-parceiro. "Você precisa manter uma boa convivência e entender que um dia a outra pessoa vai estar em um novo relacionamento e que isso não tem relação com o amor pelo pet, que também não deve ser usado em chantagens. O principal é o respeito e cuidado", ressalta Bulhões.

BUROCRACIA

Desde 2018, tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) projeto de lei que visa regulamentar a guarda compartilhada de animais de estimação após separações. O projeto propõe que, na ausência de um acordo entre os envolvidos, a guarda compartilhada seja uma regra, determinada pela Vara da Família.

Segundo o advogado William Munarolo, de 43 anos, o PL estabelece que o direito ao compartilhamento deve vir acompanhado do dever de contribuir com as despesas do pet. "Embora a guarda compartilhada de pets ainda não seja regulamentada, já é possível recorrer à Vara da Família quando não há acordo entre os dois lados", aponta.

No momento da decisão, o juiz leva em conta a questão afetiva e pode determinar a guarda compartilhada. "Quando não há acordo entre as partes, é estabelecido o tempo que cada um pode ficar com o pet, de acordo com a disponibilidade dos dois tutores", explica o advogado.

Ao contrário do que parece, a guarda compartilhada não atende apenas os tutores. "Os pets também criam vínculos afetivos com as pessoas. A ausência repentina de um membro da família pode causar aos animais estresse, ansiedade e tristeza", diz.

Assim como no caso da guarda compartilhada de Pipoca, é possível os ex-parceiros entrarem em consenso. "Se as partes chegam e um acordo sobre a guarda do pet, não é preciso buscar a Justiça", ressalta Munarolo.

BEM-ESTAR ANIMAL

O veterinário André Antonucci, de 38 anos, afirma que a separação pode gerar crise de ansiedade nos animais. "Alguns pets podem ficar quietos demais e outros podem começar a uivar e latir constantemente. Eles também podem fazer as necessidades em locais errados ou lamber muito as patinhas, se machucando ou baixando a imunidade", aponta.

Os animais em geral se acostumam com a rotina. "Com o tempo, os pets vão se adequando, seja em relação aos horários que os tutores chegam em casa após o trabalho, horário das refeições ou de passeios diários", diz.

É importante fazer o mínimo de alterações possíveis no ambiente e em horários, para que o pet se sinta confortável. "No início, é crucial evitar colocar mais um pet junto. Também deve-se manter a alimentação nos mesmos horários, com brinquedos e camas iguais nas duas casas. Para completar a integração ao novo estilo de vida, passeios ao ar livre ajudam bastante", explica Antonucci.

(Giovana Viveiros)


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