Jundiaí

A cachaça também tem tradição na região da uva e do vinho

Amanhã (13) é comemorado o Dia da Cachaça, bebida que existe no Brasil há séculos


                       ALEXANDRE MARTINS
Ricardo Leme diz que produção de cachaça sempre fez parte da família
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Amanhã (13) é comemorado o Dia da Cachaça, bebida que existe no Brasil há séculos, desde que as terras tupiniquins se mostraram adequadas para o cultivo da cana-de-açúcar. No entanto, o nome "cachaça" só foi regulamentado há poucos anos. Define a bebida destilada de cana-de-açúcar que segue uma série de padronizações e é produzida única e exclusivamente no Brasil. Uma marca registrada do país.

Mesmo que na cultura popular a cachaça seja sinônimo para pinga, aguardente, caninha, e assim por diante, ela, na prática, tem a mesma base, mas uma qualidade superior. Isso a fez cruzar fronteiras e ser a terceira bebida destilada mais consumida no mundo.

E na nossa região, famosa pelo cultivo da uva e produção de vinho, também há espaço para a bebida, afinal, onde há Brasil, há cachaça. Segundo a Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo de Jundiaí (Ugaat), há 11 produtores de cachaça no Circuito das Frutas. Um em Atibaia, dois em Itatiba, dois em Itupeva, dois em Jarinu, um em Jundiaí, dois em Louveira e um em Vinhedo. Nas demais cidades, não há produção no circuito.

Um dos alambiques de Jundiaí é o da vinícola Castanho. Quem fala sobre a produção da cachaça da Castanho é Ricardo Leme, neto do fundador do local e criador da cachaça Ponte Torta, Aristides Silva. "Produzimos cachaça na vinícola desde 1968, que foi quando ela foi fundada. Mas meu avô começou com a cachaça antes. Ele tinha uma propriedade perto da Ponte Torta e já tinha produzido uma cachaça com esse nome antes da vinícola. Hoje, o vinho é nosso carro-chefe, a cachaça representa mais a tradição da nossa família, o processo de envelhecimento que meu avô fazia. E a gente resolveu resgatar isso. Alguns clientes lembram da época em que meu avô fazia a cachaça e perguntavam."

Ricardo diz que a vinícola produz três cachaças e dois aguardentes atualmente. "Da linha Ponte Torta, tem a cachaça Tradicional, a prata, que envelhece um ano em uma madeira neutra; a Ponte Torta Envelhecida, que fica três anos em barril de carvalho americano; e a Ponte Torta Quatro Madeiras, que envelhece cinco anos em carvalho americano, carvalho francês, bálsamo e umburana. Tenho também dois tipos de aguardente, um tradicional e um envelhecido", explica.

Sobre produzir a cachaça na Terra da Uva, Leme diz que não há problema. "Para nós, é tranquilo. Como já tinha a tradição na vinícola, a gente já tem parceiros que fornecem insumos. No Brasil todo tem produção de cachaça, então está pulverizada pelo país. Cerca de 70% dos nossos clientes que consomem cachaça vão ao alambique especificamente por causa dela, por artesanal, por levar o nome da Ponte Torta, então buscam como lembrança da cidade também."

TRADIÇÃO

Proprietário do alambique JP, um dos primeiros da Região, localizado em Itupeva, Fernando Tonoli é da terceira geração que produz a bebida. "Quando meu bisavô comprou a fazenda, em 1925, ele desativou o engenho. Em 1948 que meu avô retomou a produção. A nossa produção é 100% aqui, desde o plantio da cana até o engarrafamento. Somos um dos poucos da Região que manteve o processo inteiro."

Hoje, além do alambique produzir as três marcas próprias, produz para outros locais. "São três marcas nossas, a Japi, a JP e a Itupeva, e fazemos a terceirização, produzimos para 12 parceiros. Quando meu avô produzia, era só a Japi, mas quando separou a propriedade para a família, um dos sobrinhos dele ficou com a marca. Por isso, meu pai criou a JP, que era igual a Japi, mas não teve tanta abertura de consumo em Jundiaí."

"A gente veio com a linha Itupeva pensando no turismo, mas a pedido de clientes, relançamos a Japi para o segmento prêmio em 2018. Readquirimos a marca e relançamos com outro conceito. A Itupeva só tem envelhecida, a Japi tem a branca e a envelhecida em carvalho americano", explica Tonoli.

Ele diz que as cachaças do alambique já ganharam concurso estadual, nacional e mundial e o produto em si passa por uma repaginação no país e compete com os melhores destilados do mundo. "Hoje o consumo de cachaça vem caindo, mas o faturamento de produção aumenta. Vende menos, mas vende melhor. A cachaça, de forma geral, sempre foi tratada de forma pejorativa no Brasil, ligada à imagem do alcoólatra, o cachaceiro. Isso fez com que a bebida tivesse uma imagem negativa."

"Há 13, 15 anos, isso começou a mudar, desde que a cachaça virou produto nacional por lei. Tem cachaça a preço de uísque na Europa e nos Estados Unidos e isso fez mudar a visão no Brasil. Vendo esse movimento, mudamos o foco do bar e começamos a investir no valor agregado do produto", afirma Fernando.

(Nathália Sousa)

SERVIÇO

A Vinícola Castanho leva o nome do bairro onde está localizada, na travessa dos Patos, número 1050, em Jundiaí. A Ponte Torta, no entanto, também é encontrada em empórios, uma rede de mercados e uma choperia da cidade.

O alambique JP fica na rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, km 75,5, no bairro Nova Era, em Itupeva. Além do local, as cachaças do engenho são encontradas em diversos pontos da Região.

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: