Jundiaí

Santa Gertrudes está na 12ª colocação de casos de covid-19 em Jundiaí

Em Jundiaí, a quantidade de casos está alta, devido à circulação de variantes do vírus


                 ALEXANDRE MARTINS
A cabeleireira Maria Angélica de Souza Dorti conta que as pessoas tentavam até entrar sem máscara em seu salão
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O boletim diário de covid-19 em Jundiaí tem seguido um padrão de óbitos em baixa, mas com casos em alta, com média superior a 100 registros por dia. Nesta quinta foram 114 novos casos chegando a 447 casos ativos.

O Jardim Santa Gertrudes é o 12º com mais casos registrados de covid-19 em Jundiaí desde o início da pandemia. São 1464 casos, 47 óbitos e oito casos ativos no local.

Segundo o infectologista Roberto Focaccia, este índice alto de casos em Jundiaí se deve à variante delta, a qual teve um caso confirmado em Jundiaí na última terça-feira (10). "O vírus dessa variante se replica mil vezes mais que o coronavírus comum, então a transmissão é maior e os casos aumentam proporcionalmente, mas essa variante não é mais agressiva."

Focaccia diz que o aumento no registro de mortes de idosos se deve à cobertura imunológica das vacinas. "Os idosos com comorbidade estão morrendo mais, provavelmente porque as vacinas não são tão eficientes e os anticorpos caem ao longo do tempo. Deveríamos estar tomando uma terceira dose, mas a maior parte da população precisa tomar a primeira dose ainda."

O médico conta que a delta, mesmo mais transmissível, ainda é abrangida pela vacina, mas o risco de novas variantes surgirem com a retomada cada vez mais flexível assusta infectologistas. "O vírus é sensível aos anticorpos da vacina. O problema da delta é que ela se dissemina mais. O risco é o surgimento de novas variantes, por isso se recomenda manter os cuidados preventivos."

INTERNAÇÕES

O gestor de Saúde de Jundiaí, Tiago Texera, diz que os indicadores de ocupação de leitos vêm em queda na cidade. "Estamos há oito semanas consecutivas em queda nos indicadores da pandemia no que tange as internações. Novas internações por dia e a média diária de pacientes ocupando um leito. Cada vez menos tem pessoas desenvolvendo a forma grave da doença e necessitando de um leito em Jundiaí."

Texera explica que o número de contaminados vem em uma estabilização alta, mas menor que na segunda onda. "o número de contaminados está entre 800 a 1000 pessoas por semana, também caiu bastante quando comparado à segunda onda que eram mais de 2000 pessoas por semana. O vírus continua circulando no município. O que acontece é que devido à vacinação, que vem avançando cada vez mais por faixa etária, menos pessoas desenvolvem a forma grave da doença."

NA LISTA

Quem mora no Santa Gertrudes, de modo geral, percebe que o coronavírus já não assusta a maior parte da população. A cabeleireira Maria Angélica de Souza Dorti conta que as pessoas tentavam até entrar sem máscara em seu salão.

"O bairro é populoso, movimentado e as pessoas saem sem máscara. Às vezes querem entrar aqui sem máscara. Digo que não pode. Mesmo no auge da pandemia, tinha muita gente que não estava se cuidando. Depois que o pessoal tomou a primeira dose, acha que está tudo bem."

Maria diz que teve muito medo da covid-19. Não trabalhei no ano passado porque estava grávida. Tinha muito medo. Depois de um tempo sem sair de casa, vi na rua que ninguém estava tomando cuidado."

Desempregado, Antonio Carlos Dlaqua é morador do bairro e diz perceber respeito aos regramentos sanitários no local. "Na minha opinião, o pessoal está respeitando. Quem sai de casa, costuma sair com máscara. Aqui, a UBS [Unidade Básica de Saúde] também fez uma campanha boa de conscientização da máscara."

Já a auxiliar de movimentação, Thalya Mafra, conta que não vê respeito. "O que tem de festa e churrasco não está escrito. Em bar sempre tem som alto e muita gente na calçada, principalmente de fim de semana, e nunca vi fiscalização por aqui."

Faxineira, Anadilza Souza diz que quase não sai de casa, mas vê problemas no bairro. "Eu e meus filhos só saímos de casa para ir trabalhar e ir na farmácia. Vejo aglomeração principalmente dentro dos ônibus lotados e o pessoal ainda anda com a máscara abaixada."

 


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