Jundiaí

Jundiaí tem redução na expedição de medidas protetivas

Em julho, foram acompanhadas pela GM 30 vítimas de violência, 27 em agosto e quatro em setembro


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A Guardiã Maria da Penha acompanha mulheres com medidas protetivas
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Jundiaí teve queda de 17,5% na expedição de medidas protetivas para mulheres no primeiro semestre de 2021. Além disso, embora os dados não estejam fehados, a equipe da Patrulha Guardiã Maria da Penha, da Guarda Municipal de Jundiaí, já estima que a redução também tenha ocorrido no terceiro trimestre.

A redução segue na contramão do estado. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, houve 41 mil processos e 32 mil concessões de medidas protetivas no primeiro semestre deste ano, um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado para os dois casos.

Segundo a chefe da Patrulha Guardiã Maria da Penha, a subinspetora Arlete Leite Loschiavo, no acumulado do primeiro semestre houve redução de 17,5% nas medidas protetivas em relação ao mesmo período do ano passado. O início deste ano, porém, foi mais conturbado, teve aumento de 57% medidas protetivas recebidas pela GM no primeiro trimestre deste ano (52) em comparação ao mesmo período do ano passado (83).

Em julho deste ano, foram acompanhadas pela GM 30 vítimas de violência doméstica, 27 em agosto e quatro em setembro, até o dia 14. Em 2020, foram 33 em julho, 26 em agosto e 36 em setembro.

DIFICULDADE

Para Camila Souto (nome fictício), de 37 anos, que mora em Jundiaí, "não é fácil conseguir uma protetiva, tem que ir à delegacia esfaqueada ou 'toda arrebentada', senão, não te dão."

Ela relata que o atendimento recebido na Delegacia de Defesa da Mulher de Jundiaí (DDM) deixou a desejar. "A primeira agressão eu sofri assim que engravidei, em março de 2018. Fui à DDM e não tive apoio, nem medida protetiva, só fizeram um boletim de ocorrência e a escrivã recomendou que eu fizesse um laudo no IML [Instituto Médico Legal]. Quatro meses depois, me chamaram lá, a escrivã disse que eu precisava dele por estar grávida e ele não conseguiria emprego se eu o denunciasse."

Ainda com o agressor, Camila diz a situação piorou após a gestação e houve uma segunda agressão. "Eu mesma escrevi para o Ministério Público pedindo uma medida protetiva, porque não conseguia. Consegui um mês, mas só para mim, sendo que ele ameaçava minha família, meus amigos. Nesse tempo, ele infernizou a minha vida."

A vítima conta que o homem tinha acesso a armas e usava isso para ameaçá-la. "Depois de um tempo, descobri que ele tinha um histórico de violência, que ele teve cinco mulheres que fugiram dele com os filhos."

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública informou em nota que qualquer denúncia relacionada ao atendimento nas delegacias pode ser formalizada junto à Corregedoria da Polícia Civil, para que os fatos sejam devidamente apurados.

ACOLHIMENTO

Foi a guarda Andréia Melo, que na época estava à frente do Guardiã Maria da Penha, quem lhe estendeu a mão. "A Melo foi a primeira mulher que me acolheu de forma digna. Quando você é agredida, vira um caco, o corpo dói, a alma dói. Digo que a Melo faz mosaico, pois junta os cacos e cria algo bonito."

A subinspetora Arlete avalia que a violência contra a mulher vem diminuindo em Jundiaí ao longo do tempo, em parte, por conta do acolhimento da patrulha e do apoio de outros órgãos. "As mulheres temiam a denúncia por não ter onde ficar, ter muita dependência do agressor, ele sustentar a casa, então tinham o receio. Com o programa, estão tendo mais liberdade."

Na pandemia, a diferença foi nas visitas, que foram reduzidas, mas as rondas aumentaram 500%. "O trabalho não é só de visita."

(Nathália Sousa)

 


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