Jundiaí

Aumento da taxa Selic afeta o poder de compra dos consumidores

É a quinta elevação consecutiva da taxa Selic em 2021 e o maior nível desde julho de 2019


ARQUIVO PESSOAL
Gabriela Ribas explica que é o momento de ser cauteloso no consumo
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O Banco Central anunciou esta semana o aumento para 6,25% da taxa básica de juros Selic, principal ferramenta do banco para controlar a inflação. Pode parecer pouco, mas este aumento de 1% (de 5,25% a 6,25%) recai diretamente no bolso do consumidor que começa a sentir a diferença no poder de compra.

Esta é a quinta elevação consecutiva da taxa Selic em 2021 e o maior nível desde julho de 2019. Segundo o presidente da Associação Comercial Empresarial de Jundiaí (ACE), Mark William Ormenese Monteiro, este aumento é prejudicial para os setores industrial e comercial. "Afeta diretamente a geração de novos empregos e a aquisição de linhas de crédito pois ficam mais caras a partir deste reajuste", relata.

Além de impactar os negócios, o presidente afirma que a alta do juros também é um fator que dificulta a vida dos consumidores. "No Brasil existe uma cultura forte de compras parceladas e com este aumento o crédito fica mais caro, reduzindo o espaço para o consumo", explica.

CONSEQUÊNCIAS

De acordo com o economista Marino Mazzei Júnior, os juros são utilizados para controlar a inflação, ou seja, quando a inflação está alta, o Banco Central sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando está baixa, os juros são derrubados para estimular o consumo.

"O aumento da Selic influencia negativamente o consumo da população e estimula o consumidor a economizar", afirma Mazzei.

Segundo o especialista, o aumento de juros é o momento em que o consumidor se retrai e adia o desejo de consumo. "É o período que fortalece outras atividades econômicas, como as aplicações financeiras no mercado investidor", afirma o economista.

ORIENTAÇÕES

De acordo com a chefe do Procon Jundiaí, Gabriela Ribas Glinternik, o aumento da Selic significa créditos mais caros e, neste momento, o consumidor não deve olhar só o valor das parcelas, sendo necessário pensar no custo final, que será muito maior do que gostaria de pagar. "Minha orientação é que o consumidor analise o quanto ele vai pagar no custo final do produto, além da necessidade da compra e suas condições", afirma a advogada.

Ela ainda explica que é o momento de ser cauteloso com as compras e ter um consumo consciente para não gastar mais do que o previsto. "Os consumidores devem ter em mente que este não é o momento ideal para exagerar nas compras", completa Gabriela Glinternik.

De acordo com levantamento do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), mais da metade da inflação, neste ano, é resultado da disparada dos combustíveis, energia e carne. Esses estão entre os itens que mais têm pesado no bolso do brasileiro e na inflação.

(Luana Nascimbene)

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: