Jundiaí

Tatuadores entram em convenções virtuais para aprimorar a arte

As convenções virtuais começaram bem no início da pandemia, pois as presenciais já estavam agendadas e com os locais alugados


                      ALEXANDRE MARTINS
Leonardo Serezuela Ribeiro não gostou muito das convenções virtuais
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

As convenções de tatuagem precisaram dar uma parada durante a pandemia, mas logo retornaram, de maneira virtual, dividindo opiniões entre os participantes. Em Jundiaí, dois experientes tatuadores, que competiam nas convenções presenciais, mostram os lados positivos e negativos desse novo formato.

As convenções virtuais começaram bem no início da pandemia, pois as presenciais já estavam agendadas e com os locais alugados, assim, para não ficarem no prejuízo, os organizadores deram início a essa mudança.

O tatuador Leonardo Serezuela Ribeiro, que está no ramo há 10 anos, participou de sua primeira convenção virtual na semana passada, pois estava em dúvidas no começo. "Confesso que não gostei muito das convenções on-line, porque não há o contato com os jurados, a gente não vê como eles estão avaliando o trabalho e acaba sendo algo menos transparente. A interpretação dos jurados pode não ser verdadeira", pontua.

Ribeiro afirma que o objetivo das convenções presenciais é o troca de experiência, o aprendizado e a evolução pessoal. "O tatuador tenta se superar a cada trabalho, pois na convenção nós temos total autonomia, se sentindo mais livre e sem ter algo te limitando. Eu vou tatuar o elemento que quero, que tenho mais confiança, no estilo que eu quero e no local que eu quero, então, os resultados são sempre melhores", ressalta.

Segundo Ribeiro, as convenções virtuais são realizadas, normalmente, durante toda a semana. "Em uma convenção que acontece de segunda a sexta, por exemplo, o tatuador tem esses cinco dias para executar os trabalhos, gravar todo o processo e enviar. Sábado é o dia que os jurados fazem a seleção e a avaliação, e domingo, eles dão o feedback e fazem as premiações", explica.

No início de cada convenção virtual, os organizadores liberam um código para o tatuador tirar fotos com ele, para provar que o participante não está começando o trabalho antes das datas marcadas. "O ideal é, no máximo, a pessoa começar a tattoo em um dia e terminar em outro, por questões de relaxamento da pele, de machucar o cliente, de ter ferida e do processo de cicatrização, mas isso vai de tatuador para tatuador", conta.

Atualmente, Ribeiro compete na categoria do "blackwork", em que só é permitido a cor preta nos trabalhos, sem poder diluir a tinta. "Além disso, gosto bastante de fazer tatuagens do estilo de 'comics' e 'animes', e do 'neo-tradicional' também, que é uma das minhas paixões. Em 2017, participei da minha primeira convenção e levei o segundo lugar no estilo comics", afirma.

Em sua última convenção presencial, em 2019, pela Tattoo Week São Paulo, a maior do mundo em relação à estrutura e número de participantes e a maior da América Latina, em relação à dificuldade, Ribeiro levou o primeiro lugar na categoria do blackwork. "Nem acreditei quando aconteceu, foi muito emocionante. Cada convenção tem sua forma de premiação, que ocorrem para cada estilo e depois uma premiação geral. Os prêmios variam bastante, podendo ser dinheiro, produtos, máquinas de tatuagem e outros. O vencedor geral da Tattoo Week, por exemplo, ganhou uma Harley Davidson", comenta.

Para Natan Antonio da Silva, tatuador há 10 anos, as convenções virtuais podem ser uma ótima oportunidade para artistas que não possuem muita disponibilidade de viajar. "No começo, eu estranhei um pouco, porque mudou muita coisa do presencial, principalmente a forma como eles julgam, mas como posso fazer de dentro do meu próprio estúdio, sem precisar pegar a estrada, de certa forma, acabou facilitando a participação", pontua.

De acordo com Silva, o mais interessante das convenções presenciais são as amizades criadas. "A gente até acaba conhecendo novos artistas nas virtuais, mas nada se compara. Por conta da pandemia e por falta de trabalho, eu resolvi dar uma parada nas convenções e agora estou voltando, graças a amigos que me animaram", ressalta.

Segundo Silva, a principal competição dentro da convenção não é com os outros participantes. "É comigo mesmo, procurando melhorar e aperfeiçoar as técnicas, ganhando reconhecimento de outros tatuadores e isso acaba dando um gás na carreira", afirma.

Silva gosta de realizar seus trabalhos no estilo blackwork, em que estuda e compete, e o estilo "preto e cinza chicano", com uma temática de cultura de rua, ligado, principalmente, a Los Angeles nos EUA.

"Comecei a participar das convenções presenciais só para assistir, ver técnicas novas, aprender e conhecer outros tatuadores. Depois eu só fui entrando e o primeiro troféu que ganhei foi na convenção de Rio Claro, com o blackwork", comenta.

(Lucas Hideo)

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Leonardo: @leoserezuela

Natan: @natantattoo_

 


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