Jundiaí

Infarto feminino tem relação com estresse e questões emocionais

SAÚDE MENTAL Divididas entre múltiplas tarefas, mulheres podem se sentir sobrecarregadas e estado emocional abalado influencia doenças do coração


             ALEXANDRE MARTINS
A aposentada Marli Iacopini gosta de fazer caminhada todas as manhãs
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Problemas cardíacos matam 16,13% das mulheres, segundo dados do DataSus. Apesar de mais comum em homens, o infarto é igualmente perigoso para mulheres e pode ser o primeiro passo para entrar em um novo estilo de vida mais saudável, priorizando a saúde mental.

A aposentada Marli Aparecida Gonçalves Iacopini, de 66 anos, sofreu um infarto em 2018. No episódio, ela e o neto de 3 anos caíram de um barranco muito alto. "Aquela situação assustadora foi o pico do estresse que eu vivia no período. Com alguns problemas familiares, passar por aquele momento não fez bem para o meu coração", diz.

Marli tem um histórico familiar que justifica o incidente. De seus quatro irmãos, três já sofreram infarto e seu pai faleceu disso. "Sabendo desse histórico, eu já fazia caminhada e tinha uma boa alimentação, mas aconteceu mesmo assim", aponta. "Não me considero uma pessoa naturalmente estressada, acredito que foi o período. Hoje eu sei que o estresse pode ser muito pior do que a doença em si", explica.

Além do acompanhamento a cada seis meses com cardiologista, Marli faz uso de medicamentos, mantém a caminhada matutina e cuida de sua saúde mental. "Na minha chácara em Jarinu passo o tempo cuidando de plantas e fazendo artesanato, entre outras atividades. A qualidade de vida aumentou e me sinto bem melhor", afirma.

Marli é o exemplo de que o infarto pode ser superado com hábitos saudáveis e saúde emocional estável. "Levo uma vida normal de dona de casa, mãe e avó. Hoje eu vivo bem, tento ficar mais tranquila e pensar menos nas preocupações", diz a aposentada.

MULHER MULTITAREFAS

A cardiologista Célia Regina Pellicciari Galeotti, de 58 anos, afirma que o infarto é mais comum em homens, mas revela que isso mudou com o passar dos anos. "A mulher passou a trabalhar fora, ter mais estresse, fumar e ser mais sedentária ao dirigir para se deslocar, e essa mudança de hábitos tem a ver com o infarto", explica.

O infarto é uma combinação de diversos fatores. "Essa doença multifatorial reúne vários causadores, como a hipertensão, o sedentarismo, diabetes, fator familiar e outras questões", afirma.

O estresse e a ansiedade da mulher são avaliados pelo cardiologista. "Dependendo do grau de estresse, a paciente é encaminhada ao psicólogo", diz Célia.

Apesar de mais perigoso e fatal em jovens, o infarto prejudica mais os idosos e idosas com comorbidades. "É comum que o paciente de mais idade tenha outras doenças, o que pode ser mais prejudicial após o infarto", aponta.

CUIDADOS

Quem sofre um infarto pode estar sujeito a outro, mas isso não é regra. "É comum que o paciente tenha uma doença arterial com vários vasos prejudicados e isso aumenta a chance de ter um infarto de novo. Se a lesão for única, a chance diminui conforme o tratamento", diz.

Os remédios variam conforme o perfil do paciente. "Não existe regra fixa para medicar, depende da doença associada ao infarto. Alguns precisam de tratamento mais intensivo, controlando a pressão, diabetes, colesterol e até mudando o estilo de vida", afirma.

Essa mudança no estilo de vida é uma combinação de hábitos que ajudam na prevenção do infarto e de outras doenças, tanto para homens quanto para mulheres. "É importante diminuir o consumo de alimentos gordurosos, frituras e doces. Ter um estilo de vida mais saudável inclui a prática esportiva e deixar de fumar e beber", aponta.


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