Jundiaí

Período de estiagem acende alerta no AUJ

SECA Apesar dos baixos índices fluviais, a rápida prevenção dos municípios pode garantir abastecimento


ARQUIVO PESSOAL
Carmen Silvia Nalli Bulhões reaproveita a água da máquina de lavar
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O período de estiagem devido a falta de chuva para o mês de agosto tem acendido um alerta entre os municípios do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ). Apesar de não falar em racionamento, os comitês já reforçam a importância do consumo consciente.

Em Jundiaí, segundo a Defesa Civil, o município não registra chuva há 21 dias, com isso, o acumulado de agosto é de zero milímetros. O volume de chuva esperado para todo o mês, considerando a média dos últimos 9 anos, é de 47 mm. Em julho, choveu 33 mm, enquanto o esperado era 58 mm.

De acordo com a DAE Jundiaí, responsável pelo abastecimento em Jundiaí, a represa está com 67% da capacidade, o equivalente a 6,3 bilhões de litros de água. Uma queda considerável em relação ao final do mês de junho, em que registrava 80% da capacidade ou 7,4 bilhões de litros de água.

Apesar dos números preocupantes, Francisco Lahóz, secretário executivo do Consórcio PCJ, responsável pelas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, Jundiaí pode respirar um pouco neste ano. "No pior dos cenários, que seria chegar em dezembro com 20% de capitação dos afluentes, principalmente do Rio Atibaia, o sistema cantareira conseguiria suportar e abastecer Jundiaí. Saindo desse ponto, 2021 seria um ano para uso consciente e a preocupação ficaria para 2022", explica.

Lahóz recomenda que a sociedade faça o uso consciente da água. "Além disso, as companhias de tratamento e distribuição precisam ficar atentas com o estoque. O poder público sempre tem que estar em contato com a Defesa Civil e com todos os segmentos da sociedade para alertar sobre os cuidados com o consumo", completa.

CUIDADOS

A aposentada Carmen Silvia Nalli Bulhões está economizando água em diferentes maneiras, como forma de alívio financeiro e para a preservação do meio ambiente.

"Fora o controle no tempo de banho e na pia da cozinha, com um uso racional, sempre deixando juntar o máximo de louça para lavar tudo de uma vez. Também reaproveitamos a água da máquina de lavar roupa para limpar a garagem, a sacada e a lavanderia, por conta dos cachorros que fazem suas necessidades lá", pontua.

Para Carmen, mesmo com uma boa qualidade dos serviços de água em Jundiaí, é preciso que cada um faça sua parte. "O alerta já foi dado, então depende que as pessoas coloquem a mão na consciência e comecem a agir, ao invés de ficar esperando o poder público", comenta.

A DAE orienta para que os munícipes adotem medidas simples, como como tomar banhos de até cinco minutos, escovar os dentes com a torneira fechada, checar vazamentos, retirar os restos de comida antes de lavar a louça, varrer a calçada ao invés de usar a mangueira, usar um regador para molhar as plantas e evitar lavar o carro.

AUJ

Nesta quinta-feira (19), o Comitê Regional de Crise Hídrica, formado por representantes das cidades de Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista, além da concessionária Sabesp, realizou uma reunião com o objetivo de discutir, monitorar e propor soluções acerca da situação do abastecimento das cidades que recebem água do Rio Jundiaí.

Uma das definições da reunião foi a de visitar propriedades rurais e industriais da região com o objetivo de criar uma parceria com os proprietários e, juntos, discutirem maneiras de uso consciente da água. A Sabesp também entregou para os representantes do poder público cerca de 4 mil panfletos de orientação que deverão ser entregues para os alunos, nas escolas, além de faixas que estarão espalhadas pela cidade.

Segundo a empresa, neste momento, o abastecimento ocorre normalmente nas cidades do Aglomerado Urbano de Jundiaí atendidas: Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu e Várzea Paulista.

Nesses municípios a captação é feita a fio d'água (rios e corpos d'água superficiais). Com a estiagem, além dos mananciais produtores, a Sabesp, em parceria com as prefeituras, desenvolveu outras fontes alternativas para o abastecimento, como represas particulares, cavas e a perfuração de poços profundos.

Em Louveira, o abastecimento de água é feito pela Secretaria de Água e Esgoto (SAE), mas a prefeitura não respondeu até o fechamento desta edição.


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: