Jundiaí

Indústria gera 80% das vagas de aprendizes

JUNDIAÍ O setor foi o único que manteve saldo positivo de vagas no primeiro semestre do ano passado


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Fernanda de Souza foi contratada para uma área semelhante ao estudo
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Entre contratações e desligamentos, Jundiaí registrou este ano saldo de 321 vagas de aprendizes. Destas, 257 são na Indústria, o que significa uma demanda de 80%. Foram 1.332 contratações entre janeiro e julho deste ano e 1.011 desligamentos no mesmo período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Um dos principais recrutadores destes jovens, o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), informa que em agosto deste ano foram contratados 1,4 mil jovens, contra 1,1 mil aprendizes no ano passado, o que resulta em um aumento de 27%.

Bom para quem conseguiu, desde cedo, um lugar no mercado de trabalho. É o caso da aprendiz do setor de desenvolvimento de ferramentas, Fernanda de Souza Visnardi, de 18 anos.

A estudante de Engenharia Química já sinaliza um futuro dentro da empresa. "Desenvolvimento de ferramentas tem bastante a ver com engenharia em si, a questão dos processos. A gente aprende não só na prática, mas também com as aulas, então tem a formação a mais que ajuda no mercado de trabalho. Acho que nos primeiros anos depois de sair do ensino médio, é difícil entrar no mercado pela falta de experiência. A aprendizagem também dá uma noção das habilidades, ajuda a achar em qual área você tem mais afinidade."

Aos 20 anos, Vinícius Leandro Aliaga de Oliveira, do setor de e-commerce e estudante de Ciência da Computação acha a aprendizagem dentro da empresa importante para seu futuro profissional.

"A gente ganha conhecimento e experiência e a melhor maneira de aprender algo é vivenciando. Este é o meu primeiro emprego e acredito que o mercado de trabalho seja difícil para os jovens. Quando se é aprendiz, o processo fica mais fácil."

Ele diz que a empresa respeita o tempo de cada um aprender, mas o conhecimento é absorvido. "Com essa experiência, acho que entro mais confiante em outras empresas. Trabalho no setor de e-commerce, então vejo muitas coisas relacionadas à minha área de estudo também."

BONS NÚMEROS

Com esta tendência de abertura de vagas, os postos perdidos durante o ano passado tendem a ser repostos até o fim deste ano. Em 2020, o saldo ficou negativo, em -497 vagas. A maior perda de postos foi em Serviços (-186), seguido pelos setores de Comércio (-170), Indústria (-132), Construção (-9) e Agropecuária, que zerou o saldo admitindo e desligando o mesmo número de aprendizes.

A Indústria, porém, que foi o único setor a manter saldo positivo no primeiro semestre de 2020, teve a perda mais significativa no segundo semestre do ano passado, com 143 desligamentos.

O gerente de RH da Astra, João Storarri, diz que a empresa teve uma variação positiva durante a pandemia, mas que manteve o mesmo nível de contratações, pois não chegou a superar 10% do quadro, que atualmente é de 83 aprendizes, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Juventude Cívica Poaense (Jucip).

"Com a Lei da Aprendizagem, não tivemos dificuldade para nos adaptar."

Storarri fala que muitos aprendizes ficam na empresa, mas reclama do ciclo mais curto de contratação para o aprendizado. "A maioria é efetivada, inclusive na área em que atuam, e outros bons que cadastramos para caso surja uma oportunidade. Já foi melhor, quando o contrato permitia ciclos de dois anos, os aprendizes conseguiam aprender mais e, por ficarem mais tempo, tinham mais oportunidade de efetivação no período, então 80%, 90% dos aprendizes eram efetivados. Hoje, o ciclo é mais curto, são só oito meses, então não tem muita oportunidade neste período."

 


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