Jundiaí

Miomas podem aparecer sem qualquer sintoma ou sinal

Visitas periódicas ao ginecologista devem ser cumpridas pelo menos uma vez ao ano


ARQUIVO PESSOAL
Segundo Armando Junior, o mioma é uma doença benigna do útero
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

As visitas periódicas ao ginecologista devem ser cumpridas pelo menos uma vez ao ano para saber como está a saúde da mulher. Problemas como mioma uterino, tipo de tumor benigno, pode ser evitado ou diagnosticado no início evitando assim a evolução do mesmo.

Apesar de ser encontrado em 80% das mulheres em idade reprodutiva, o mioma pode aparecer sem apresentar qualquer sintoma ou mesmo danos ao corpo. Devido a essa característica, o vice-diretor clínico e ginecologista do Hospital Universitário, Dr. Armando Antunes Junior, faz um alerta de que é uma das doenças benignas mais frequentes do sistema reprodutor feminino. A sua incidência varia de acordo com a idade, sendo mais frequentemente diagnosticada antes dos 50 anos. Ocorre entre 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva.

O mioma uterino é uma doença benigna do útero que consiste no crescimento das células do miométrio (parede do útero). Trata-se de um tumor sólido e benigno constituído por células musculares lisas. Cada mioma pode ter diferentes tamanhos, variando desde alguns milímetros até vários centímetros, podendo alterar a estrutura do útero e provocar a deformação da sua superfície externa ou da cavidade uterina (interior do útero).

De acordo com Dr. Armando, as principais causas para o aparecimento desta doença são os fatores genéticos (hereditário), hormonais e crescimento. “Vários estudos demonstraram a predisposição genética para o aparecimento dos miomas uterinos. Em relação aos fatores hormonais, sabemos que os estrogênios e a progesterona (hormonas sexuais produzidas durante a idade reprodutiva da mulher) promovem o desenvolvimento e crescimento dos miomas. Por este motivo, eles são mais frequentes na idade prévia à menopausa. Os fatores de crescimento são substâncias que são produzidas pelas células musculares do útero e que estimulam o crescimento dos miomas”.

Assim, são considerados fatores de risco para o aparecimento desta doença: a idade da mulher (maior risco antes dos 50 anos), a menarca (início da menstruação) precoce, obesidade, história familiar de miomas uterinos (maior risco se familiares em 1º grau), raça negra, hipertensão arterial, consumo de álcool e cafeína.

A maioria dos miomas uterinos é assintomática (não provocam qualquer sintoma), e cerca de 30-40% dos casos as mulheres apresentam sinais ou sintomas, sendo estes dependentes da localização, do número e do tamanho dos miomas. “O sintoma mais frequente é a alteração no fluxo menstrual. O sangramento menstrual excessivo pode levar a anemia. Este sintoma é mais frequente nos miomas que abaúlam a cavidade uterina ou que sejam submucosos”, relatou o doutor.

Os miomas podem localizar-se em qualquer parte do útero e o diagnóstico é feito pelo médico tendo por base o exame ginecológico e a ecografia pélvica. “O tratamento dependendo de cada caso clínico, de acordo com as características do mioma, dos sintomas associados, da idade da mulher, do desejo de gravidez, a conduta terapêutica é diferente. Este tipo de tumor benigno da mulher tem um bom prognóstico, havendo várias opções terapêuticas que permitem o controle ou tratamento da doença”, comentou o especialista.

A mulher que tem um mioma uterino pode engravidar. Em alguns casos, o mioma tem uma localização e dimensões que não influencia o normal funcionamento do útero e não se associa a sintomas na mulher. Nestes casos, não parece que o mioma interfira na capacidade da mulher engravidar. Os miomas submucosos parecem ter um efeito negativo na ocorrência de gravidez, podendo estar indicado o tratamento cirúrgico (miomectomia por histeroscopia).

Os miomas intramurais, dependendo das suas dimensões e do seu número, podem interferir na capacidade de engravidar devendo haver nestes casos uma conduta individualizada.


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