Jundiaí

Setor de papelaria investe em outras demandas para se manter ativo

PREJUÍZOS Com mais de um ano de pandemia, papelarias permanecem em situações difíceis e tentam se adaptar para não precisarem fechar as portas


JORNAL DE JUNDIAI
Edmilson Rodrigues Alves afirma que passou a vender doces para ampliar a receita
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

Mesmo com o retorno das aulas presenciais em Jundiaí, papelarias permanecem com dificuldades de vendas, chegando a registrar até 70% de queda durante a pandemia. Assim, os estabelecimentos procuram se adaptar aos novos tipos de demanda e buscam adquirir outros produtos para não irem à falência.

Para Edmilson Rodrigues Alves, proprietário há 16 anos no Vianelo, está ficando complicado manter o negócio. Para não fechar as portas colocou à disposição dos clientes balas, chicletes e doces.

"Tive que comprar outras coisas como chicletes, balas e doces industrializados para ajudar com a renda da loja e pelo menos conseguir pagar as contas. A papelaria que aguentar esse ano, terá boas chances de se manter futuramente. O ramo da papelaria está acabando, porque dá pra encontrar esses materiais em qualquer lugar hoje em dia. Então, precisamos ter pé no chão e entender a realidade", lamenta.

Durante o período mais crítico da pandemia, contou com a fidelidade de alguns clientes. "Fiz meus esquemas e consegui me virar quando estava tudo fechado, principalmente graças à uma clientela fixa, que sempre vinham comprar comigo, mas hoje em dia está bem difícil", afirma.

Segundo Alves, a volta às aulas não movimentou o setor como era o esperado. "O pessoal compra só o que precisa e olhe lá. Não tem mais aquelas listas gigantes de produtos, pois já devem ter muita coisa em casa. Por isso, não dá mais para trabalhar com estoque também, reponho o que vendo. Além disso, os materiais estão vindo bem caros das fornecedoras e, infelizmente, preciso fazer os repasses", comenta.

PERDAS

Para Élio da Silva Souza, gerente de uma papelaria do Centro, o retorno das aulas deram uma melhorada nas vendas, mas nada comparado ao que era antes da pandemia. "O que nos sustentou nesse período complicado foram as parcerias com empresas que compravam muitos materiais de escritório como sulfites, envelopes, canetas e lápis, as vendas on-line também ajudaram, mas a venda para o consumidor tradicional, como os pais de estudantes, ainda é fraca".

De acordo com Souza, as vendas caíram em torno de 70% no começo da pandemia, portanto, permanecerão cautelosos até o final do ano. "Acredito que no próximo ano o setor irá voltar com tudo, mas até lá, precisamos tomar cuidado. Nossos estoques duram até um mês no máximo, pois não vale a pena o risco", explica.

Segundo Willian Eduardo de Souza, gerente de uma papelaria no Centro, houve uma mudança de demandas no estabelecimento. "Os clientes não estão mais comprando materiais de papelaria em si. Agora procuram pelo serviço de impressão de documentos. Estamos sobrevivendo, basicamente, com essa função de xerox e com as vendas virtuais", pontua.

Para Souza, não há muitas estratégias para atrair mais clientes, devido os próprios fornecedores renovarem seus produtos. "Perdemos muitas parcerias, principalmente com as escolas e começamos a investir no e-commerce, mesmo estando em uma boa localização. De cada 100 pessoas que passam aqui, 99 são para usar a impressora", ressalta.

Apesar das dificuldades, Souza está com expectativas de um aumento das vendas até o final do ano. "Espero crescer em torno de 30% de vendas, mas caso fique do jeito que está, estamos pensando em começar a vender outras coisas, como produtos de maquiagem por exemplo, para não fecharmos as portas", conta.

 


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