Jundiaí

Intérpretes de Libras são personagens essenciais durante missas e cultos

Intérpretes se tornam a 'segunda voz' durante a cerimônia religiosa, atraindo mais fiéis


            ALEXANDRE MARTINS
A pedagoga Daniele dos Santos é intérprete da Bola de Neve, em Jundiaí, e se aprofundou mais em curso oferecido pela igreja
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) não é mais considerada uma forma de comunicação apenas para um grupo específico. A modalidade ganhou adeptos que se especializaram para ser voluntários em diferentes áreas, inclusive nas missas e cultos.

Os intérpretes se tornam a 'segunda voz' durante a cerimônia religiosa atraindo ainda mais os fiéis que querem participar do culto.

A pedagoga Daniele Cristina Arruda dos Santos é intérprete da Bola de Neve, em Jundiaí, e conheceu mais sobre a linguagem quando participou de um curso oferecido pela igreja.

"Atualmente temos três surdos que frequentam a igreja, mas, além deles, estamos transmitindo os cultos pelo Facebook e pelo Instagram e muitas pessoas podem assistir ao culto", explica.

A pedagoga conta que essa forma de inclusão começou quando uma pessoa surda visitou a igreja e alguém precisou escrever no caderno para ela conseguir acompanhar. "Depois deste episódio foi criado o Ministério dos Surdos. Os responsáveis realizaram cursos de Libras e começaram a oferecer dentro da igreja também. Somos em 10 intérpretes que se revezam nas transmissões, sendo quatro por escala, dois para o Louvor e dois para a Palavra", pontua.

PASTORAL

De acordo com o padre Marcelo Augusto, assessor diocesano da Pastoral do Surdo da Diocese de Jundiaí, o trabalho realizado pelos 'leigos', termo utilizado para se referir aos intérpretes e aos voluntários da Diocese, alcança diversos segmentos e eventos das igrejas que fazem o requerimento do serviço, como as missas, as catequeses, os cursos de noivos, entre outros.

"É algo muito bonito, pois a linguagem brasileira de sinais ajuda a levar a palavra de Deus, a espiritualidade e a fé para os surdos, quebrando essa barreira da dificuldade auditiva. O intérprete se torna esse porta-voz da palavra, com um compromisso evangelizador e fazendo da igreja um lugar, cada vez mais, acolhedor. Atualmente, a Diocese conta com cerca de 20 intérpretes que se revezam para cobrir as demandas solicitadas na Pastoral do Surdo", ressalta.

A pedagoga e coordenadora diocesana da Pastoral do Surdo, Juçara de Sousa, explica que o grupo já tinha a preocupação de tornar possível de implantar este trabalho na igreja e a pandemia apenas antecipou o sonho. "Tivemos uma mudança na vida pessoal e na comunidade", comenta.

Para Leticia Zamiqueli, formada em Recursos Humanos, o curso de Libras que fez na Paróquia Cristo Redentor foi importante para se tornar voluntária de outras unidades.

"Depois que comecei não consegui mais parar. É um serviço muito importante por causa da inclusão e a pastoral cresceu muito na pandemia por causa das lives e missas on-line, aumentando o número de procura", afirma.

A pastoral que faz parte está responsável por quatro igrejas, mas, por ser diocesana, onde houver requerimento eles irão atender, seja dentro ou fora de Jundiaí. "Estamos fixos na Paróquia Cristo Redentor, na Paróquia São José Operário, na Paróquia Beato Frederico Ozanam e na Paróquia Santo Antônio, em Campo Limpo Paulista. Os intérpretes revezam tanto no presencial quanto no on-line, pelo Facebook e pelo Youtube, seja em trio ou em dupla", pontua.


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