Jundiaí

Internação infantil e síndromes levantam alerta

Internações de crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave aumentaram no país


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Internação infantil e síndromes levantam alerta
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Dados nacionais de saúde apontam que internações de crianças e adolescentes em decorrência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), indicativo de covid-19, vêm aumentando. Na Região, a situação ainda está estável. Em Jundiaí, a Vigilância Epidemiológica (VE) informa que desde o início da pandemia, foram confirmados 3.096 casos de covid-19 em pessoas com idade de 0 a 17 anos, sendo que dessas, 39 foram foram hospitalizadas, três delas no último mês. Também foi registrado um óbito de uma pessoa de 17 anos, em junho deste ano.

Segundo dados do Ministério da Saúde compilados pelo Info Tracker, plataforma criada pela USP e Unesp para monitorar a pandemia, neste ano, até o momento, já há 17% mais internações do tipo do que o registrado em todo o ano de 2020.

Em Campo Limpo Paulista, nenhuma criança foi internada por causa da covid-19. Em Itupeva, também não houve nenhuma internação devido à doença, apenas casos suspeitos, posteriormente descartados.

Em Várzea Paulista, a Unidade Gestora Municipal de Saúde informa que, em setembro, não houve nenhuma internação positiva para covid-19 de pessoas de 0 a 12 anos. Casos foram registrados desde o início da pandemia, mas todas as pessoas de até 12 anos internadas se recuperaram.

Procurados, Jarinu, Cabreúva e Louveira não retornaram até o fechamento desta edição.

INFECÇÃO

O pediatra e professor doutor em virologia, Saulo Duarte Passos diz que ainda é cedo para afirmar que a tendência seja de aumento de crianças infectadas, mas é algo esperado. "As crianças estão mais expostas a vários vírus agora. Essas crianças ficaram muito tempo afastadas de estimulação viral. Estavam bem com o isolamento, mas agora colhem os frutos, a imunidade ficou com uma resposta menor, então a chance de adquirir uma infecção viral é maior. Tem mais oscilação climática agora e isso também contribui."

O médico conta que não há comprovação científica, mas há coincidentemente mais casos de síndromes em crianças com a pandemia. "Temos observado aumento nos casos de complicações pós-covid. Doença de Kawasaki e síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P). Há forte tendência de associação entre a covid-19 e essas doenças e houve aumento de casos agora. No período pré-pandemia, havia dois, três casos de Kawasaki no máximo no ano. Ano passado foram mais de 13, a maior parte em outubro, novembro e dezembro. Neste ano, vemos que haverá aumento."

Ele diz que o avanço da vacinação, não é possível afirmar ainda que crianças serão alvo do vírus. "Achávamos que criança transmitia pouco a covid-19, mas hoje sabemos que transmite bastante também. Ainda não tem estudo sobre o deslocamento de curva da vacina, se com adultos vacinados haverá mais crianças infectadas, é tudo novo. Não dá para inferir que haverá esse comportamento."

Ele ressalta ainda a importância de vacinar crianças com as vacinas que já podem ser tomadas por elas, para evitar outras crises sanitárias. "Algo importante é que as famílias precisam vacinar as crianças. Temos cobertura vacinal no limite inferior de doenças que têm prevenção porque as famílias não cumprem mais a vacinação como deveriam. Sarampo é uma doença muito mais infecciosa que a covid, uma pessoa com sarampo consegue transmitir para outras 18, mas não representa mais perigo porque tem vacina para controlar."

 


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