Jundiaí

Vale a pena trocar de profissão para se sentir realizado

NOVA DIREÇÃO Em busca de oportunidades melhores ou pela vontade de mergulhar no desconhecido, profissionais se reinventam em outras áreas


                 ALEXANDRE MARTINS
Viviane Guirro Souza era decoradora de eventos infantis e hoje tem seu próprio ateliê de panos de prato
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O fato de ter formação em uma área e exercê-la há muito tempo não é motivo para não experimentar novos rumos. Em Jundiaí, mulheres se reinventam e mostram que não é preciso ter uma só profissão para o resto da vida e que é possível se readequar e se sentir realizado no trabalho, seja ele qual for.

A artesã Viviane Guirro Souza, de 37 anos, foi decoradora de festas infantis por três anos antes de abrir seu próprio ateliê de panos de prato. "Desde criança eu faço pintura em panos de prato, tapetes e toalhas. Quando fui morar em João Pessoa, há três anos, me tornei dona de casa. Agora, voltei para Jundiaí com uma filha de um ano e, em meio à pandemia, reabrir a empresa de decoração não parecia viável", diz.

O ateliê em casa permite que Viviane cuide das filhas de 1 e 11 anos e tenha mais flexibilidade de horário. "Retomar esse sonho antigo da pintura foi a melhor opção. Não é fácil conciliar tudo, muitas vezes aproveito a noite para adiantar meus trabalhos e a bebê exige muitos cuidados, mas agente acaba se adaptando", explica.

Viviane não teve medo de tomar novos rumos profissionais. "Meu esposo às vezes briga comigo por eu ser impulsiva e não ter medo de tentar coisas novas. Sempre que tomo uma decisão, é para fazer acontecer, e foi isso que eu fiz quando resolvi mergulhar no artesanato", aponta.

A artesã não pensa em voltar para o ramo de decoração. "A decoração era a menina dos meus olhos... Eu amava, mas passou. Agora faço do ateliê meu novo projeto de vida e estou muito feliz, almejando crescimento", afirma.

ETERNIZAR MOMENTOS

A fotógrafa Angélica Vertoan, de 40 anos, é formada em administração e trabalhou na área de Recursos Humanos desde os 17 anos. "Sempre trabalhei com pessoas e era apaixonada pelo RH, mas eu também sempre fui a pessoa da família que tira fotos de todos e no dia em que meu esposo me deu uma câmera semiprofissional de presente, tudo mudou", diz.

O problema era que Angélica não sabia manusear o equipamento, por isso procurou um curso básico de fotografia para estar preparada nos eventos de família. "A cada aula me encantava mais. Nunca tinha me sentido tão motivada a estudar e aprender, então passei a cogitar a hipótese de mergulhar mais profundamente na fotografia", afirma.

Durante sete anos, Angélica fez jornada tripla. "Conciliando os cuidados com meus filhos, eu trabalhava no RH durante a semana e aos finais de semana fotografava festas, casamentos e eventos, para ganhar experiência e saber se era o que eu queria trabalhar dali pra frente", explica.

A segunda paixão criou um grande dilema. "Como largar uma carreira consolidada e entrar de cabeça em algo totalmente novo? Não é uma decisão fácil, mas depois de já ter criado meus filhos, arrisquei. Hoje, eu fotografo bebês, faço ensaios familiares e outros eventos", ressalta.

Angélica se sente realizada na fotografia. "Eu amo o que faço e cuido de cada bebê como se fosse meu filho. O brilho nos olhos dos pais quando recebem as fotos é o que me motiva", diz.

VIVER DA ARTE

A cantora e professora de canto Renata Sampaio, de 49 anos, é formada em engenharia civil pela Unicamp, mas decidiu trabalhar com música. "Na faculdade tinham as opções instrumento, regência e composição, e eu ainda não cantava para escolher o canto, então não pensei em prestar música. Prestei engenharia civil, pois sempre gostei de exatas", explica.

Também formada pelo Conservatório Musical de Campinas, Renata já ajudava colegas com instrumentos no ensino fundamental. "Se for contar as aulas 'de brincadeira', são mais de 35 anos amando ensinar música. Quando comecei, não tinha muita maturidade para entender os riscos e acabei mergulhando de cabeça na parte musical, e deu certo", afirma.

A cantora já participou dos musicais 'Fantasma da Ópera' (2005/2006), 'My Fair Lady' (2007), 'West Side Story' (2008), 'Produtores' (2008), 'A Bela e a Fera' (2009), 'O Médico e o Monstro' (2010) e 'Cats - Rio' (2010).

"Hoje estou dando aulas e muito satisfeita com minha experiência nas grandes produções. Agora, estou focada no ensino e quero me dedicar ao meu filho e a minha casa também", explica Renata.

Pode parecer arriscado tomar novos rumos profissionais depois de tanto tempo, mas Renata entende que isso é relativo. "O que fez muito sentido para mim e que pode fazer para outras pessoas é que, se você se vê se dedicando por muito tempo em algo e se sente feliz, vale a pena apostar", ressalta.


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