Jundiaí

Aluguel aumenta e juros altos têm parcela de culpa

IMÓVEIS O investimento a longo prazo em uma casa própria vem sendo afetado pela alta da Selic


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Wesley Roger Dias diz que as prioridades mudaram com a vacinação
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A venda de imóveis que vinha a todo vapor na Região de Jundiaí, teve uma leve queda em julho, último mês do levantamento realizado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CreciSP). Em contrapartida, as locações tiveram aumento significativo e um dos fatores para este perfil está no aumento dos juros. A taxa Selic, índice que compõe financiamentos, chega a 5,25% e tem mais um reajuste previsto para os próximos dias. Isso dificulta o acesso a financiamentos para a compra de imóveis. Bom para quem tem imóveis disponíveis para locação.

Segundo Regina Tochio, proprietária de alguns imóveis, a procura por aluguel está altíssima neste momento. "Quem me procura para alugar é porque não conseguiu direto com a imobiliária. Ano passado, por exemplo, o mercado imobiliário parou, mas quando começou a reabrir, em outubro, teve muita procura. Neste ano, deu uma acelerada. Tenho uns 20, 25 imóveis e só um está vazio."

Infelizmente houve muita inadimplência e as pessoas tiveram que recorrer à locação. "Quem aluga comigo é quem sempre morou de aluguel. O problema é inadimplência agora porque a pessoa assina o contrato e não sei se vai conseguir pagar. Já fiz muita negociação na pandemia e agora tem a explosão do IGP-M", diz ela sobre o índice utilizado para reajuste de aluguéis.

MOVIMENTAÇÃO DO MERCADO

Em abril deste ano, a Região teve alta procura para vendas e locações. Em maio, as vendas aumentaram absurdamente, 80,01% com relação a abril, mas as locações diminuíram. Em junho, tanto vendas quanto locações tiveram queda e, em julho, as vendas caíram 19,9% e as locações aumentaram 36,48% com relação ao mês anterior.

O corretor de imóveis Wesley Roger Dias lembra que o aluguel em Jundiaí é mais disputado que a venda por ser mais prático e acessível. "Antes, um financiamento era corrigido pela PR, taxa usada na correção do FGTS, e a poupança ou IPCA, mas os dois sofrem com o aumento da Selic, então interfere na aquisição. Boa parte de quem adquire um imóvel hoje em Jundiaí não é do município e com uma faixa salarial mais alta buscando qualidade de vida no interior. As pessoas de Jundiaí alugam mais."

Ele diz que agora as prioridades também mudaram, já que a casa era desejo de quem estava em isolamento. "Agora, com a vacinação e uma liberdade maior, as pessoas têm outras prioridades, querem viajar."

Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, essa mudança pode ter relação com os juros atuais. "A alta da Selic afeta o mercado porque qualquer aumento reflete na renda das famílias e elas não alcançam o patamar exigido para financiar, então não compram. Pensamos que os bancos iam absorver um pouco a alta da Selic, mas o impacto foi imediato nos financiamentos."

Sobre a Região de Jundiaí, Viana diz que a mudança entre vendas e locações mostra a tendência atual com relação ao cenário de instabilidade e o receio de quem compra e quem vende. "Quem ia comprar, alugou. Houve aumento de insumos, a logística de entrega de materiais de construção foi afetada. Quando o Brasil cresce 1,5%, estrangula todo o sistema. A incerteza da política econômica assusta. Os incorporadores ficam cautelosos e muitos desistiram de novos lançamentos neste ano, têm medo de não ter o insumo para trabalhar dentro do preço planejado."

PERSPECTIVAS

Vice-presidente de marketing e inteligência de mercado da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), Eli Gonçalves, diz que mesmo com o aumento da Selic, o mercado vai bem. "Fechamos o primeiro semestre com aproximadamente 1,3 mil unidades novas em estoque, o equivalente a apenas 3,1 unidades a cada 1 mil habitantes. Já no mercado de prontos, presenciamos que a classe média e média-alta continua determinada a fazer um upgrade do seu lar no curto prazo. Este é um público com mais reservas financeiras e com menor percentual em financiamento imobiliário, reduzindo o impacto da alta dos juros. Em suma, a vontade de comprar imóvel ainda é maior que a alta dos juros."

Gonçalves fala que lançamentos populares devem aumentar com incentivos federais. "Houve aumento de 10% no valor de teto dos imóveis dentro do programa Casa Verde Amarela e a redução de uma das linhas de financiamento imobiliário, atrelada a poupança, que já foi seguida por reduções de bancos privados", diz ele sobre a redução da taxa da Caixa Econômica.


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