Jundiaí

Sem apoio oficial e local próprio, slackline ganha novos adeptos


                                           ALEXANDRE MARTINS
Luiz Fernando Souza Brito pratica slackline há oito anos, sem parar
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Em Jundiaí, atletas do slackline seguem firmes nos treinos e na luta para que o esporte tenha mais reconhecimento. Enfrentando diversos obstáculos, como a falta de apoio do poder público, os praticantes se viram pelo município para propagar os benefícios do esporte.

Há mais de 10 anos no slackline, o comerciante Flávio Henrique Sacramonte Peixoto afirma que ainda não houve um crescimento expressivo do esporte. "Foi algo bem sutil, pois é um esporte pouco difundido, muitas pessoas não o reconhecem como um esporte, por exemplo. Aqui em Jundiaí, praticamente continua a mesma coisa de 10 anos atrás, mudou as pessoas que praticam, mas não houve uma explosão de adesão", conta.

Segundo Peixoto, o pico de praticantes na cidade ocorreu quando criaram o "slackpark", na avenida 9 de julho. "Era um ótimo espaço, muitas pessoas conheceram o esporte pela localização, pois ficava em uma das principais avenidas de Jundiaí e tinha tudo que era propício para a prática. Mas agora, como acabaram com o lugar, é como se o esporte tivesse regredido e continuamos nessa fase de engatinhar, sem apoio do poder público", lamenta.

De acordo com Peixoto, a organização do esporte no Brasil, ainda está bem no começo. "Existe a Federação Paulista de Slackline, mas em Jundiaí não há nenhuma associação, por enquanto. Até onde sei, também não há uma organização a nível nacional e isso que Jundiaí já sediou uma etapa do campeonato mundial no slackpark, em 2015, com atletas profissionais do Brasil inteiro, em parceria com a Associação Internacional do Slackline, que monitora e registra tudo o que acontece no esporte, como as quebras de recordes e a classificação de atletas", explica.

O ESPORTE

O slackline é um esporte praticado acima do solo, no qual, uma fita é ancorada entre dois pontos e o praticante tenta se equilibrar nela. Esses dois pontos podem variar entre distâncias, alturas, tipos de fitas, tensão da fita e os locais. Cada variação pode ser uma modalidade diferente nas competições, como o longline (longas distâncias) e o waterline (fita em cima d'água).

Peixoto afirma que as competições podem ser para iniciantes, amadores ou profissionais, dependendo de cada organização do evento. "Já cheguei a competir quando praticava a modalidade do "trickline", em que o atleta faz saltos, manobras de giros, flips e outros truques em cima da fita, de em torno de 26 metros de distância por 2 metros de altura. Os jurados analisam as manobras, as dificuldades, as execuções e dão as notas", conta.

Outra modalidade competitiva é o speedline, que é feito no highline (altura acima de 30 metro) e vence quem atravessar mais rápido a distância de 100 metros, por exemplo.

Em Jundiaí, o único highline que existe fica no bairro do Vale Azul, próximo ao Caxambu, é um vale com cerca de 220 metros de distância, por 40 metros de altura.

Para o iniciante conseguir equilíbrio, Peixoto recomenda focar o olhar no final da fita, flexionar o joelho, manter a coluna reta e elevar os braços, com os cotovelos na altura da cabeça, buscando mexer apenas o antebraço e não o tronco. "Mas o mais importante é a respiração, saber controlá-la é fundamental e ajuda na resiliência do atleta", pontua.

Em cada modalidade há um tipo de protocolo de segurança que pode ir desde um colchão no chão, até cordas para se prender na fita e evitar quedas.

COMUNIDADE

Com a retirada do slackpark, os praticantes de Jundiaí costumam treinar no Parque da Cidade ou em praças do município, principalmente em um espaço no Jardim Paulista, local em que nasceu uma das primeiras equipes de slackline da cidade, a "SlackBack".

"Começamos com a equipe em 2012, nós montamos as fitas na praça e praticávamos, assim, muitas pessoas vieram nos procurar e resolvemos entrar de cabeça no esporte, buscando novos tipos modalidades e conhecendo outros praticantes pela internet. Íamos bastante para São Paulo e para Campinas, o pessoal de lá vinha para cá também. Houve uma troca muito boa que fez nossa equipe continuar firme e evoluir. Atualmente, estamos com cerca de 10 atletas ativos", conta Peixoto.

O mecânico Luiz Fernando Souza Brito entrou na equipe há pouco tempo, mas é atleta do slackline há oito anos. "Minha modalidade preferida é o highline, pela liberdade que temos de fazer as manobras ou qualquer outra coisa. Esse esporte marcou minha vida de um jeito inacreditável, a partir do momento que experimentei pela primeira vez, nunca mais parei", ressalta.

A auxiliar administrativa de recursos humanos, Maria Vitória Ajamil Medeiros, conheceu o slackline em 2016, numa aula de educação física da escola. "Quando vi a fita fui tentar praticar e me apaixonei, o desafio de tentar se equilibrar e andar sobre ela era algo fascinante pra mim", conta.

Maria faz parte da equipe SlackBack desde 2018 e costuma treinar nas praças da cidade. "A comunidade do slackline é única, ela tem um carisma e um sentimento único. É como uma família, todos se apoiam e se ajudam, fortalecendo ainda mais o esporte, que precisa de reconhecimento, principalmente do poder público", comenta.

"O que falta para o esporte ser difundido, é incentivar a prática, principalmente, nos mais jovens, dentro das escolas. Fazer as pessoas entenderem que o slackline é um esporte normal e traz muitos benefícios para os praticantes", completa Peixoto.

(Lucas Hideo)


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