Jundiaí

Da rua para a Olimpíada, conheça a modalidade breaking


      ALEXANDRE MARTINS
Daniel Ricardo Barbosa entrou no breaking em 1997 e continua até hoje
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Em dezembro de 2020, o Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou o breaking como modalidade para os próximos Jogos Olímpicos e, em 2024, ele será o único esporte estreante em Paris. Há tempos, a região de Jundiaí contava com grandes nomes do breaking nacional, mas aos poucos, essa cultura foi sumindo e, hoje, muitos ainda batalham para levar a modalidade às próximas gerações.

Assim é o caso do b-boy (nome dado para homens que praticam o breaking) Daniel Ricardo Barbosa, de 37 anos, que iniciou sua trajetória em 1997. "O breaking é um dos elementos da cultura hip hop que surgiu nos anos 70, durante as festas que aconteciam no Bronx, EUA, como uma forma de amenizar as brigas entre as gangues", pontua.

Barbosa já dançava o 'street dance' antes de conhecer o breaking. "Conheci a modalidade quando vi algumas pessoas praticando numa praça, em Campo Limpo Paulista, inclusive, esse local era um grande ponto de encontro entre os praticantes da região, toda sexta-feira. Era um grande encontro de amigos, rolava uma troca de experiência muito boa", ressalta.

Segundo Barbosa, o breaking chegou ao Brasil por volta de 1984, pois nesse mesmo ano havia lançado o filme 'Beat Street' ou 'A Loucura do Ritmo', despertando o interesse dos jovens da época. "O breaking no Brasil foi baseado nesse filme e, com a criatividade, foi incrementado movimentos da capoeira, por exemplo. Por isso, o nosso breaking é único e diferenciado, ficando conhecido mundialmente pelas dificuldades de execução", conta.

COMPETIÇÕES

O breaking é divido em diversas modalidades que o praticante pode utilizar na sua apresentação em grupo ou em batalhas. Os movimentos são derivados de outras danças e esportes que, ao longo dos anos, foram incorporando o breaking.

"Quando eu era jurado ou competidor, os critérios de avaliação eram a musicalidade, pois o competidor e a música precisavam ser uma coisa só; a originalidade, em que a pessoa pode até fazer um movimento que já foi apresentado, mas de um jeito único; o grau de dificuldade do movimento e a criatividade", explica Barbosa.

De acordo com o b-boy, na apresentação é ideal que o competidor passe por todas as modalidades. "A sequência mais comum é começar com o 'blow up', que é a entrada explosiva, como um mortal; em seguida o 'top rock', que é dança na parte de cima do corpo; o 'footwork', que é a dança com os pés; o 'power move', que é a parte de maior dificuldade, com giros e piruetas, muitos vindos da ginástica, giros de cabeça, entre outros; e finalizar com o 'freeze', que é a pose estática, normalmente quando a música para no meio ou no fim", completa.

No início, as competições de breaking no Brasil serviam mais para ganhar respeito e notoriedade dentro da cena, para que o competidor conseguisse ter mais oportunidades de dar workshops e ganhar convites para ser jurado.

"Compensava mais ganhar o reconhecimento do que ganhar o dinheiro da competição. A gente sempre falava para os novatos que era bom continuar estudando ou trabalhando, pois não dava para se garantir só com o breaking. Por isso, virar um esporte olímpico é muito necessário. A profissionalização do esporte vai aumentar a procura das novas gerações pelo breaking e vai garantir o sustento de quem pratica seriamente", afirma.

ATUALIDADE

Aposentado das competições, Barbosa segue firme na cultura, dando aulas de 'hip hop freestyle' na Vila Hortolândia e iniciando um projeto de breaking em uma praça de Várzea Paulista. "A ideia é justamente chamar a atenção da garotada e fazer com que criem interesse pela modalidade. Minha meta é esvaziar todo meu conhecimento e jogar para frente", comenta.

Para Rômulo Oliveira, de 24 anos, dançarino profissional de hip hop freestyle, hoje, o breaking ficou bem performático, misturando o ritmo do rock e do pop-rock com acrobacias e saltos. "Tudo que era possível acrescentar dentro da musicalidade e da movimentação, foi acrescentado", pontua.

Oliveira começou a dançar hip hop em 2009, no projeto social do bairro que mora, o Jardim São Camilo. A partir disso, ganhou bolsa em uma escola de dança da cidade e lá teve seu primeiro contato com estudos mais aprofundados do street dance.

"Culturalmente, o breaking chegou em São Paulo nas estações de trens, nas ruas e no centro da cidade. Principalmente dentro dos famosos encontros de batalhas de MC's pela região da estação São Bento, local considerado o marco zero do hip hop em São Paulo, além das batalhas de rimas, muitos b-boys se apresentavam também", conta.

Segundo Oliveira, essa cultura se mantém forte até hoje na capital paulistana, no Centro, na área da Galeria Olido e principalmente na estação Vergueiro, onde toda quinta-feira há b-boys se apresentando. "Existe um coletivo de b-boys que dança nos vagões de trem e metrô. Então, o breaking é uma das vertentes do hip hop mais presente nas ruas, ele é pouco acadêmico e muito individual, ou seja, é difícil ter uma aula de breaking, pois é algo bem pessoal e intimista para cada um", ressalta.

(Lucas Hideo)


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