Jundiaí

Seguir rotina na pandemia reduz ansiedade de crianças autistas

Crianças autistas enfrentaram um período de muita ansiedade na pandemia


            ALEXANDRE MARTINS
APAE
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Crianças autistas enfrentaram um período de muita ansiedade no início da pandemia da covid-19. Os pais, em parceria com as escolas, conseguiram driblar a situação com a criação de uma rotina de atividades remotas, feitas em casa. Com a volta das aulas presenciais, as famílias estão otimistas em relação ao aprendizado dos filhos autistas.

Camila Martins Versuri, de 33 anos, mãe em tempo integral, conta que seu filho Rafael Martins Versuri, de 5 anos, ficou muito ansioso no início da pandemia. "No ano passado a ansiedade foi grande. As terapias retornaram antes das aulas e ele chorava quando a sessão acabava, pois não queria ir pra casa", relata.

A médica neuropediatra Mirella Fernandes Senise, de 37 anos, aponta que a pandemia tem sido um desafio para as famílias, pois esse período causou um acometimento sob a saúde mental das crianças como um todo, principalmente das autistas. "Crianças que têm o transtorno de neurodesenvolvimento tiveram um impacto ainda maior com a perda de rotina e o afastamento de familiares importantes, como os avós", disse.

ROTINA

Além disso, a neuropediatra reforça a importância da rotina para as crianças atípicas. "Manter horários consistentes, ter um suporte visual da ordem das tarefas e transmitir para a criança o entendimento de uma rotina é importante. Saber qual o próximo passo reduz a ansiedade, elas se acalmam e melhora a adesão nas atividades básicas", explica Mirella.

O excesso de tempo em frente as telas da televisão e de aparelhos celulares também afeta o sono das crianças. "Não estabelecer uma rotina também pode afetar o sono, pois elas gastam menos energia estando em frente as telas. A pandemia criou um ambiente propício para que esses comportamentos piorassem", completou a médica.

ANSIEDADE

A criação de uma rotina de atividades em casa foi indispensável para controlar a ansiedade da Helena Paterniani Mamede, de 12 anos, filha da agente de desenvolvimento infantil Rosana Melo Paterniani Mamede, de 49 anos.

Helena estuda na Apae, e quando fazia atividades em casa, respeitava uma rotina. "Ela não ficou ansiosa porque eu construí uma rotina com ela dentro de casa. Estabeleci horários para acordar, fazer as atividades propostas pela Apae e brincar. Não sair da zona de conforto ajudou a controlar a ansiedade", explica a mãe Rosana.

Apesar a rotina diminuir a ansiedade, a agente de desenvolvimento infantil diz que houve muitas perdas para a filha em relação à interação social. "Sem sair e sem receber pessoas em casa, a Helena ficou trancada. Isso foi um problema, pois sabemos que para o autista é indispensável a interação social", completa.

INTERAÇÃO SOCIAL

O contato social com outras crianças, como na escola, é um estímulo para a linguagem e o desenvolvimento de habilidades para crianças autistas. "A inclusão de crianças atípicas em escolas regulares estimula o desenvolvimento de habilidades sociais necessárias para a faixa de idade", explica a neuropediatra Mirella.

As aulas presenciais já retornaram na Escola de Educação Especial da Apae, que atende 45 alunos autistas. O diretor da escola Edison Marin, de 37 anos, explica a importância da rotina no aprendizado das crianças. "O ideal é que os alunos frequentem as aulas presenciais, devido à rotina. Em casa o trabalho dos pais é maior, pois eles organizam as atividades mas não tem formação pedagógica, portanto, o aprendizado é diferente", disse Marin.

Mariângela Vendrame, de 46 anos, é mãe da Manuela Vendrame Rego, de 7 anos, também aluna da Escola de Educação Especial da Apae. Ela afirma que fazer atividades em casa ajuda, mas não é o ideal. "Aulas remotas ajudam, mas não substituem o presencial. Estou muito otimista em relação ao desenvolvimento da minha filha com o retorno das aulas presenciais", conta.

Rosana também acredita que o retorno das aulas presenciais é imprescindível para o aprendizado da filha autista. "Na escola tem acolhimento. O ensino presencial é muito mais eficaz para crianças autistas", ressalta.

(Caroline Adrielli)

 


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