Jundiaí

Na volta ao trabalho, novas formas de serviços

FLEXIBILIZAÇÃO Não só empresas como profissionais começaram a notar as vantagens de prestar serviço


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Gabriela Cyrillo apostou em trabalhar por conta própria e gostou da opção
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Os modelos de contratação trabalhista vêm sofrendo mudanças com a pandemia. Tanto porque as empresas estão se adaptando a opções de terceirização de serviços, mais baratas do que a contratação direta, quanto por iniciativa dos próprios trabalhadores, que cada vez mais enxergam vantagens em não estar atrelado às demandas que uma vaga celetista exige.

Pesquisa promovida pela FGV-IBRE aponta que mais de 75% dos empresários do setor de comércio e serviços pretendem continuar com operações parcial ou totalmente a distância. "Isso ocorre principalmente nesses setores tanto por terem sido mais afetados com a pandemia, quanto pela capacidade de flexibilização", explica Rodolpho Tobler, pesquisador e economista do FGV-IBRE.

De acordo com ele, o Brasil tem uma fatia de mercado mais engessada, que não é facilmente adaptável ao home office, como a indústria, agropecuária e agricultura. "Ainda assim, nessas empresas já há alterações no sentido de flexibilizar pelo menos os setores administrativos."

É nesse grupo que Tobler acredita que pode haver crescimento da prestação de serviços terceirizados. "Esse é um processo que vinha se desenvolvendo de forma lenta no nosso País e que, com a pandemia, está sofrendo uma aceleração. Muitos estão entendendo que a contratação de serviços pode ser mais vantajosa financeiramente do que manter funcionários internos para cada área."

Serviços como contabilidade, tecnologia da informação, administração, recursos humanos, comercial, consultoria jurídica, marketing e outros devem estar na linha de frente dos que poderão ser mais flexibilizados. A análise é da advogada especialista em Direito do Trabalho, Karolen Gualda Beber. "O trabalho híbrido, por exemplo, não é só bem-vindo como aguardado, tanto para as empresas, que enxergam nessa modalidade a possibilidade de economia de custos e manutenção de talentos, como para os trabalhadores, que conseguiram se adaptar à rotina do home office de maneira que não querem mais abrir mão da qualidade de vida que essa modalidade proporciona."

FASE EXPERIMENTAL

Para Vânia Mazzoni, diretora de Recursos Humanos do Ciesp Jundiaí, esse é um processo ainda em fase experimental. "Essa aptidão tem sido construída e experimental através de vário modelos que até agora ainda não deram tão certo. Os trabalhos flexíveis, híbridos ou home office exigem muito mais dos envolvidos. É preciso disciplina e segurança emocional para evitar a sobrecarga na jornada, e falta de limite entre o trabalho e os demais aspectos da vida", avalia.

Ainda assim, acredita que as empresas estejam menos receosas e em processo avaliativo para entenderem os prós e contras desta estratégia de flexibilização tanto de modo de operação, quanto de modo de contratação. "As empresas estão avaliando qual a forma mais saudável desta prática e testando novos modelos. Percebo uma melhor acomodação neste momento."

De modo geral, a diretora enxerga nisso um aspecto positivo da pandemia. "Algumas formas de realizar atividades perderam o sentido, e não serão retomadas."

MAIS LIBERDADE

A professora e, agora, empresária Gabriela Cyrillo, 30 anos, precisou se adaptar à pandemia. Como educadora física, ela tinha turmas de aula de Pilates em condomínios que precisaram ser suspensas por mais de um ano. "Eu me vi com mais tempo livre e também precisando me virar", conta.

Foi assim que ela resgatou um hobby antigo, costurar, e o uniu a outro hobby, o de decoração do lar. "Eu fiz um curso de etiqueta e protocolo e comecei a montar mesas postas acessíveis a todas as pessoas."

Em seu Instagram, criou uma caixa trimestral com peças escolhidas e costuradas por ela. "Foi um sucesso. Hoje tenho 70 assinantes das minhas caixas e já precisei recorrer a mais três costureiras para me ajudar na produção."

Com isso, já abandonou as aulas de Pilates, que retornaram esse ano, e planeja não voltar a prestar o concurso de professor temporário da Prefeitura de Jundiaí no ano que vem, data em que seu contrato se encerra. "Quero ter horário mais flexível."


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