Jundiaí

Em Jundiaí, atletas praticam hipismo por lazer e por competição


COLABORAÇÃO GRABRIELA LUTZ
Nicolás de Vazalía possui boa relação com cavalos desde seus dois anos
Crédito: COLABORAÇÃO GRABRIELA LUTZ

A ligação entre o ser humano e o cavalo não é de hoje, o animal esteve presente em diversos momentos da história da humanidade e no ano de 1900, em Paris, mais um capítulo dessa longa relação foi escrita. O hipismo chegava ao jogos olímpicos, como nova modalidade esportiva, para nunca mais sair.

Em Jundiaí, moradores encontraram nesse esporte uma forma de exercitar o corpo e a mente, tanto de maneira profissional e competitiva quanto para lazer.

Sendo o único esporte olímpico que tem a presença de um animal, o hipismo é dividido em três modalidades: hipismo salto, hipismo adestramento e o Concurso Completo de Equitação (CCE).

Nicolás de Zavalía, natural de San Miguel de Tucumán (Argentina), possui uma relação com cavalos desde os dois anos. "Minha família possui uma fazenda lá na Argentina, dentro de uma vila em que as pessoas andavam muito a cavalo e todos os meus amigos tinham um. Mas foi aos 17 anos que comecei a praticar o hipismo, me apaixonei e continuei a vida toda", afirma.

Zavalía é atleta, instrutor e proprietário de um hípica em Jundiaí. Ele compete pela modalidade de salto, com seu cavalo, o "SL Ilustra". "Competia como amador até meus 35 anos, idade em que vim para o Brasil. Em 2010, eu saí da empresa que trabalhava em São Paulo para viver do que amo, cheguei em Jundiaí, me profissionalizei e abri a hípica", conta.

Segundo o cavaleiro, termo usado para homens que praticam o hipismo, antes da pandemia ele e seus alunos competiam a nível estadual e nacional. "Aqui na hípica, temos quatro atletas que representaram o Brasil em competições sul-americanas. E uma peculiaridade interessante desse esporte olímpico é que homens e mulheres competem de igual para igual dentro das pistas", ressalta.

Zavalía comenta que o cavalo é tão atleta quanto o cavaleiro, portanto, sua preparação deve ser rígida também. "O cavalo precisa trabalhar seis vezes por semana e descansando na segunda-feira. E todos esses dias ele tem um plano de trabalho, que pode mudar de cavalo para cavalo, mas geralmente é um dia de salto e os outros dias de treinamento, um dia força, um dia de submissão e flexibilidade, um dia de musculação, outro de fôlego e outro para espairecer a cabeça", pontua.

Entre as raças de cavalo que competem o Brasileiro de Hipismo costuma ser o mais utilizado. É uma raça de cavalos formada no Brasil, a partir de algumas das mais importantes linhagens europeias.

Para Zavalía, o trabalho da cabeça do cavalo é o mais importante. "Normalmente o animal é selado na cocheira e depois vai para a pista trabalhar. E isso pode prejudicá-lo emocionalmente, portanto, é necessário que o cavalo tenha muitas outras opções no seu dia a dia e assim, ele terá um rendimento melhor", afirma.

Não existe um protocolo de preparo específico para o cavaleiro, mas é importante que ele se mantenha em forma. "Sou um atleta, então, preciso manter uma vida regrada, me alimentar bem, dormir bem e fazer musculação, isso também ira refletir no rendimento das pistas", ressalta Nicolás.

A médica Cynthia Mendes começou a montar em cavalos quando era criança, parou por um tempo e, atualmente, já faz quatro anos que retomou com a prática. "Eu faço por lazer, pelo prazer e pela diversão de montar e ficar com o cavalo. É um momento único para mim", afirma.

Cynthia mora em São Paulo com a família, mas todo final de semana retorna para Jundiaí, sua cidade natal, onde pratica o hipismo. "Todo final de semana trago meus filhos para verem os avôs e aproveito para ir na hípica em que deixo meu cavalo, o Cassinuz, e praticamos os saltos", conta.

Para a amazona, termo usado para mulheres que praticam o hipismo, quem gosta de cavalo acaba se apaixonando pelo mesmo. "As pessoas podem ter um pouco de medo, principalmente pelo tamanho, mas quando você começa a conviver com ele, descobre que é um animal muito dócil. E você vai aprendendo a entendê-lo, o que fazer em cima dele, de maneira que seja algo divertido e saudável, tanto fisicamente quanto mentalmente. É um benefício terapêutico e, para mim, o melhor momento para desestressar", ressalta.

Fábio Moreira Ferreira é cavaleiro, instrutor e dono de outra hípica em Jundiaí. "Comecei há muito tempo, quando ainda era criança, na fazenda do meu avô. Fui pegando gosto e acabei me profissionalizando", conta.

Ferreira compete pela modalidade de salto, junto com seu cavalo, o Calixto Flores, e reforça o preparo mental dos atletas. "Temos que estar muito equilibrados e muito concentrados para termos um bom rendimento, além da confiança, que é a palavra-chave desse esporte. Essa confiança a gente só adquire através do trabalho e dos treinamentos", pontua.

Ferreira também ressalta a importância da relação entre cavalo e cavaleiro. "Nós chamamos essa junção de 'conjunto' e para se ter um bom conjunto, ambos precisam se conhecer e se acostumarem. Um bom cavalo não faz nada sozinho e um bom cavaleiro, sem uma forte conexão com o cavalo, também não faz nada", afirma.

INSTAGRAM

Nicolás: @hipicajundiai

Fábio: @hipicavitoriajundiai

(Lucas Hideo)

 


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