Jundiaí

Cresce 80% queixas contra instituições financeiras

JUNDIAÍ Segundo o Procon Jundiaí, entre os dias 1 e 27 de setembro foram contabilizados 57 registros


                   ALEXANDRE MARTINS
Geraldo de Camargo reclama que a oferta de empréstimos é grande
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O aumento de reclamações referentes a instituições financeiras chegou aumentar 80% em Jundiaí no comparativo entre agosto de 2020, quando houve 105 registros contra 190 neste ano.

Os dados são do site consumidor.gov.br que ainda revela que em setembro de 2020 foram 165 reclamações a estas empresas na plataforma, sendo empréstimos consignados sem autorização e produtos não contratados as principais queixas.

Segundo o Procon Jundiaí, entre os dias 1 e 27 de setembro deste ano foram contabilizados 57 registros, entre reclamações e consultas que envolvem créditos consignados. A maioria é referente a consignado do INSS, sendo o problema mais reclamado a cobrança por serviço, produto não contratado, não reconhecido e não solicitado. Muitos reclamantes são idosos aposentados e pensionistas, principais alvos dessas empresas.

As instituições que oferecem empréstimos consignados costumam ter acesso a dados de aposentados e pensionistas e oferecem condições especiais para este público, mas por vezes acabam os lesando. Aposentado, Geraldo de Camargo, de 82 anos, acabou pegando alguns empréstimos e paga mais de seis vezes o valor emprestado.

"Peguei um empréstimo de R$ 621 e vou pagar quase R$ 4 mil. Já paguei um empréstimo, agora tem esse que vence em novembro e outro que pago até o ano que vem. Eu precisei do dinheiro e tive que pegar, mas na atual conjuntura não dá nem para pensar em pegar empréstimo de novo. Não tem lei para proteger o povo. Hoje é uma vergonha, uma pessoa que recebe R$ 1.100, não consegue sustentar a família", reclama.

Ele reclama que percebe diferença na forma como os empréstimos são oferecidos atualmente. "No meu tempo tinha que ter garantia de que ia pagar, provisória, hoje dão dinheiro adoidado e salve-se quem puder."

Já o aposentado Claudionor Marazzatto, de 79 anos, relata que nunca pegou empréstimo, mas recebe ligações com oferta sempre. "O banco em que tenho conta oferece sempre. Sou cliente há anos, então falam que têm não sei quantos mil reais de crédito, mas não me interessa. Dívida no banco complica, os juros são absurdos e não dá para pagar depois. Às vezes também ligam oferecendo, acho que são financeiras."

OFERTA

No estado de São Paulo, o Procon-SP informa que este ano registrou aumento de 156% no número de reclamações entre janeiro e agosto, comparando-se ao mesmo período do ano passado. Só entre janeiro e agosto já houve 6.542 queixas, mais do que todo o ano passado, quando foram 6.502.

A presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região (AAPJR), Fé Juncal, diz que toda semana a associação precisa oferecer assessoria jurídica relativa a isso. "Recebemos de duas e três pessoas toda semana que buscam orientação jurídica porque receberam dinheiro que não pediram, receberam e não conseguem devolver. Desde o início da pandemia, além de ter aumentado a quantidade de pessoas que buscam empréstimo por diversos motivos, também aumentaram os depósitos endividados."

Ela acredita que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) deve ajudar na questão das empresas que conseguem os dados de idosos para oferecer empréstimos, como telefone, endereços e até renda mensal. "O que acontece é a fragilidade pela idade e pelo momento. Tem família que se sustenta com uma aposentadoria. As pessoas buscam recursos e aí vem os abusos."


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: