Jundiaí

Falta de insumos é freio da retomada industrial

ECONOMIA Empresas sentem o impacto do abastecimento diminuto e do consequente aumento de preços


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Ricardo Lisboa diz que o aço nacional teve alta demanda na pandemia
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Durante a pandemia, a projeção de empresários e economistas era que o fim deste ano marcaria a retomada industrial em Jundiaí. No entanto, uma série de entraves acabou desacelerando essa retomada e um dos principais ainda é o desabastecimento de matéria-prima, o que também gera alta de preços do produto final.

Para o diretor-titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Jundiaí, Marcelo Cereser, vários motivos desencadearam a falta dos produtos na Região. "Tem muita produção de bebidas que usa garrafa PET no envase e no fim do último mês pegou fogo na maior planta de produção de PET do país, que é responsável por cerca de 65% do mercado. Algumas fábricas também estão com dificuldade de abastecimento de vidro para embalagens. Temos ainda problema crítico de fornecimento de aço. Então, vivemos uma crise de abastecimento generalizada por motivos diversos."

Cereser diz que as empresas imaginavam melhora para esta época do ano, mas esses problemas impedem a guinada. "Acho que a retomada está andando, têm setores melhores, outros nem tanto, mas está mais lento do que imaginávamos. O real desvalorizou, tem a seca que atinge diversas plantações e a geração de energia elétrica também, um dos principais insumos para todas as empresas", diz ele, admitindo que as empresas podem investir mais em geração própria de energia depois disso, mas ressaltando a falta de incentivo das esferas de poder para esta mudança.

CAUTELA

Vivendo uma quase estabilização, Cristiane Lima, proprietária de uma empresa que atua no ramo de plásticos, diz que o abastecimento de matéria-prima melhorou, mas ainda não é muito estável. "A gente teve dificuldade com insumo porque muitos são importados, como o polipropileno. Utilizamos só esse plástico, então tivemos pouco material e os preços aumentaram absurdamente. Agora melhorou o abastecimento, mas há marcas que ainda não chegam."

Cristiane diz que o pior período foi o início deste ano e, além do plástico em si, as embalagens também faltaram, impulsionando a alta dos preços. "Em agosto e setembro que o abastecimento começou a melhorar, mas o preço ficou alto. Pagávamos R$ 8, R$ 9 no quilo da matéria-prima, mas chegou a custar R$ 17, R$ 18, agora custa uns R$ 14, R$ 15. O papelão, usado em embalagens, era R$ 6, R$ 7, está R$ 11."

Gerente de uma empresa metalúrgica, Ricardo Lisboa diz que sentiu a falta do aço. "Produzimos fixadores especiais e parafusos para indústrias, principalmente a automotiva. Tivemos, há alguns meses, uma demanda maior, então ocorreu a falta de todos os insumos, mas agora a produção está voltando ao normal."

Lisboa conta que o fornecimento foi alterado pela não importação de alguns itens e por haver poucos fabricantes internos. "Como faltou material, o preço do aço disparou no Brasil, aumentou 150% em um ano e meio porque há basicamente três indústrias nacionais desse segmento e as empresas não conseguem importar por causa do valor do dólar. O abastecimento está normalizado agora, mas o preço não abaixa."

Gerente de uma fábrica de caixas e papelão, Clodoaldo Lovato diz que houve falta dos ingredientes do papelão, afetando a produção. "Os piores meses foram entre junho e dezembro do ano passado. Faltaram as matérias-primas, apara de papel e cola. Hoje não falta, está normalizado, mas caiu pedido de compra de caixa. A tendência é reaquecer no fim do ano."

Lovato fala que essa falta fez o preço do quilo do papelão subir praticamente 100%. "A reciclagem diminuiu no ano passado e fez diferença no mercado de aparas, algumas empresas chegaram a importar. A demanda também aumentou quando teve falta porque os clientes ficaram com medo de não ter embalagem, então dobraram, triplicaram pedidos. Empresas que fabricam papel também começaram a exportar mais por causa do dólar alto, então foi uma série de fatores."


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