Jundiaí

Saúde começa a atender demanda reprimida da covid

PÓS Ainda muito longe de ser despressurizada, com queda de internações covid, rede volta a atender fila incrementada durante a pandemia


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Os leitos destinados a pacientes com covid-19 são readequados para a demanda geral conforme a ocupação cai
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Com o arrefecimento da pandemia e a queda de mais de 40% na média móvel de casos e de cerca de 30% na média móvel de óbitos em um mês, desde o meio de junho, a demanda pela saúde não diminui. As pessoas que não puderam realizar procedimentos hospitalares no período mais crítico da pandemia agora têm de ser atendidas e a Unidade de Gestão de Promoção de Saúde já aumentou o atendimento da demanda represada e planeja mutirões.

Mas, mesmo com redução de 59% desde abril nos leitos exclusivos para covid-19 no Hospital São Vicente (HSV), referência para a doença no município, há ainda 52 leitos de UTI e 52 de enfermaria. Gestor de Saúde de Jundiaí, Tiago Texera diz que há um plano pós-pandemia para lidar com os pacientes não atendidos. "Essa mudança nos leitos nos faz ampliar o atendimento a outras demandas. Dos oito centros cirúrgicos do São Vicente, três estavam sendo utilizados com leitos de UTI covid, agora vai para um em utilização para este fim, então serão sete disponíveis para cirurgias", explica Tiago, que, com a redução da demanda covid, vê 2022 voltado à equalização do represamento da saúde.

Texera diz que, até o fim do ano, os atendimentos não-covid devem ser agilizados. "Este segundo semestre deve ter um volume maior de atendimentos que os últimos três semestres. Vamos trabalhar, sem dúvida, em regime de mutirões. Temos mais de 4,7 mil pessoas que aguardam cirurgia no Hospital Regional. Quanto mais a pandemia regredir, poderemos avançar no atendimento a toda essa demanda que existe para consultas, exames e, principalmente, cirurgias", diz ele sobre o Hospital Regional, que fazia de 700 a 800 cirurgias por mês e agora faz cerca de 100.

No entanto, além dos leitos livres para as cirurgias eletivas, é necessária verba para a realização de ações do tipo. Quanto a isso, o gestor diz que a Saúde não perderá financiamento após a pandemia. "Em 2020, o governo federal financiou boa parte da pandemia. Em 2021, esse repasse diminuiu, e boa parte do financiamento foi feito pelo município. Passando a pandemia, os custos diminuem, mas não iremos diminuir o financiamento da saúde pública e dos hospitais. Vamos direcionar os recursos para esses atendimentos que precisarão, como as cirurgias eletivas. Não há retirada de verba da saúde."

PROJEÇÃO

Sobre a pandemia, Tiago acha que, no ritmo atual, ela pode ser controlada ainda este ano, a menos que haja interferências, como novas variantes. "Dados apontam que ingressamos na quinta semana de redução dos índices da pandemia. Há uma desaceleração sustentável e nossa expectativa é que continue assim. Hoje, há muitas pessoas internadas na faixa etária de 40 a 59 anos, com a vacinação dessa faixa agora, a tendência é de diminuição. Nos deixa otimistas essa redução semana a semana."

"Mas em países como os EUA, o Reino Unido, voltou a ter aumento de casos, mesmo com boa parte da população imunizada, por conta da variante Delta. As vacinas estão sendo eficazes por enquanto e, se a imunização continuar avançando assim, vamos ter um fim de ano com a pandemia sob controle e o plano de retoma a todo vapor", conta o gestor.

SÃO VICENTE

Diretor clínico do HSV, Frederico Michelino de Oliveira fala que, junto à pandemia, os atendimentos de urgência e emergência estão em níveis pré-pandêmicos e, para mutirões de eletivas, há necessidade de leitos. "Houve redução de atendimentos clínicos eletivos, por causa da capacidade de leitos. Uma parte do centro cirúrgico foi adequada com leitos covid. Com a diminuição das internações por covid, a gente pode pensar na retomada dessas cirurgias, cada especialidade tem uma lista de prioridade e a gente vai remarcando para a realização no São Vicente e no Santa Elisa, que nos disponibilizou o centro cirúrgico. As cirurgias prioritárias não pararam, continuaram sendo feitas."

Em Jundiaí, o Hospital Regional também foi um importante instrumento para que não houvesse falta de leitos nos piores meses da pandemia, como diz Frederico. "Ainda não houve diminuição da capacidade do Regional para nós, são 12 leitos de UTI e cerca de 60 de enfermaria. E, mesmo com a diminuição de internações no São Vicente, ainda estamos longe da normalidade. São 70 a 80 pessoas internadas com covid todo os dias, metade da capacidade do hospital, que tem cerca de 140 leitos. Então, diariamente, há transferências para o Regional. Sem o Regional, a gente não teria passado por essa pandemia com êxito."

 


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