Jundiaí

Com alta de 34% no IGP-M, índice de reajuste em locações é negociado

Com indicador usado nos contratos de locação, o aumento passou a ficar insustentável


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Juliana Heincklein alugou outro imóvel após um reajuste de quase 36%
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

No último mês, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) teve mais uma variação, de 0,78% passando a acumular alta de 15,98% no ano e de 33,83% nos últimos doze meses. Como este é o indicador usado de praxe nos contratos de locação, o aumento passou a ficar insustentável para quem paga aluguel.

O jeito foi negociar ou tentar um imóvel mais barato. Foi o aconteceu com a advogada Juliana Heincklein. "Eu estava no imóvel há dois anos e venceu o contrato. O reajuste foi de quase 36% e tinha ainda outras coisas para fazer no imóvel. Tentamos negociar e não conseguimos, então aluguei outro imóvel com aluguel mais maleável."

Ela diz que não queria mais o contrato com IGP-M, mas aderiu ao índice com um adendo. "A gente colocou IGP-M no novo contrato, mas o combinado é que se o índice estiver muito alto, o IGP-M não seria aplicado. A gente não sabe como o índice vai ficar nos próximos anos, mas numa situação como a da pandemia, acho que essa cláusula é uma saída viável."

Já a autônoma Miriane de Campos Menezes Rodrigues, que tem imóveis alugados, diz que passou a acordar reajustes sem o IGP-M. "A gente costuma usar o contrato com reajuste por IGP-M, mas neste ano a reajustamos apenas um aluguel, que era R$ 500 e na época o inquilino alugou por R$ 450, então aumentamos R$ 50 neste ano."

Ela conta que o inquilino também precisa ser considerado. "A gente tem que se colocar no lugar de quem está pagando. Quem está nos meus imóveis está tranquilo, não tivemos dor de cabeça no último ano, então não tem por que aumentar. Já usei o reajuste com IGP-M quando era 6%, 7%. O IPCA eu não considero usar."

Afinal, segundo Miriane, o mercado imobiliário vai bem. "Coloquei um apartamento para alugar em fevereiro e ainda tem gente procurando. Tem que manter o imóvel bem conservado também, alugar em boas condições. Quando desocupa um, em uma semana, 15 dias, já está alugado."

MERCADO

A corretora de imóveis, Sue Ellen Raminelli diz que a tendência no momento é buscar alternativas. "Em imóvel comercial, muitos não estão fazendo reajuste para não perder o inquilino. Em residencial, alguns ainda negociam com IPCA, tem quem coloque o IGP-M só até determinado valor ou não fazem o reajuste. Se falar que é IGP-M, tem cliente que nem assina o contrato agora", explica ela sobre os acordos em tempos de crise econômica.

A corretora conta ainda que, mesmo com a oferta maior de empreendimentos imobiliários, a tendência é que o m2 de Jundiaí valorize ainda mais. "Jundiaí é uma cidade de desejo para muita gente. Recebemos pessoas de São Paulo, Minas Gerais, do Sul, é uma cidade que está crescendo economicamente e a tendência é de valorização."

Representante da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), Thiago Coelho, diz que as alternativas são analisadas caso a caso para contratos de locação no momento. "Não existe fato histórico de correção de IGP-M neste valor. Agora, tem o IPCA, reajuste pré-aprovado, mas é caso a caso com novas locações e depende muito também do inquilino e se o imóvel é galpão, comercial, residencial. Há uma série de variáveis."

Ele explica que, devido à situação pandêmica, os contratos, em sua maior parte, estão sendo negociados entre proprietários e inquilinos. "Alguns setores ainda estão sofrendo com a pandemia, como bares e restaurantes, mas em outros mercados houve uma ajuda no início da pandemia e agora não há mais. Mas, de modo geral, é difícil o proprietário não negociar com o inquilino, geralmente as pessoas conversam para chegar a um acordo.".

Thiago fala que a demanda atual do mercado imobiliário independe da pandemia, já que houve uma depressão no setor e hoje há crescimento, iniciado em 2019. "Jundiaí sempre teve muita procura e fila de espera para locação. Lembro de época onde eu tirava cinco, seis reservas do mesmo imóvel. No últimos anos, o mercado voltou a estar aquecido, mas não por causa da pandemia, começou a aquecer em 2019 porque a demanda veio após uma crise que começou em 2014. Jundiaí tem falta de imóveis para locação e tem imóvel que desocupa hoje e amanhã já tem gente mudando."

(Nathália Sousa)

 


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