Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: Hoje é Dia de São Cosme e Damião, uma data que ressalta o sincretismo religioso


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JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI
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Maria-mole, cocada jujuba, doce-de-abóbora, pirulito, paçoquinha, suspiro e muito mais. No dia 27 de setembro, em muitos lugares do país, principalmente em Salvador na Bahia, milhares de crianças se deliciarão com esses doces.

Mais uma vez, a tradição, de distribuir pacotinhos cheios de doçuras no dia de São Cosme e Damião será motivo de alegria para a meninada. Há quem os doe para pagar promessas. Outros, por devoção aos santos. E muita gente monta os saquinhos todos os anos por tradição familiar ou para agradecer por pedidos atendidos.

Esses santos são reverenciados, tanto pela Igreja Católica, como pelo Candomblé, e sua comemoração integra também o grupo de festas folclóricas brasileiras. Na verdade, não sabe ao certo se Cosme e Damião eram gêmeos. Eram certamente irmãos e cristãos nascidos na Arábia.
A tradição conta que os dois eram médicos, estudaram e se diplomaram na Síria. Ao se converterem ao catolicismo, aliaram os preceitos da fé aos conhecimentos científicos. Assim, seus tratamentos eram vistos como verdadeiros milagres. E chamavam a atenção dos pagãos, por não cobrar pelas consultas e curas.

A história de domínio popular conta que por isso eles morreram decapitados. Por volta de 530 d.C., o então imperador Justiniano ficou gravemente enfermo e mandou construir uma igreja em Constantinopla em honra de São Cosme e Damião. A solenidade de abertura do templo ocorreu no dia 27 de setembro daquele ano. Desse modo, os santos passaram a ser festejados nessa data. São Venerados como padroeiros dos médicos e dos farmacêuticos.

Todo dia 27 acontece a cerimônia da fraternidade, inspirada pela caridade dos santos Cosme e Damião. A cerimônia da fraternidade não se esgota no elemento religioso; além do folclórico, há o gastronômico como o prato típico baiano, - o caruru -, dá um sabor de qualidade à festa. Preparado com folhas de taioba ou quiabo, vatapá, azeite de dendê, arroz, acarajé, frigideira de camarão, pipoca, rodelas de cana, cocada, banana frita, aves em geral e bebida à vontade, o caruru constitui o “alimento santo”, que é servido também na Sexta-feira Santa.

A devoção dos santos Cosme e Damião alcança, como se vê, as influências do sincretismo religioso, criado pela própria situação histórica, o que demonstra a grandiosidade dos mesmos no apreço popular. Afastando-se um pouquinho dos regimes, muita gente adora o Dia de São Cosme e Damião!

 

*João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])


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