Jundiaí

Pensões e hospedarias se mantêm com novos perfis de público

HOSPEDAGEM Geralmente ocupados por pessoas de fora do município, os estabelecimentos começaram a receber um público diferenciado


                ALEXANDRE MARTINS
Antônio Rosa diz que foi para a pensão quando se separou, há cinco anos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

As pensões, pensionatos e hospedarias tiveram que se adaptar à realidade para não perder o público. Geralmente ocupados por pessoas de fora do município, em especial quem precisa de hospedagem temporária, os estabelecimentos começaram a receber um público diferenciado, principalmente quem perdeu o emprego e precisou de morada mais barata, já que custam entre R$ 500 e R$ 600 por mês em média.

Segundo Washington Nobre Cavalcante, proprietário de cinco pensões em Jundiaí, no primeiro lockdown a queda foi imperceptível, porque muitas empresas continuaram funcionando e os principais hóspedes trabalhavam nestas empresas, mas depois houve queda brusca na procura.

"Neste momento, embora a situação econômica esteja ruim, estamos retomando gradativamente. Temos cinco casas e todas estão com 90% de ocupação. A maioria dos nossos hóspedes, uns 90%, não são de Jundiaí, muitos vêm trabalhar, mas também tem o pessoal que não conseguia pagar aluguel. Tinha gente que se mudou e perguntava se podia levar os móveis, porque morava de aluguel."

Cavalcante tem uma pensão feminina, uma mista e três masculinas, sendo que uma delas já tem algumas mulheres e ele tenta transformar em mista também. "A maioria é formada por homens, em especial divorciados. Costumo até aconselhar bastante, para tentarem se acertar. Já aconteceu de vir hóspede para ficar um mês e em 15 dias voltar com a mulher e sair."

Outro proprietário de pensionato no Centro é Wilson Wurgler. Ele diz que a maioria das pessoas hospedadas continuou na pandemia. "Pensionato seria a solução do cara que vem de fora para morar sem precisar pagar aluguel, as contas, comprar móveis. A maior parte vêm de fora para trabalhar, mas tem aposentados também. No começo desta semana mesmo, teve um rapaz que veio do Rio de Janeiro."

Ele diz que é difícil encontrar pensionatos regularizados e organizados. "O meu tem procura porque é regularizado, tem limpeza, segurança 24h. Tem alguns que não têm nada disso. Se o fiscal fecha, a pessoa não tem onde ficar. Não aceito pessoa que usa droga também. Tem bastante pai e mãe que procura pensionato para colocar o filho drogado, mas nos prejudica."

TETO

Há cinco anos, Wilson Antônio Rosa se mudou para uma pensão. Divorciado, achou que seria a melhor solução no momento. "Me separei, mas mantenho contato com a família e é ela que cozinha e lava minhas roupas. Este é o único que gosto de Jundiaí, já fui para outros, mas não valem nada, não quero nem de graça. Aqui é sossegado, se pisam na bola, já mandam embora", diz.

Ele relata que alugar outro imóvel não está em seu orçamento. "Deus me livre alugar casa, tem que arrumar alguém para dividir o aluguel, aí a pessoa não paga."

 


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