Jundiaí

Jundiaí ainda não adere às aulas presenciais

EDUCAÇÃO Apenas para o próximo ano é esperado que as aulas retornem com a presença total de alunos


                  ALEXANDRE MARTINS
Isabela Leal enviará Gabriel à escola no retorno do próximo mês
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Jundiaí deve prosseguir com o ensino híbrido em agosto, após retorno das férias, conforme adiantou a Unidade de Gestão de Educação (UGE). Entretanto, informação exclusiva do JJ aponta que um edital está sendo realizado para que as aulas presenciais retornem ainda no segundo semestre. As regras ainda estão sendo estudadas.

Já a rede particular, assim como a estadual, teve autorização do governo paulista para voltar das férias com 100% de ocupação em agosto, seguindo ainda os protocolos necessários.

Independente da forma de retorno, os pais já se organizam para o retorno das férias. Mandar ou não os filhos ao presencial é questão de tempo.

A jornalista Isabela Leal, mãe de Gabriel, de 12 anos, já pensa em mandá-lo à escola no próximo mês. "Apesar do esforço da escola, acho que o tempo fora da escola já foi de muita perda. Ele vai mais ganhar do que perder indo à escola. É um espaço para aprender também a socialização, o autocuidado, a solidariedade. É necessário interagir com os amigos, sair da interação monótona entre a criança e a tela do computador."

Isabela diz que sempre respeitou à risca os cuidados sanitários. "A última vez que ele pisou na escola foi no dia 14 de março do ano passado. Eu respeitei a pandemia, respeito a ciência e sou temerosa ao vírus, mas acho que agora é o momento de ter essa volta. Ele conseguiu se adaptar bem ao on-line e acho que a perda que ocorreu já era esperada, mas foi menor do que eu imaginava."

A microempreendedora Susana Adoni, mãe da Maria Olívia, de sete anos, do Emanuel, de cinco, e do Caetano, de dois anos, ainda está decidindo quanto ao retorno dos filhos.

"A Olívia está em férias, mas já recebemos um e-mail para escolher se queremos mandá-la ou não ao presencial no retorno, mas não conseguimos decidir ainda se ela vai ou não. Em casa, todos os adultos já tomaram a primeira dose, então estamos um pouco mais tranquilos", diz ela sobre a ponderação.

Susana acredita que a volta será positiva para a filha. "O colégio é integral, então acho que está um pouco puxado ficar tanto tempo no computador. Não vejo dificuldade na questão pedagógica com ela, acho que ela precisa mais da interação. Tem crianças que já estão no presencial e ela sente falta dessa interação."

Já com a filha Beatriz, de sete anos, indo à escola, a líder da comunidade Mães de Jundiaí, Lívia Haddad, fala que decidiu pela volta neste ano letivo. "Este ano eu e o pai dela optamos por mandá-la à escola. Em janeiro, ela tinha voltado ao presencial, mas com a piora da pandemia, ela ficou em casa por dois meses, depois voltou ao presencial."

Lívia diz que a filha precisava de interação após o período de isolamento. "No caso da Bia, a autonomia dela em aula on-line foi positiva, não tivemos problema, mas ela é filha única, não tinha interação com outras crianças, então a volta ao presencial foi mais necessária por isso. Percebo que agora ela já dorme melhor, melhorou a saúde mental."

INCLUSÃO

Para Altiere Carvalho, doutor em Neurociência e Comportamento e coordenador da pós-graduação em Psicopedagogia no Centro Universitário Padre Anchieta (Unianchieta), embora haja planos para o retorno presencial e aderência a ele, as aulas on-line devem continuar. "Imagino que muitas escolas possam disponibilizar aulas on-line. Essa tecnologia surgiu na pandemia e vai revolucionar o sistema de ensino. Acho que é algo que deve continuar sendo utilizado na posteridade."

Carvalho acredita que a volta às aulas será boa neste momento. "Creio que ela seja benéfica, até pela dificuldade de algumas crianças no ensino remoto, pela dificuldades que algumas têm para ter acesso a uma rede de internet. Presencialmente, elas podem ser melhor atendidas. Muitas têm também a distração em casa, desligam a câmera e fazem outras coisas, algo que na escola não costuma acontecer", conta ele, concluindo que o retorno tem mais ganhos do que desvantagens, sobretudo para o nível educacional.

GESTÃO

A Unidade de Gestão de Educação informa que segue o Plano São Paulo de retomada às aulas da rede municipal de ensino e também as orientações do Comitê de Enfrentamento do Coronavírus (CEC). Com relação à ampliação das aulas presenciais, a UGE trabalha na normativa que definirá este retorno.

A UGE informa ainda que vem desenvolvendo o programa Estudo é Tudo para alunos com dificuldades de aprendizagem e trabalha em um projeto de reforço.

 


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