Jundiaí

Orçamento familiar sofre com reajustes abusivos

ECONOMIA Reajuste de aluguel, energia elétrica, gasolina, plano de saúde e alimentação apertam as contas


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Com inflação e custo de vida em alta, jundiaienses buscam saúde e educação públicas
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Enquanto o salário mínimo aumentou apenas 5,26%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), base de cálculo para o reajuste comum de produtos e serviços, já passa de 7%. A queda do poder de consumo dos brasileiros já seria evidente só nesse cálculo, mas na realidade os serviços básicos tiveram reajustes que passam de 50% nos últimos 12 meses. Aluguel, energia elétrica, gasolina, plano de saúde e, principalmente, a cesta básica dispararam no índice de preços e, com isso, as pessoas estão cada dia mais sem dinheiro.

Para Filipe Pires, especialista em finanças e diretor de pós-graduação da Unianchieta, o mais grave é o impacto futuro desses grandes reajustes de custos, já que o salário não acompanhará a mesma evolução. "De acordo com a evolução dos Índices de Preços, está havendo perda expressiva no poder de compra do consumidor ao longo dos últimos 12 meses. E em tal magnitude que, provavelmente, não será compensada por dissídios", explica.

Com os custos mais elevados, a população tem migrado dos planos de saúde privados para o Sistema Único de Saúde (SUS) e de escolas particulares para escolas públicas. Em Jundiaí, a projeção é fechar o ano de 2021 com 23 mil novos prontuários, uma alta estimada pela procura do SUS de 53%. "Esses novos ingressantes são, em sua maioria, usuários que perderam o emprego e que possuíam algum tipo de plano de saúde", explica a Unidade de Gestão de Promoção de Saúde.

Já as escolas públicas municipais receberam 447 matrículas de alunos que vieram da rede privada. Em 2021, o número, até o momento, é 361 alunos. Em Várzea Paulista essa migração também ocorreu. As escolas municipais receberam 82 alunos da rede particular entre 2020 e 2021.

Também houve aumento de prontuários nas 13 Unidades Básicas de Saúde, embora não haja uma estimativa ainda da quantidade. "A procura era baixa e subiu demais", explicou a prefeitura, em nota oficial.

Em Jarinu também houve mais matriculas na rede pública de ensino, de 4.243 para 4.272 alunos, mas na rede de saúde não houve aumento significativo. Em Itupeva ocorreu o contrário, não houve aumento significativo no número de alunos, mas sim no número de atendidos nas Unidades de Saúde.

Campo Limpo Paulista, Cabreúva e Louveira não responderam aos questionamentos do Jornal de Jundiaí.

VILÕES DO ORÇAMENTO

Um dos maiores vilões é o aluguel, já que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) dos últimos 12 meses está acumulado em 33,83%. Muitos locadores têm aceitado negociar esse reajuste, segundo orientação das próprias entidades de classe, mas quando a negociação não é possível cabe ação judicial. Inclusive, já existem algumas ações movidas por lojistas que buscam posicionamento do Supremo Tribunal Federal para que o IGP-M não seja usado para o reajuste de aluguel desse ano.

A professora Eduarda Cristina Souza, 35 anos, recebeu uma notícia assustadora essa semana: Reajuste de 35% no aluguel da casa onde mora. "São R$ 572 a mais. É muita coisa. Tentei argumentar, mas o proprietário disse que se não aceitar preciso desocupar o imóvel em 30 dias", conta.

Ela mudou para o imóvel durante a pandemia porque o apartamento onde a família morava até então era pequeno. "Com o isolamento e aulas on-line do meu filho e minhas, acabamos precisando de mais espaço."

O contrato seria de 30 meses com reajuste a cada 12 meses, mas agora ela tem menos de 30 dias para encontrar uma nova casa. "Eu procurei suporte jurídico, vou aguardar as orientações."

CUSTOS ELEVADOS

A mais recente medida do governo federal foi anunciar, na sexta-feira (27), um novo reajuste de 50% a 58% na tarifa de energia elétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já havia reajustado a tarifa em 52%, no final de junho, passando de R$ 6,24 para R$ 9,49 por 100 kW/h consumidos. Com a nova mudança, esse preço deve subir para um valor entre R$ 14 e R$ 15 a partir do próximo mês. A justificativa é a crise hídrica.

As cidades da Região de Jundiaí também tiveram o reajuste de água, pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), no valor do IPCA, em torno de 7%. Já na cidade de Jundiaí, a DAE optou por não reajustar os valores nem em 2020, nem em 2021, até o momento.

CESTA BÁSICA

Outra grande vilã do salário dos jundiaienses é a cesta básica, que subiu 22,06% entre julho de 2020 a julho de 2021. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a estimativa de valor da cesta para um adulto em São Paulo é de R$ 640,51.

Para suprir uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos, o órgão estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.518,79, valor que corresponde a 5,02 vezes o piso nacional vigente. O relatório do Dieese aponta que o trabalhador que vive com o salário mínimo gastaria 62,95% apenas com alimentação.

SOLUÇÃO

Filipe Pires entende que a solução para controlar o aumento excessivo de custos para a população é o reequilíbrio das contas públicas é um caminho fundamental. "A ineficiência nos gastos do governo exige maior carga tributária de quem produz", diz o economista.

Enquanto essa iniciativa pública não acontece, ele dá algumas dicas para conseguir equilibrar o orçamento familiar. "Em uma visão micro, é indicado que alinhamento entre receitas e despesas domésticas. Se meu saldo líquido projetado (receitas menos despesas) está abaixo do realizado, é preciso reverter a situação para que o cenário não se torne inviável. Readequar as despesas para essa nova realidade, assim como buscar alternativas para aumentar as receitas, é o caminho mais certo até o reencontro com sua saúde financeira."

 


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