Jundiaí

Carnaval 2022 é sonho aguardado das escolas de samba de Jundiaí

CLIMA DE FOLIA Ainda não há certeza de que os desfiles acontecerão no ano que vem, mas escolas de samba se preparam devagar para evitar surpresas


                     ALEXANDRE MARTINS
Zé Prego diz que a União da Vila espera que o Carnaval seja comemorado
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

As escolas de samba passam o ano inteiro se preparando para o Carnaval. No entanto, as escolas de Jundiaí este ano ainda não têm certeza de que haverá desfile em 2022, por isso não estão se organizando com a mesma velocidade dos anos anteriores.

Apesar de a Unidade de Gestão de Cultura (UGC) estar reabrindo os equipamentos culturais da cidade para a presença do público, a retomada de grandes eventos como o Carnaval depende das definições das autoridades sanitárias, do Comitê Municipal de Prevenção e Enfrentamento ao Coronavírus (CEC) e do Plano São Paulo.

O presidente da Liga Jundiaiense das Escolas de Samba (Lijunes) Sérgio Aguiar, entende as dificuldades do período pandêmico. "Não realizar o Carnaval esse ano foi muito triste, mas compreendemos a situação. Estamos trabalhando internamente e nos organizando, mas também não há previsão para o desfile do ano que vem", diz.

Este ano foram feitas diversas lives para não deixar o Carnaval esquecido. "Não deixamos 2021 passar em branco e certamente não deixaremos em 2022. As coreografias estão atrasadas em função do isolamento, mas as escolas se reúnem remotamente para acertarem as outras questões", afirma.

Ainda não houve uma reunião entre a Lijunes e a Prefeitura para tratar do Carnaval. "Não discutimos ainda esse retorno, mas todos sabemos que a vacinação é fundamental para que, lá na frente, a vida volte ao normal e o Carnaval volte a ser comemorado como merece", aponta Aguiar.

ESPERANÇA

Edison Luiz Pereira, mais conhecido como Zé Prego, é presidente da União da Vila Rio Branco, fundada em 1988 e sete vezes campeã. Com a extensa trajetória da escola, o presidente fala das expectativas para o Carnaval 2022. "Nossa maior esperança é que todos estejam vacinados, porque o Carnaval exige aglomeração, mas isso precisa acontecer com segurança", diz.

As atividades da escola não pararam, mas seguem de forma lenta. "Estamos com um projeto de resgate de sambas que foram campeões, estamos organizando a escolinha da Bateria Ritmo na Veia, com distanciamento, máscara e álcool em gel, além de encontros on-line", explica.

Os cursos para a escolinha de bateria e para capoeira estão com inscrições abertas. "Também estamos realizando reuniões periódicas com os departamentos de Comissão de Frente, Baianas e Passistas, para que a organização continue de pé", afirma.

Já que não se pode aglomerar, a União da Vila Rio Branco tem ensaiado com distanciamento social em dias alternados. "A Ala de Canto Canários da Vila ensaia a cada 15 dias com o pessoal já vacinado, e o mesmo vale para a escolinha, que acontece separadamente", diz Zé Prego.

Para a comunidade, o Carnaval é vital. "Sabemos que a pandemia é crítica, mas nossa espera não será eterna e logo estaremos juntos novamente. Enquanto isso, vamos ensaiando e gravando sambas-enredos dos anos anteriores para que ninguém abra mão de festejar, havendo ou não o desfile", ressalta.

DESEJO DE FOLIA

Fernando Tadeu Sodelli é presidente da Arco-Íris Acadêmicos do Samba, campeã 15 vezes desde 1985. "A expectativa este ano era ter realizado o desfile, mas a vacinação estava devagar no começo do ano. Precisamos aceitar que a pandemia ainda está aí, porque a saúde vem em primeiro lugar", explica Sodelli.

Para 2022, a sede de folia é maior. "Estamos com muita vontade de voltar, mas ainda não dá para ter certeza de que Jundiaí estará protegida e preparada para o Carnaval. O certo é voltarmos com quase toda a população já imunizada com a segunda dose contra a covid-19, pensando na saúde de nossos integrantes e do público", diz o presidente.

A Arco-Íris já tem organizado samba-enredo e figurinos para o Carnaval, mas só haverá divulgação quando o evento for confirmado em Jundiaí. "A parte mais difícil de se preparar na pandemia é a coreografia, que não pode ser ensaiada com todos juntos no mesmo local. Esse tipo de encontro só será possível depois que for permitido pela Cultura", aponta.

Já que ainda não há verba municipal para o Carnaval, a escola tem vendido pizzas como forma de arrecadação. "O dinheiro é pra comprar material e aperfeiçoar fantasias. Já faz mais de um ano que as alegorias estão prontas, por isso o nosso foco está nas fantasias agora", explica Sodelli.

Apesar de ainda não haver liberação para o desfile ou para os famosos bloquinhos de rua, os foliões seguem se preparando com cautela e esperançosos. "Mesmo sem sabermos se o Carnaval poderá ser comemorado, a ideia é estar com a organização encaminhada, para evitar surpresas", explica Sodelli.


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