Jundiaí

Jundiaí registra média diária de 120 novos casos de covid-19

Os testes são feitos em pessoas com síndrome gripal em unidades públicas, laboratórios e na rede privada


                                ALEXANDRE MARTINS
RAFAEL BRAGA
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Mesmo com uma média diária superior a 120 casos positivos, Jundiaí registrou em julho queda no índice de positivação, em comparação ao mês de março, quando houve o pico da pandemia. As internações, em especial dos idosos, continuam em queda.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Jundiaí, na última semana, dos dias 11 a 17, foram 878 casos, média de mais de 125 por dia. Na semana anterior, dos dias quatro a 10, foram 889, média de 127 por dia. Ou seja, há uma certa estabilidade, mas com número elevado de infecções.

Os testes são feitos em pessoas com síndrome gripal em unidades públicas, laboratórios particulares e na rede privada. Segundo a Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), 26% dos testes para covid-19 realizados em julho deste ano deram positivo, o que significa 1.315 dos 4.901 realizados.

Já em março, foram 9.773 exames realizados, sendo que 3.800 deram positivo, o que significa 38%, ou seja, ainda que haja muitos registros, o índice de positivação vem caindo.

Foram atendidas 2.042 pessoas com síndrome gripal entre os dias 18 e 24 de julho, 1.970 entre 25 e 31 de julho e 1.985 na semana de um a sete de agosto. Na última semana, de 8 a 14 de agosto, foram 2.039.

Desde o início da pandemia até o dia 7 de agosto foram feitos 97.215 testes para covid-19 na rede pública de Jundiaí, desses, 28% positivaram. Há, porém, a rede privada de saúde que também atende casos e faz testes de covid-19.

SINTOMAS

No Pronto-Atendimento para covid-19 da Vila Hortolândia, que funciona no Centro de Convivência do Idoso, Rafael Braga, de 31 anos, foi fazer o RT-PCR após sintomas. "Venho pela primeira vez. Tive sintomas e fiz a coleta para o exame com o cotonete. Foi rápido aqui, tem bastante cadeira, mas poucas pessoas."

Já Roseli Busato, de 63 anos, já teve covid-19 diagnosticada. "Segunda vez que venho aqui para fazer teste. Há seis meses tive covid e agora tive tosse, canseira, febre, dor de cabeça e falta de ar e fiz o PCR. Desta vez estava mais vazio e o atendimento está excelente, bem melhor do que antes", conta.

Cristiany de Jesus Pereira Silva, de 37 anos, levou a filha Rayssa, de 16, para fazer o teste. "Já vim aqui no começo de julho e estava com sintomas. Na época, a médica que me atendeu só me receitou dipirona e pediu para eu voltar se a dor de cabeça não passasse. Agora, a Rayssa está com sintomas e fez a coleta do PCR. No dia que eu vim, era domingo, mas não estava cheio, estava mais tranquilo que hoje."

TENDÊNCIA

O pediatra e professor doutor em virologia, Saulo Duarte Passos, diz que a alta de casos sem complexidade tem a ver com o avanço da vacinação. "A variante delta tem reprodutividade grande, infecta mais e transmite mais. A vacinação já tem eficácia comprovada para a forma grave, hospitalização e mortalidade. Como as pessoas mais velhas já tomaram a vacina, os mais jovens são mais infectados, mas têm a imunidade melhor. Não tem tanta mortalidade."

No dia 10 deste mês, a prefeitura divulgou o primeiro caso da variante delta em Jundiaí, com esta variante, a quantidade de casos costuma aumentar.

O médico explica que a transmissão pode aumentar mais com as flexibilizações, por isso o cuidado não pode parar. "A abertura é benéfica, mas se não tiver o controle, a taxa de transmissão aumenta. Alguns países já têm a terceira dose, Israel, Chile. O Ministério da Saúde tem alertado sobre a necessidade da terceira dose, que deve ser uma possibilidade de controle da doença."

Saulo explica que os regramentos sanitários, mesmo com a vacinação, devem continuar. "Cuidados como máscara, álcool em gel e distanciamento vão fazer parte do nosso cotidiano por um bom tempo, até que se consiga uma vacina mais eficaz, pelo menos."

REGISTROS

Em Jundiaí, as internações de pessoas com mais de 60 anos caíram 22% em junho e julho quando comparadas ao mesmo período do ano passado. Neste ano, nos dois meses, 36% das internações são de maiores de 60 anos e 64% de menores de 60 anos.

Em contrapartida, a quantidade de pessoas jovens infectadas vem sendo maior, o que faz com que não haja tanta internação, mas haja alto registro de casos.

Ainda segundo o boletim, em março deste ano, cerca de 6,7% dos infectados tinham entre 0 e 19 anos, 41,9% de 20 a 39 anos e 36% de 40 a 59 anos. Neste mês, a parcela infectada de 0 a 19 anos subiu para cerca de 7,4%, de 20 a 39 anos caiu para 41,5% e de 40 a 59 anos representa 36,4%. Em suma, menores de 60 anos agora são 85%, eram 84% em março e 78% em junho do ano passado, o pior mês de 2020.

 


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