Jundiaí

Índices de insônia disparam em meio a transtornos emocionais

NA PANDEMIA Segundo estudos da empresa farmacêutica Pfizer, cerca de 30% a 50% dos brasileiros sofrem com a insônia e as consequências que ela causa


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Denise Aparecida Amaral desenvolveu insônia durante a pandemia
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

A suspensão da rotina causada pela pandemia e a constante incerteza estão contribuindo para o aumento do índice de pessoas com transtornos de insônia.

Este distúrbio é caracterizado pela dificuldade de dormir ou conseguir manter um sono contínuo sem ser interrompido durante a noite. Segundo estudos da empresa farmacêutica Pfizer, cerca de 30% a 50% dos brasileiros sofrem com a insônia, que pode se manifestar por diversas razões, como estresse, ansiedade, depressão, dor crônica e uso de certos medicamentos.

De acordo com a neurologista Ariane Lima, os transtornos do sono podem ser consequências de outras doenças neuropsiquiátricas. "A insônia pode ser o sintoma de outras doenças psicológicas, como depressão e a ansiedade, porém também ocorre em outras doenças neurológicas como nas síndromes de demências, como o alzheimer"

EM ALTA

Segundo a psicanalista associada da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Campinas, Débora Berger, a pandemia fez com que os transtornos de insônia aumentassem consideravelmente. "Toda a situação de insegurança, incerteza e medo que se instaurou no início da pandemia, literalmente, tirou o sono das pessoas", afirma Débora.

Para ela, os motivos principais do desenvolvimento de insônia durante a pandemia podem estar relacionados a mudanças de hábito, insegurança, perda de entes queridos e outras razões emocionais e situações de estresse.

O motivo que fez a aposentada Denise Aparecida Amaral, de 54 anos, desenvolver insônia foram as constantes mudanças de hábito na pandemia, quando ela precisou se adaptar ao home office durante a pandemia. "Eu trabalhava como secretária de uma escola municipal e tive muita dificuldade para me organizar enquanto estava trabalhando em casa, as cobranças e preocupações aumentaram 100%", afirma Denise.

Além da dificuldade de dormir, ela começou a apresentar dores no corpo, falta de ar e formigamento, juntamente com as crises de ansiedade que a atormentavam durante a noite.

Diante disso, Denise Aparecida foi atrás de tratamentos e começou a consultar médicos frequentemente. "Hoje em dia eu não consigo mais dormir sem meus medicamentos, todos os médicos que me consultaram disseram que é um problema emocional, então meu próximo passo é a terapia", afirma.

CONSEQUÊNCIAS

Além de afetar o trabalho e a vida social das pessoas, a insônia também pode causar impactos na saúde ao longo prazo, incluindo obesidade, ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares e diabetes.

Denise afirma que os danos na sua saúde já começaram a aparecer e precisou tomar algumas medidas para os problemas não se agravem. "Além das dores no corpo constantes, comecei a ganhar peso rapidamente e comecei a ter medo de dirigir", diz.

DICAS

De acordo com a neurologista Ariane Lima, a melhor forma de prevenção da insônia é o diagnóstico precoce de doenças psicológicas, para iniciar tratamento e acompanhamento necessários para combater o transtorno. "Deve-se tratar precocemente as doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade, com um especialista que irá avaliar a necessidade de psicoterapia e/ou medicações".

Para a psicanalista Débora Berger, ter uma boa qualidade de vida e cuidar do bem-estar pode ser essencial para amenizar os sintomas da insônia. "Cuidar da mente e do corpo, através de uma alimentação saudável, atividade física, respeitar os horários de sono e os limites do corpo e buscar atividades que tragam bem-estar", conclui Débora.

Além disso, medicamentos prescritos por especialistas, terapias, evitar ingestão de bebidas alcoólicas e exercícios físicos regulares também ajudam no controle do sono.

ATENDIMENTO GRATUITO

A Prefeitura de Jundiaí, por meio da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde, oferece acompanhamento para portadores de transtornos psicológicos envolvendo ações desde a Atenção Básica, passando pelo cuidado no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e chegando, quando necessário, à atenção hospitalar.

O cuidado em saúde mental pode ser ofertado por meio de escuta acolhedora ao sofrimento psíquico, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (auriculoterapia, práticas meditativas, fitoterapia, relaxamento guiado, entre outros), atividades de convivência (como ações envolvendo atividades físicas), além das ofertas clássicas, de atendimento médico e psicoterapias.

Em 2020, foram realizados 4.860 atendimentos cujo diagnóstico envolvia transtornos de ansiedade, número este consonante com o quantitativo de atendimentos realizados no período pré-pandêmico. Em 2021, no período de janeiro a julho, foram realizados 3.366 atendimentos a pessoas com sintomas de ansiedade, o que leva a estimar um aumento desta demanda neste ano.


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