Jundiaí

Real desvalorizado atinge diretamente importadores

PREÇOS A moeda brasileira já vinha perdendo valor nos últimos anos e a pandemia contribuiu nisso


                              ALEXANDRE MARTINS
Deverlei Chignolli não sabe como será o consumo no fim deste ano
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A alta do dólar em relação ao real chega a cerca de 40% desde o início de 2019, mas parte expressiva da alta aconteceu neste ano. Em 30 de dezembro de 2018, a moeda era cotada a R$ 3,87 e ontem (17), estava em R$ 5,30, 37% a mais. Assim, muitos produtos foram afetados, incluindo gasolina e itens alimentícios, o que reflete diretamente no dia a dia do jundiaiense.

Quem trabalha diretamente com produtos importados sente diretamente o impacto dessa perda de valor do real. Mesmo comercializando produtos diferentes todos sentem que o final de ano ainda será incerto.

Gerente de um restaurante e empório, Lucas Amorim diz que alguns alimentos subiram consideravelmente. "Foram vários reajustes e a gente não consegue repassar tudo porque não dá para mudar os preços do cardápio todo mês. Teve produto que quase dobrou, como farinha de trigo. Tomate, queijos importados, presunto parma, dispararam muito."

Com os sucessivos aumentos, o jeito foi diminuir a margem de lucro. "A gente fez um reajuste há algum tempo, mas diminuímos a nossa margem e estamos segurando, mas em algum momento vamos ter que repassar. não dá para reduzir demais a margem de lucro, senão não dá nem para pagar os funcionários."

Proprietário de uma loja que também vende alimentos importados, Claus Peters diz que a partir de outubro as vendas aquecem, mas também não sabe como será este fim de ano. "Infelizmente, é uma incógnita. A gente acredita em uma estabilização do dólar entre R$ 5 e R$ 5,20. Agora, que houve a alta do IOF [imposto sobre operações financeiras], subiu para os R$ 5,30, então, o cenário está fragilizado, qualquer coisa, qualquer declaração atravessada, todo mundo fica sensível."

Com relação a preços, Peters acredita que, com a estabilização do dólar, não haja mais reajustes. "De março até agora, os preços ficaram iguais, mas tivemos que reduzir a margem de lucro. Achamos novas importadoras que também reduziram a margem de lucro e mudamos nosso mix de produtos."

SECUNDÁRIO

O consumo de alguns produtos importados não é essencial, logo, é dispensável quando há uma crise. Isso acontece neste momento. Proprietário de uma loja que vende diversos tipos de produtos importados, de cosméticos a bebidas, Deverlei Chignolli vê as famílias diminuírem as compras. "Muitas famílias perderam emprego e diminuíram as 'regalias'. Se consumiam três, quatro litros de vinho por semana, vão consumir um, dois litros a cada 15 dias."

Ele diz que o problema para o setor vai muito além da alta do dólar. "Com a covid, todas as moedas subiram, o dólar, a libra, o euro, o iene, e mudou a acessibilidade de brasileiros no mundo. Tem países, como a Alemanha, que estão fechados para brasileiros, outros aceitam, mas para você negociar durante dois dias, precisa fazer um isolamento antes de 14 dias em um hotel que eles escolhem e arcar com todos os custos e alimentação", diz ele sobre a compra dos produtos, que também está mais difícil.

Proprietário de uma loja de eletrônicos, brinquedos e presentes, Silas Oliveira explica que até produtos do Brasil tiveram alta em decorrência da desvalorização do real. "Os produtos subiram muito, até alguns que não têm nada a ver por não serem importados. Casinha de boneca, por exemplo, a gente compra em cidades do interior, a madeira usada na produção é brasileira, mas também é vendida para o mercado externo, que paga mais com o dólar alto, então preferem vender para fora. Consequentemente, tudo aumenta por causa do dólar."

Para se manter, Silas diminuiu em 70% a margem de lucro, entre outras medidas. "Tínhamos três lojas antes da pandemia e hoje só tenho uma. O que eu vendo é supérfluo e quem mais compra são as classes B, C e D. É o pessoal mais impactado porque tem muito autônomo."


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