Jundiaí

Captação de órgãos cresce 171%, em relação a 2020

TRANSPLANTES O número de 2021 também é maior que o de 2019, quando ainda não havia pandemia


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Com a covid, há mais espera para a captação de órgãos, o que muitas vezes resulta em desistência da família doadora
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A captação de órgãos em Jundiaí tem ido na contramão dos dados brasileiros que registram queda de 13% na doação por conta da pandemia. Segundo o Hospital São Vicente de Paulo (HSV), referência na captação de órgãos na Região, este ano foram 38 órgãos foram captados, contra 14 no mesmo período do ano passado, o que significa um aumento de 171%.

Os mais evidentes foram córnea, rim e fígado. Quanto aos órgãos mais captados em 2019, destaque para rim, fígado e córnea, respectivamente, assim como em 2020.

Sobre a fila de transplantes, o HSV informou que a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo tem este dado. Segundo a secretaria, não há dados regionalizados.

Segundo a enfermeira da Comissão Intra Hospitalar de Transplante (CIHT), Thais Fernanda da Rocha Santos, o hospital realiza a captação, mas os órgãos são encaminhados para outros hospitais para transplante.

"A gente faz só a doação, não fazemos transplantes. No começo da pandemia pararam os transplantes e captações até para se organizar frente à doença porque tudo era novo."

Posteriormente, com a retomada das captações, os exames adicionais para covid fizeram algumas pessoas desistirem. "Se a família aceita a doação, fazemos os testes sorológicos, mas, por conta da covid, há uma nova logística. O resultado para a liberação da captação saía em seis horas, agora demora oito horas."

Com as duas horas a mais para a liberação do corpo, algumas famílias desistem da doação. "As pessoas não têm receio do processo, mas agora tem a questão do tempo. A família prefere não esperar os exames. A liberação do corpo demora 24h a 48h e algumas famílias não querem esperar mais para o sepultamento, e tem quem não doa porque a pessoa não queria mesmo."

"A central de transplantes tem a regionalização de órgãos, mas nada impede a transferência para outros estados. "Hoje são realizados vários exames no doador, se tiver alteração, vai aparecer no exame e não há captação. Nunca é feita a captação de órgão inviável ou se não tem onde pôr."

SAÚDE

No estado de São Paulo são pelo menos 13.632 pacientes aguardando um transplante de rim, 3.528 de córneas, 354 de fígado, 142 de coração, 107 de pulmão e 14 de pâncreas.

A quantidade de transplantes neste ano é maior que a de 2020, mas menor que de 2019. A Central de Transplantes de São Paulo informa que, até 31 de julho de 2021, foram realizados 4.262 transplantes no estado. Em 2020, no mesmo período, foram 2.952 procedimentos deste tipo, contra 4.870 em 2019.

NA CONTRAMÃO

Apesar de a taxa de notificação de potenciais doadores de órgãos ter aumentado 13% no primeiro semestre de 2021, a taxa de doadores efetivos caiu no mesmo percentual (13%).

Segundo os dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), essa queda se deve à perda de 24,9% na taxa de efetivação da doação. O que explica essa queda é o aumento de 44% na taxa de contraindicação, em parte pelo risco de transmissão de covid-19 ou pela dificuldade de realizar o teste por PCR para a detecção da doença ou de obter um resultado rápido.

PROTOCOLOS

Por conta da pandemia, medidas de segurança e novos protocolos foram adotados para a realização dos transplantes. Há triagem clínica de potenciais doadores, com testagem para covid-19.

Conforme diretriz do SUS, pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos.

COMO DOAR

A doação de órgãos deve ser consentida e quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar a família sobre esse desejo.

No caso dos falecidos, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até 2º grau de parentesco. A Central de Transplantes reforça a orientação de que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos, pois isso facilita a tomada de decisão.

Credito: Divulgação / Descrição: Thais Fernanda da Rocha Santos, enfermeira da Comissão Intra Hospitalar de Transplante (CIHT)


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