Jundiaí

Sequestro-relâmpago com roubo de Pix vira 'moda'

Os criminosos forçam a vítima a fazer transferências a contas-laranja


Marcello Casal JrAgência Brasil
Pix é o pagamento instantâneo brasileiro criado pelo Banco Central
Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

O pagamento eletrônico instantâneo conhecido como Pix virou alvo de quadrilhas e, dentre as práticas ilícitas que envolvem a tecnologia, a moda agora são os sequestros-relâmpago, nos quais os criminosos forçam a vítima a fazer transferências a contas-laranja.

Em todo o estado de São Paulo, de janeiro a junho deste ano, 206 boletins de ocorrência de sequestro-relâmpago foram registrados. Aumento de 39% em relação ao mesmo período de 2020. Os dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não informam, porém, quantos desses casos envolvem a extorsão com o Pix.

Entre as vítimas está o jundiaiense Alexandre Costa, que sofreu um sequestro no último dia 25 quando saia do trabalho. "Um casal estava na rua e na calçada um outro rapaz. O homem que estava com a moça sacou uma arma, se aproximou e me mandou entrar no carro, sentar no banco do passageiro, colocar o cinto, baixar a cabeça e colocar a mão no painel. A moça e o outro moço que também vinham na rua entraram no banco de trás. Eles disseram que não iam roubar o carro, mas que precisavam sair dali."

Com o carro já em movimento, o roubo começou. Todos os cartões de Costa foram retirados, assim como o dinheiro. Pelo celular as transferências via Pix começaram. "Eles tinham maquininha de cartão e usaram meus cartões de débito, iam me pedindo as senhas e diziam que se alguma tivesse errada, me matariam. Ficaram uns 35, 40 minutos assim, dando volta com o carro e pagando tudo o que podiam."

Depois do susto, a burocracia. "Fiz boletim de ocorrência, mas precisei procurar meu banco, trocar chip de celular. Até agora não consigo acessar minhas contas, não sei quanto foi roubado. Está sendo um transtorno muito grande."

MEDIDA

Especialista em segurança pública, Rafael Alcadipani diz que este tipo de delito virou moda e por isso as autoridades e o Banco Central devem criar ações para evitar este tipo de delito. "Antes ocorriam roubos levando a vítima até o caixa eletrônico, mas agora o caixa eletrônico está no celular."

Segundo Alcadipani, este tipo de sequestro que envolve roubo pode evoluir para um latrocínio e, a fim de evitar este tipo de situação, ainda não há medidas concretas, mas alternativas. "É sempre bom ter o celular do ladrão, como há algum tempo havia a carteira do ladrão, mas ainda não há motivo para muita preocupação. Os números ainda não são severos e a possibilidade disso acontecer em Jundiaí é baixa."

Na tarde de ontem (27), o Banco Central anunciou o limite de R$ 1 mil para transferências no Pix entre 20h e 6h, para evitar roubos e sequestros.

(Nathália Sousa)

 


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