Jundiaí

Primavera traz flores, mas também alergias

CRISES A estação é ruim para quem sofre com problemas respiratórios, já que intensifica o agravamento


        ALEXANDRE MARTINS
Fabiano Galzoni precisa ter precauções com a filha, Clara, na estação
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A primavera chega com variações bruscas de temperatura e polinização mais intensa das flores, motivo de crises alérgicas para muitas pessoas. A pediatra, alergista e imunologista infantil da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Aline Mendes, explica que algumas pessoas têm sensibilidade ao pólen, comum nesta época, e por isso desenvolvem fortes crises alérgicas. "A variação de temperaturas nesta época também é um gatilho para as crises alérgicas", explica.

Este é o caso de Clara Mojola Galzoni, de 10 anos, filha de Daniela Mojola e Fabiano Galzoni. "Desde bebê tinha bronquiolite e dermatite, um dos sinais da bronquiolite, mas há cerca de cinco anos, ela fez exame de sangue e descobrimos que tem alergia a pólen. Nós estávamos em uma viagem e fomos a um borboletário, aí ela teve uma crise", conta a mãe.

Daniela diz que Clara tem as alergias mais controladas agora, mas sempre toma cuidado. "Na primavera a gente já fica em alerta por ser época de polinização e que venta bastante. Já sabemos os sintomas dela, que é uma tosse seca, parece uma gripezinha. Para a prevenção de crises, a gente usava um remédio junto com homeopatia. Sempre limpamos o nariz dela para não juntar secreção e ela também faz exame de sangue para ver se é necessário tomar alguma vitamina, porque a imunidade não pode estar baixa."

Sobre identificar os sinais da alergia a pólen, Daniela diz que observar o ambiente é essencial. "É importante observar a rotina e os locais em que a pessoa vai quando inicia a alergia. Lugar com muita flor, sei que solta pólen, já não deixo ela ficar perto. Apiário também é perigoso, árvores que têm abelhinhas, nessa época do ano fica cheio."

CLIMA

Gisele Flauzino da Silva, de 27 anos, também sofre com problemas respiratórios nesta época do ano, mas ela não tem alergia a pólen, tem rinite. "Quanto mais seco o tempo, pior. Agora é ruim porque tem uma temperatura de manhã e à noite é outra. Para controlar as crises alérgicas, eu tomo um remédio todos os dias antes de dormir."

Gisele toma cuidados em casa para evitar as crises e, no caso dela, a máscara não ajudou a evitá-las. "Não tenho cortina, tapete e não deixo acumular pó, limpo sempre. No começo da pandemia, eu não conseguia ficar com máscara, espirrava muito e a máscara ficava úmida. Ano passado foi bem ruim, fiquei com crises todos os dias, 24h por dia, não tinha o que fizesse parar. Melhorou depois que comecei a tomar o remédio que tomo agora."

CUIDADOS

A pediatra Aline Mendes diz que o principal método para evitar crises alérgicas respiratórias é a hidratação e higienização das narinas. "A lavagem nasal com soro fisiológico, todos os dias, de maneira regular, ajuda a manter o nariz úmido e limpo, então ajuda a diminuir crises. A baixa umidade do ar também provoca crises respiratórias, provoca a irritação nos olhos, dermatite, então é preciso também manter a pele hidratada e lubrificar os olhos, mesmo que seja apenas com soro fisiológico", explica.

Aline fala que o momento de procurar ajuda clínica quando se tem uma alergia é se há frequência ou intensidade. "Se a pessoa tiver falta de ar e muita tosse, aí ela precisa procurar a emergência, porque pode ser asma. Nos hospitais, não temos dado inalações por causa da covid. A inalação não é indicada se a pessoa tem sintomas infecciosos, como febre, tosse, falta de apetite, porque ela pode ajudar a espalhar um vírus no ambiente. Para evitar um possível contágio, é preferencial que a pessoa beba água para se manter hidratada."

PREVISÃO

Para esta primavera, segundo o Climatempo, empresa que oferece serviços de meteorologia, o estado de São Paulo deve ter bastante calor e chuva já na primeira quinzena de outubro. Na segunda quinzena, as chuvas devem ficar mais constantes. Em novembro, as temperaturas ficarão mais amenas, mas variando bastante, e a chuva deve ficar abaixo da média. Já em dezembro, as temperaturas devem subir mais e a chuva seguirá irregular ao longo do mês. A próxima estação, o verão, vai começar no dia 21 de dezembro.


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: