Jundiaí

Fenômenos da astronomia atraem novos interessados

Cada vez mais pessoas se aprofundam no amplo universo do sistema solar


                                           ALEXANDRE MARTINS
O estudante Cauan Kazama é um dos representantes de Jundiaí na OBA
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O amor pelo universo da astronomia vai além de observar a lua e as constelações. Os recentes fenômenos e eventos astronômicos têm convidado cada vez mais pessoas a se aprofundarem pelo amplo universo do sistema solar, seja por hobby, profissão ou para estudos científicos.

Atraindo todos os públicos, as missões oficiais, lideradas pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos da América (NASA) e pela fabricante de foguetes SpaceX, são a marca registrada da astronomia. Lançamentos de foguetes, viagens espaciais e voos orbitais são alguns dos eventos que costumam bater recorde de espectadores.

Além da missões espaciais, o ano de 2021 foi repleto de fenômenos astronômicos, como chuvas de meteoros, eclipses e superluas.

Para o professor de física e astronomia, Virgílio Parreira Siqueira, o interesse pela área vem crescendo significativamente e um dos fatores deste crescimento é consequência da pandemia. "O coronavírus nos forçou a ficar em casa e observar, com mais atenção e carinho, a natureza ao nosso redor. As pessoas passaram a observar e compartilhar, cada vez mais, as fases da lua e as constelações, por exemplo", afirma Virgílio.

O professor explica que, neste ano, houveram fenômenos importantes e, por conta da menor quantidade de poluição e a facilidade de visualização em relação aos anos anteriores, trouxeram mais pessoas à observação e ao interesse pela astronomia.

"A conjunção planetária de Marte e Vênus, a ocultação de Marte, eclipses lunares, chuva de meteoros e o lançamento de astronautas à Estação Espacial, visto por milhões de pessoas através do Youtube, foram os maiores eventos da astronomia deste ano, até o momento", afirma Siqueira.

OLIMPÍADA

Representando Jundiaí na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), o estudante Cauan Hideki Magalhães Kazama concilia os estudos para as seletivas com as aulas escolares, e dedica mais de oito horas por dia para se preparar para as provas. "Eu começo a estudar às 7h30 com turnos de 50 minutos e uma pausa de 15 minutos para descansar e vou até às 20h, alternando entre estudar para a olimpíada e prestar atenção nas aulas", afirma Cauan Kazama.

A área das exatas, como a física e a matemática, sempre foi a preferida do estudante. Ele começou a se interessar pela astronomia há pouco mais de um ano, quando foi influenciado por dois amigos que já participavam da olimpíada e incentivaram Cauan a se inscrever no processo seletivo. "Acompanhei o processo de perto e comecei a me interessar bastante pelo assunto, pois os dois me incentivaram e foram verdadeiros mentores", diz.

O estudante já participou de duas olimpíadas de astronomia, uma de física e três de matemática. Para ele, a OBA foi a que mais o incentivou a aprender sobre o assunto. "A olimpíada de astronomia é a mais longa entre as demais, pois é dividida em mais fases, possibilitando que o aluno se aprofunde em diversas áreas da disciplina", afirma Kazama.

Estudar astronomia não é uma tarefa fácil, visto que se trata de um universo muito amplo com novidades a todo momento. Em razão disso, Cauan precisa ir além dos livros e exercícios básicos da matemática para estar antenado aos assuntos. "Alguns tópicos eu estudo pela internet, assistindo a vídeo-aulas, mas os assuntos mais avançados você só encontra nos livros de faculdade", explica.

Para auxiliar os participantes, o professor Virgílio Siqueira começou a gravar vídeos para a internet, explicando as questões das provas das olimpíadas e tirando as dúvidas dos alunos. "Percebi o grande interesse dos jovens por essa disciplina e decidi disponibilizar materiais para auxiliar no estudo deles", afirma.

EQUIPAMENTOS

Há quem diga que é necessário adquirir equipamentos profissionais para acompanhar os eventos astronômicos. De acordo com Virgílio, o instrumento mais importante de um astrônomo é o próprio olho. "Com ele podemos verificar estrelas de diferentes cores, planetas, constelações e eventos envolvendo a lua", afirma o professor.

Além disso, existem softwares que podem auxiliar na observação do céu. Agora, caso a pessoa queira algo para melhorar a capacidade visual, deve partir para os binóculos, lunetas e telescópios.

MISSÃO ESPACIAL

Um capítulo histórico na saga das viagens espaciais foi concretizado neste mês. A SpaceX, uma das principais fabricantes de foguetes dos Estados Unidos, realizou com sucesso o primeiro lançamento de uma viagem orbital tripulada apenas com civis, sem astronautas, ao espaço.

A missão, batizada de Inspiration4, atraiu mais de 1,2 milhão de espectadores através da transmissão oficial pelo Youtube.

(Luana Nascimbene)

 


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