Jundiaí

Registro de câncer de mama aumenta 97%

OUTUBRO ROSA A Prefeitura ofertou neste ano, 685 acompanhamentos ambulatoriais para as pacientes


                               ALEXANDRE MARTINS
Kati Cristina Calegare detectou o câncer de mama em março deste ano
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

No Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alerta para a importância da presença das mulheres nas unidades básicas. No ano passado, devido a pandemia, houve uma queda nesta procura e isto pode explicar o aumento de 97% dos casos registrados este ano em Jundiaí em comparação ao ano passado.

Segundo a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), nos meses de janeiro a julho deste ano foram diagnosticados 69 casos de câncer de mama pela rede municipal de saúde contra 35 diagnósticos no mesmo período do ano passado, no auge da pandemia.

Na lista dos casos estava a dona de casa Kati Cristina Calegare, de 44 anos, que detectou o câncer de mama em março deste ano. "Minha ginecologista sempre me alertou sobre a suspeita de nódulo que eu tinha na mama, então fazia o autoexame regularmente e a cada seis meses a mamografia. Eu detectei o tumor através do exame de toque", afirma a dona de casa.

O nódulo foi detectado ainda em fase inicial, facilitando a remoção e aumentando as chances de cura da paciente.

TRATAMENTOS

Em acompanhamento com oncologista desde o início dos tratamentos, Kati está na sexta sessão de quimioterapia e deve iniciar as próximas etapas dos procedimentos médicos em alguns meses. "Vou passar por 16 sessões de quimioterapia, cirurgias para a retirada do nódulo e, por fim, iniciar a radioterapia", explica.

As expectativas para o sucesso dos tratamentos são altas, visto que o câncer foi detectado de maneira precoce e na fase inicial. "Tenho muita fé que vai dar certo, minha cirurgia vai ser simples e não vou precisar retirar parte da mama, apenas o nódulo e isso já me alivia muito, estou bem otimista pelo resultado", comemora a paciente.

RISCOS

De acordo com a mastologista Betina de Almeida Marconde, se a detecção do nódulo for identificada de maneira tardia, maior será o tumor e menor a chance de cura da paciente. "Os exames de mamografia e ultrassom são essenciais e devem ser realizados anualmente para aumentar a chance de cura em até 95%, caso o câncer seja detectado", afirma a especialista.

Para o tratamento do câncer de mama, o tempo é precioso. A médica explica que o período de espera entre o diagnóstico e o início do tratamento deve ser curto para evitar complicações. "O tempo entre a detecção do câncer para o início do tratamento varia de cada médico, mas não deve ser muito longo, pois o nódulo pode aumentar com o tempo e dificultar as chances de cura. Para as minhas pacientes eu recomendo o prazo de um mês", diz Betina Marconde.

Ao contrário do que muitas mulheres pensam, o câncer de mama é uma doença genética em apenas 5% dos casos. "A maior parte dos casos de câncer de mama são de mulheres que apresentam fatores de riscos, ou seja, portadoras de obesidade, fumantes, alcoólatras, ou mulheres mais velhas, que também estão mais propensas à doença", diz a médica.

O câncer de mama é uma das doenças que mais investiram dinheiro com recursos e novos medicamentos, visando a melhoria nos tratamentos e aumentando a chance de cura.

Segundo a mastologista, quimioterapia, radioterapia, cirurgias de retirada e a hormonioterapia são tratamentos eficazes contra a doença e diminuem a chance do tumor voltar. "Quanto mais completo o tratamento for, menor a chance do nódulo voltar a aparecer", explica Betina.

DIAGNÓSTICO

A Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) esclarece que a rede de saúde dispõe de fluxos bem estabelecidos para que o diagnóstico e tratamento do câncer de mama seja adequado. A rede primária é responsável pela prevenção, atuando em ações de conscientização sobre a importância dos hábitos de vida saudáveis e estímulo à realização das mamografias, sempre levando em conta a particularidade do risco aumentado para os antecedentes familiares.

Já no ambulatório da saúde da mulher, após detecção de alteração, é feito o estadiamento e o plano terapêutico, com mastologista em conjunto com a equipe de oncologia do Hospital São Vicente.

Em Jundiaí o exame de mamografia pode ser solicitado na Unidade de Atenção Primária, pelo enfermeiro ou pelo médico. A própria paciente pode manifestar interesse em fazer o exame, sendo que a realização é no Hospital Universitário (HU) e na AFIP (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa), por meio de agendamento prévio.

As 2,4 mil mamografias oferecidas mensalmente receberão acréscimo de 33% para as mulheres com mais de 40 anos que buscarem pelo serviço.


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: