Jundiaí

Roubos digitais através de celulares são difíceis de evitar

Mudança no limite de transações tem relação com o aumento de sequestros


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Gabriela Ribas Glinternik diz que celulares 'reserva' são mais comuns
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Segundo dados do Banco Central, mais de 294 milhões de chaves Pix já foram cadastradas, sendo a maioria aleatória, seguidas pelos CPFs. Com a adesão crescente à plataforma, os criminosos acabam se aproveitando do recurso para roubar dinheiro e, na maioria das vezes, quem fica com o prejuízo é o cliente bancário.

Além do roubo via Pix, os aplicativos de bancos também fazem com que os dados financeiros das pessoas fiquem concentrados nos celulares. Assim, os aparelhos são alvo. Segundo a chefe do Procon Jundiaí, Gabriela Ribas Glinternik, os riscos existem e a responsabilização deve ser partilhada.

"Entendemos que todos os participantes envolvidos nessas mudanças, incluindo os bancos, devem ter um olhar diferenciado a essas questões e não deixar que a culpa recaia apenas ao consumidor. No que diz respeito às falhas de segurança dos sistemas, temos aí um tema extremamente complexo, pois os bancos não reconhecem essas vulnerabilidades, o que faz com que praticamente todas essas questões acabem sendo judicializadas."

Quando uma pessoa não consegue reclamar com bancos pela falta do celular, em situação de roubo do aparelho, deve procurar seus direitos. "O consumidor que passou por essas situações e não esteja conseguindo contato com os canais diretos do banco pode procurar o Procon e registrar sua reclamação", diz ela, acrescentando que o consumidor deve insistir para ter contato com o banco por conta da gravidade do casos, para minimizar danos potenciais.

Na última sexta-feira (27), o Banco Central chegou a mudar as regras das transações via Pix, limitando a R$ 1 mil as transações efetuadas entre 20h e 6h. Esta mudança ocorreu devido ao aumento de sequestros-relâmpago em que a vítima era obrigada a realizar transações pela ferramenta. Ainda assim, o risco existe.

RISCOS

Segundo o delgado Antônio Dota Júnior, é difícil evitar este tipo de caso, já que hoje o celular guarda informações essenciais. "Não tem como falar para deixar o celular em casa ou não colocar os dados bancários no celular, é algo que acontece hoje em dia, não tem como. Não sei se a pessoa vai ter um celular e andar com um aparelho reserva por causa disso. Se tiver financeira, pode até fazer este tipo de coisa."

Para Dota, este tipo de alternativa também pode ser 'burlada'. "Mesmo que a pessoa não tenha, tem gente que manda instalar o Pix no momento do roubo também. Em saídas rápidas, pequenas distâncias, é melhor não levar o celular. Caso ocorra algo, é importante a pessoa fazer o BO e comunicar a agência bancária porque se o banco oferece o aplicativo, tem que dar segurança."

A chefe do Procon Jundiaí orienta que as pessoas evitem incidentes com medidas básicas. "A orientação primeira a ser dada, como medida básica de proteção, é a de que o consumidor não faça uso de senhas 'previsíveis' em seus aplicativos, tais como datas de aniversário, pois, uma vez de posse dos aparelhos, os criminosos têm acesso a inúmeras informações pessoais dos consumidores e, assim, podem até mesmo 'testar' senhas dessa natureza". Segundo Gabriela, quanto menos informações pessoais o consumidor puder manter armazenadas em seu celular, melhor.

(Nathália Sousa)

 


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