Jundiaí

Reeducação alimentar é caminho para afastar problemas de saúde

OBESIDADE INFANTIL Para conscientizar os alunos da rede municipal, a Prefeitura de Jundiaí lançou, em 2018, o programa Enfrentamento à Obesidade Infantil


                                   ALEXANDRE MARTINS
Bárbara Fraga começou a se atentar à alimentação do seu filho Pedro
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O isolamento gerado pela pandemia agravou o problema dos maus hábitos alimentares das crianças e o ganho excessivo de peso. Em razão disso, os pais recorreram à reeducação alimentar para afastar os filhos dos problemas de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta alcance 75 milhões, índice preocupante que se tornou ainda mais crítico durante a pandemia.

De acordo com a nutricionista Ana Carolina de Lima Vertuan, a obesidade prejudica o desenvolvimento das crianças, principalmente a longo prazo.

"A criança obesa está mais suscetível a doenças respiratórias, ortopédicas, hipercolesterolemia, diabetes, hipertensão arterial e muitas outras complicações que reduzem as expectativas de vida", afirma a especialista.

Para a nutricionista, a doença pode ser evitada através de mudanças comportamentais e do estilo de vida. "É possível evitar o ganho excessivo de peso saindo do sedentarismo, mudando a alimentação através da reeducação, evitando açúcares e industrializados, sempre com o incentivo dos pais", afirma Ana Vertuan.

A empresária Bárbara Fraga, de 31 anos, é mãe do Pedro, de 10 anos, que desenvolveu uma alergia ao corante presente em sucos de caixa aos 3 anos. Com medo do quadro se agravar e seu filho desenvolver outras doenças alimentares, Bárbara acompanhou seu filho em uma reeducação alimentar. "Hoje em dia ele não come nenhum tipo de alimento industrializado, nossa alimentação é totalmente saudável", afirma a mãe.

A descoberta da doença alérgica do seu filho foi o ponto de partida para Bárbara começar a se atentar e estudar sobre alimentação saudável para oferecer uma qualidade de vida melhor para seu filho.

Hoje em dia, Pedro vive muito melhor comendo menos "besteiras". "Comecei a levar ele para fazer compras comigo no supermercado para ensiná-lo sobre o que era bom e o que fazia mal para o corpo", afirma.

ESPELHO

Segundo a nutricionista Ana Carolina, a alimentação dos pais reflete na dos filhos, por isso é essencial que eles se conscientizem. "As crianças aprendem com o exemplo dos pais e isso inclui a alimentação. A forma que ela é introduzida, o ambiente que acontece o momento da refeição e alimentos que são inseridos diariamente", explica.

A professora Ana Laura Hermann, de 42 anos, ensinou sua filha Olga, de 7 anos, sobre alimentação saudável desde muito cedo. As duas seguem o veganismo e a alimentação da mãe é um espelho para a filha. "Desde a introdução alimentar a minha filha sabe quais alimentos fazem bem e quais fazem mal para a saúde", afirma a mãe.

Ana Laura admite que sua filha se desenvolveu muito bem e nunca apresentou problemas de saúde relacionados à alimentação. "Ela nunca teve problemas por causa da alimentação que segue, no começo ela fazia acompanhamento com pediatra e tudo correu perfeitamente bem", afirma.

ALIMENTAÇÃO NAS ESCOLAS

Para conscientizar os alunos da rede municipal, a Prefeitura de Jundiaí, em conjunto com a Faculdade de Medicina (FMJ), lançou, em 2018, o programa Enfrentamento à Obesidade Infantil.

O estudo foi realizado em 27 escolas da rede municipal, compreendendo 5,5 mil alunos do Ensino Fundamental através de palestras, aulas, entrega de kits de alimentação e atividades educativas sobre nutrição oferecidas pelos alunos da FMJ.

O endocrinologista e professor responsável pelo programa, Francisco Homero D'Ambrosio, afirma que foi possível avaliar o impacto positivo nas crianças.

"As crianças que receberam a orientação nutricional apresentaram aumento no percentual de carboidratos saudáveis e reduziram os obesogênicos, nos dias de semana", afirma o especialista.

Com a chegada da pandemia, o projeto precisou ser interrompido, mas já tem previsão de retomada para este ano. "Pretendo retomar o programa em três escolas até o final deste ano, como ainda estamos vivendo na pandemia, vamos voltar aos poucos", afirma D'Ambrosio.

 


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