Jundiaí

Fechamento de ruas no Jardim Ipanema gera divergências

Enquanto uma parcela aprova a decisão, outros acreditam tratar de ilegalidade


DIVULGAÇÃO
A pedido de moradores do bairro, a rua Clarindo Roque foi totalmente fechada para passagem
Crédito: DIVULGAÇÃO

Moradores do Loteamento Jardim Ipanema, próximo ao Jardim Copacabana, em Jundiaí, divergem sobre o fechamento total das ruas Mário de Oliveira e Clarindo Roque, além de algumas vielas no entorno como forma de garantir mais segurança ao bairro, alvo de frequentes assaltos.

Enquanto uma parcela aprova a decisão, inclusive com reuniões prévias e ajuda na execução da obra, outros acreditam ser ilegal. O JJ recebeu um documento de 'solicitação para verificação de legalidade sobre fechamento', mas o autor não quis se identificar.

Morador do bairro há 10 anos, Adenor Perazzo, de 73 anos, faz parte da Associação de Moradores e relata que tudo foi feito dentro da lei, inclusive com projeto autorizado pela prefeitura.

"Nós da Associação de Moradores realizamos várias votações no bairro e essa pauta está sendo discutida há uns cinco anos já, mas só agora conseguimos essa formalização e aprovação da prefeitura", afirma Perazzo.

Ele relata que sua residência e a de um vizinho foram as únicas do quarteirão que não foram roubadas. "Temos que ter segurança. Queremos viver com mais tranquilidade. Então começamos todos esse processo para termos apenas uma rua de entrada e saída do bairro, com portaria, como se fosse um condomínio, mas com a liberdade das pessoas irem e virem a vontade", completa.

O coordenador de produção e morador do bairro há oito anos, Valdecir Similli, paga uma mensalidade de R$ 150 para bancar os custos de mão de obra e dos materiais. "Sei que tem gente que não concorda, mas no final todos irão se beneficiar pois os assaltos estavam ocorrendo com muita frequência e isso irá ajudar muito na segurança de nossos lares", ressalta.

CONTESTAÇÃO

Em documento enviado à redação do JJ, sem identificação do autor, alguns questionamentos são relatados sobre o fechamento, entre eles, a dificuldade de acesso dos pedestres para o bosque público que fica entre a rua Gilberto Pereira de Souza e a rua Maria de Lourdes Rodrigues; o aumento do fluxo de veículos na avenida Antonio Barchetta, oriundos da Vila Santa Clara com destino ao Jardim Copacabana, e a falta de informação por parte da administração pública sobre a interdição das vias.

Procurada, a Unidade de Gestão de Planejamento e Meio Ambiente (UGPUMA), informa que o fechamento de vias é permitido, de acordo com a Lei nº 8.758.

No caso do Jardim Ipanema, o fechamento das ruas foi objeto de solicitação de moradores motivada por questões de segurança, pois várias residências foram assaltadas a mão armada, conforme boletins de ocorrência anexados ao pedido.

A proposta pretendida pelos moradores atendia as condições previstas no Decreto de Regulamentação que detalha as condições para a concessão da autorização para o fechamento.

Para o advogado João Batista Rosa, morador do bairro há nove anos, ter segurança é questão de prioridade. Ele já teve a casa assaltada.

"Os ladrões começaram a forçar e conseguiram estourar o portão. Foi tudo gravado pelas câmeras de casa e do meu vizinho. Eles tinham um taser de choque e aplicaram no meu cachorro e começaram a forçar a porta de casa. Quando meu vizinho percebeu, chamou a polícia, mas era tarde demais. Eles entraram em casa, quebraram a costela da minha esposa com chutes e levaram muitos pertences", conta.

De acordo com Rosa, a partir desse momento e também por causa da demora do atendimento da delegacia, ele e sua esposa começaram a correr atrás para melhorar a segurança do bairro. "Foi um longo processo, muitas reuniões com os moradores e na Câmera Municipal, mas enfim, conseguimos a autorização para o fechamento das vias e o mais importante, tudo dentro da lei", afirma.

(Lucas Hideo)

 


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