Jundiaí

Em Jundiaí, 36 crianças estão sob acolhimento

ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL Do acompanhamento psicológico ao ensino de valores básicos, instituições contribuem para reinserção social


ALEXANDRE MARTINS
A assistente social Marli Brilha Cremones fala da importância de focar na educação informal da criança
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Devido a falta de suporte familiar ou, em alguns casos, de abusos de violência, físicas ou psicológicas, crianças e adolescentes são afastadas de suas famílias para se recuperarem em casas de acolhimento. Em Jundiaí, a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) custeia o acolhimento institucional de até 55 crianças e adolescentes nas Organizações da Sociedade Civil (OSC), entre elas, Casa de Nazaré e a Casa Transitória, com as quais celebra termo de colaboração.

De acordo com os dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça, até a última semana de setembro, o Brasil contabilizava 29.294 crianças acolhidas. Dentre essas, 4.220 estão disponíveis para adoção e 16.858 foram reintegradas desde 2020.

Em 2021, foram acolhidas 28 crianças e adolescentes. No ano passado houve 80 acolhimentos, dos quais 52 entre janeiro e setembro. Atualmente, as OSC possuem 36 acolhidos.

Segundo a coordenadora da Casa de Nazaré, Maria Aparecida da Silva, de 66 anos, a instituição trabalha com a modalidade chamada 'Casa Lar', atualmente com 16 crianças de zero a 18 anos em estado de acolhimento.

"Na prática, a diferença é que temos casas menores em uma área comum e, em cada uma dessas casas, existe um espaço organizado que visa proporcionar aos acolhidos um ambiente familiar, passível de integração e propício para o desenvolvimento pessoal e dos valores individuais", explica.

Ela relata que as criança chegam muito fragilizadas pelo momento em que vivem e por isso a adaptação não se dá de um dia para o outro. "Ela é acolhida por todos os profissionais e, quando ela percebe que está em um ambiente de afeto e segurança, esse processo se torna mais fácil", relata a coordenadora.

Durante o acolhimento, é realizado um trabalho junto à rede socioassistencial até o retorno à família de origem, à família extensa, que são os parentes próximos, ou então, quando esgotadas as possibilidades são encaminhadas para adoção. "Quando essas crianças chegam até nós, em muitos dos casos, as próprias famílias violaram os seus direitos e, por esse motivo, muitos não se enxergam enquanto cidadãos que devem ter seus direitos respeitados. Faz parte do nosso trabalho oferecer esse espaço curativo para que a criança supere seus traumas do passado e possa desenvolver a capacidade de entendimento enquanto sujeitos sociais. Posteriormente, quando os vemos bem ao lado de suas novas famílias ou reatando laços familiares que já possuíam, conquistando o mercado de trabalho e crescendo, sentimos que o nosso trabalho está sendo feito da forma correta", reitera a coordenadora.

EDUCAÇÃO INFORMAL

Além das casas de acolhimento integral, há ainda as instituições que recebem as crianças no contraturno escolar para a realização de atividades informais e acompanhamento psicossocial. Essas instituições operam em parceria com a Unidade de Gestão de Educação (UGE), e atualmente podem acolher até 335 crianças, pela Educação Infantil e Ensino Fundamental, nas instituições Lar Galeão Coutinho, Lar Wilson, Casa da Criança e Aprendizado Dom José Gaspar.

A assistente social Marli Brilha Cremones, de 51 anos, atua na Casa das Crianças Nossa Senhora do Desterro há quatro anos e explica que a instituição foca na educação informal com o intuito de complementar o que a criança aprende na escola. "Dentro do ensino informal, nós trabalhamos as habilidades de socialização da criança, além de introduzir a ela os princípios básicos de convivência, como os valores que deve ter, seus direitos e deveres. Além disso, também trabalhamos o lúdico", pontua.

Em parceria com a rede municipal, as crianças recebem até transporte da escola em que estudam até a instituição e, de segunda a sexta, participam de oficinas que contribuem para o aprendizado, como artesanato, dança e jogos educativos para que a criança possa exercitar o seu protagonismo. "Além das oficinas, temos um olhar individualizado para cada uma dessas crianças. Isso faz toda a diferença pois eles percebem que são importantes para nós e não apenas mais uma que está ali entre os demais", ressalta a assistente social.

Presente na Casa da Criança há mais de 40 anos, a irmã Alcinda Primon, de 53 anos, afirma que a recuperação e reinserção social é possível. "Quando uma criança chega até nós, o primeiro passo é entender o cenário do qual ela provém. Em seguida, analisamos as mudanças de comportamento e ficamos atentos para que os problemas pelos quais elas passaram não reflitam em suas vidas, ainda que o futuro seja incerto. Acreditamos que quando a criança está imersa em um ambiente de bem e esperançoso, as chances de recuperação são maiores, uma vez que o ambiente por si só já a favorece", ressalta a irmã.

PROGRAMAS
COMPLEMENTARES

Além das casas de acolhimento e que operam com atividades em parceria com a UGE, a UGADS proporciona ainda o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), oferecido nos Centro de Referência de Assistência Social (Cras).

A iniciativa visa trabalhar a construção e reconstrução de vivências individuais e em sociedade, por meio de atividades artísticas, culturais, de lazer e esportivas. Neste momento, as atividades, que vinham sendo realizadas de modo virtual, estão sendo retomadas de modo presencial. Atualmente, participam do serviço 180 crianças (até 12 anos) e 60 adolescentes (até 17 anos) em diversos territórios do Município. Com a retomada das atividades, serão também aumentadas as vagas, com 80 novas vagas para crianças e 100 novas vagas para adolescentes, em novos territórios, como o jardim Sorocabana, Vila Hortolândia, Vila Maringá e outros.


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