Jundiaí

No meio de tanta 'gourmetização', os tradicionais seguem em alta


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Há mais de 20 anos no ramo, Pardal continua firme e forte com os lanches
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Entre tantos pratos elaborados e alimentos que foram se 'gourmetizando' para atender as demandas do mercado consumidor, em Jundiaí, os tradicionais lanches de rua seguem firmes e em alta, com isso, os cozinheiros desses populares "podrões" continuam se destacando pelos bairros.

Assim é o caso de José Roberto da Silva, de 50 anos, mais conhecido como 'Barriga', que foi ganhando fama pela região da Vila Hortolândia com seus lanches caseiros, o x-tudo e o hot dog.

"A intenção é de fazer algo saboroso, que encha a barriga e satisfaça quem comer. Sempre fui um grande fã de lanches, mas hoje em dia, há muitos que estão caros e nem alimentam direito", conta.

Barriga trabalha no setor da construção civil, mas por conta da idade, procurou outras formas de fazer sua renda e, como já fazia lanches para sua família, resolveu arriscar. "No início da pandemia, em abril de 2020, comecei a vender meu x-tudo para os vizinhos da rua e, então, fui recebendo ótimos feedbacks e me dando mais motivação para continuar", ressalta.

Cozinhar é uma das paixões de Barriga e abrir um espaço para vender seus pratos é sua grande meta. "Os vizinhos foram voltando aqui em casa para comprar mais lanches e, assim, no boca a boca, outros moradores do bairro começaram a me procurar. Atualmente, tem até pessoas do Jardim das Tulipas vindo comprar os lanches", pontua.

Após seu x-tudo bombar, Barriga criou e começou a montar um hot dog. "Estou especializando mais uma receita também, a batata recheada, mas ainda não vendi para fora, continua sendo mais para a família por enquanto. Tanto o x-tudo, quanto o hot dog saem por R$ 10 e trabalho somente com retirada. Os pedidos podem ser feitos pelo Whatsapp", completa.

Barriga recebe pedidos todos os dias, normalmente, a partir das 18h. "Levo em torno de 15 minutos para preparar os ingredientes e, depois disso, montar os lanches acaba sendo rápido, em poucos minutos. Assim que alguém faz o pedido, já começo a prepará-lo", explica.

No momento, Barriga não está em aplicativos ou em redes sociais para divulgação, mas é um plano para o futuro. "Eu até tenho chapa, mas ela muda um pouco o sabor do lanche e deixa muito oleoso, por isso prefiro fazer no grill", afirma.

A partir das sextas-feiras, a procura pelos lanches de Barriga dispara. "Sem divulgação e nem nada, já cheguei a vender 43 lanches numa sexta. Mas é periódico também, as vendas são melhores perto da data de pagamentos dos salários, no começo do mês", comenta.

EXPERIÊNCIA

Há mais de 20 anos no ramo, Agnaldo dos Santos, popularmente conhecido como "Pardal", afirma que seus lanches tradicionais continuam firmes e em alta.

Pardal começou a vender comida na rua, em Vinhedo, após receber um calote de uma empresa e se viu obrigado a precisar fazer algo rapidamente para conseguir seu sustento. "Como já trabalhava com refeições, resolvi fazer lanches em casa e vendê-los na rua, na época, trabalhava só com meu hot dog prensado, que era um diferencial", conta.

Ganhando reconhecimento com seus lanches, principalmente nas saídas de festas e baladas, Pardal teve uma oportunidade de vender em um evento organizado por pessoas de Jundiaí. "O dono me procurou, dizendo que tinha ótimas recomendações minhas e pediu para que eu trabalhasse no evento. A partir disso, fui ganhando mais reconhecimento e popularidade, ficando cada vez mais estável no ramo", ressalta.

Pardal se instalou em Jundiaí, em 2007, quando colocou uma towner em frente a sua casa, no Jardim Bonfiglioli, permanecendo até os dias de hoje. "Eu já tinha a opção de vender em frente a uma faculdade, desde 2001, mas só em horários específicos, já aqui em casa é todo dia", comenta.

Atualmente, Pardal oferece 26 opções de lanches, com diferentes recheios. "Me modernizei um pouco sim, principalmente na pandemia, para conseguir sobreviver. Tenho opções veganas e alguns pratos gourmets, mas o carro-chefe continua sendo o bom e velho lanche tradicional, como o x-burguer e o x-bacon, nada supera", afirma.

Para Pardal, os "podrões" continuam com muito destaque, principalmente se a pessoa tiver qualidade e souber trabalhar na rua. "A grande diferença entre meus lanches tradicionais e os gourmets é que os tradicionais são todos prensados, ou seja, são muito práticos para comer na rua, no carro, onde for, sem se sujar. Já o gourmet, precisa tomar cuidado, pois ele é muito delicado, às vezes precisa ter um prato ou bandeja junto, até garfo e faca", pontua.

Os lanches tradicionais de Pardal saem a partir de R$ 10 e fora seu trailer, ele também atende pelo Whatsapp. "O negócio do lanche é matar a fome, tem muito lanche gourmet por aí que você acaba pagando mais caro e continua com fome, as pessoas comem ele só com o olho", completa.

(Lucas Hideo)

SERVIÇOS

Barriga: (11) 97244-0643

Pardal: (11) 95679-2497


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