Jundiaí

Em Jundiaí, colmeias chegam a ter 15 mil abelhas com várias espécies

RENDA Ao comemorar o Dia Nacional das Abelhas, lembrado amanhã (3), os apicultores ou amantes da prática sabem da importância da criação


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marçal rizzato
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Apesar de haver registro de apenas quatro criadores de abelhas em Jundiaí, segundo a Unidade de Gestão de Governo de Finanças (UGGF), esta cultura tem sido destaque para gerar renda, mas também ajudar o meio ambiente.

Ao comemorar o Dia Nacional das Abelhas, lembrado neste domingo (3), os apicultores ou amantes da prática sabem da importância da criação, tanto para a polinização ou fabricação de mel. O meliponicultor Névio Savieto, proprietário de um meliponário, ou seja, de uma criação de abelhas do gênero 'melipona' que não possuem ferrão, diz que o trabalho com abelhas nativas já é um hobby.

"O meu foco é a produção de 'enxames', que é a multiplicação de colmeias para depois serem disponibilizadas às pessoas que querem começar suas criações. Além disso, também faço serviços com educação ambiental em empresas e escolas", conta.

Segundo Savieto, a criação de abelhas está em alta hoje em dia. Virou um hobby, como se fossem animais de estimação. "Tenho meliponários em Jundiaí e Várzea Paulista e atualmente conto com cerca de 130 colmeias, entre 15 espécies diferentes e em cada colmeia, há entre 500 a 15 mil abelhas", afirma.

MEL

Há mais de 20 anos, o apicultor Marçal José Rozatti cria a espécie 'apis mellifera', um híbrido entre a abelha africana e a italiana, em seu apiário, com foco na produção de mel e outros derivados. "No momento estamos na 'entre-safras' pois acabamos de sair de um inverno rigoroso e de muita seca. Em nossa região, há um excelente potencial de produção de mel silvestre por conta da Serra do Japi", comenta.

De acordo com Rozatti, as três principais safras são a de mel silvestre durante a primavera; o mel de eucalipto no verão; e o mel de laranja no início da primavera. "Essas são as três principais floradas que ocorrem no estado de São Paulo e cada origem botânica que a abelha se alimenta, oferece um sabor, uma cor e uma textura diferente no mel. A safra silvestre costuma ser a de maior rendimento", completa.

Além do mel, Rozatti também produz própolis, pólen e geleia real. "Temos duas lojas na cidade para a comercialização dos itens, uma na Vila Arens e outra na avenida Jundiaí. Hoje conto com 100 colmeias e no auge das safras, cada colmeia fica com cerca de 40 mil abelhas, chegando em torno de 2,000 kg de mel por safra", ressalta.

MEIO AMBIENTE

Segundo o ecólogo William Bercê, as abelhas são de extrema importância para a manutenção da biodiversidade e para colocar comida na mesa das pessoas. "Há mais de 20 mil espécies de abelhas no mundo e a maioria delas são solitárias, ou seja, não formam colmeias e nem produzem mel", conta.

Bercê afirma que a conservação do meio ambiente está estruturada pela relação ecológica da polinização. "Mais de 90% das árvores dependem de polinização biótica, ou seja, através dos animais. As abelhas correspondem a um dos grupos mais importantes de polinizadores pois, em sua maioria, elas dependem das flores, se alimentando de néctar e pólen, formando essa relação intrínseca entre as abelhas e as plantas de flores", pontua.

É através da polinização que ocorre a fecundação das espécies, formando frutos e sementes, que estão diretamente relacionados a perpetuação de florestas. "Além disso, também está ligado a questão da produção de alimentos, pois há muitos que são extremamente dependentes da polinização, como o maracujá e o melão", explica.


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